Os Mortaguenses decidiram e é
oficial: o Ricardo Pardal foi novamente eleito Presidente da Câmara Municipal
de Mortágua para os próximos quatro anos. Rapidamente percebi que o desfecho
seria inevitável, à medida que iam saindo os resultados, e devo ter sido dos
primeiros a reagir publicamente ao desenlace, congratulando desde logo a
candidatura com a elevação democrática que se impunha, tendo também sublinhado,
no entanto, que em momentos como este, saber perder é tão essencial quanto
saber ganhar. Devemos enaltecer a honra aos vencidos, mas também esperar
dignidade da parte dos vencedores.
As primeiras reações são sempre
mais emocionais, mas os dias que se seguem permitem fazer uma análise mais racional
e fria dos números, como é natural. A vitória do PS é inquestionável, ninguém
está a colocar essa certeza em causa, mas será que as hostes socialistas
tiveram razões plenas para as efusivas celebrações que pudemos testemunhar? Ora,
se olharmos somente para os representantes eleitos, podemos conferir uma margem
sólida nos diferentes órgãos autárquicos: maioria na Câmara Municipal e conquista
de seis das sete Juntas, juntando-se estes elementos a outra maioria na
Assembleia Municipal, em que o partido conquistou oito mandatos contra apenas sete
das candidaturas restantes, à razão de cinco para o PSD e duas para o Renovar. Nas
disputas das Juntas houve vitórias indiscutíveis como na Marmeleira, em Trezoi
e em Espinho, que mostraram a preferência dos eleitores de uma forma clara. Na
primeira, a liderança é muito segura e bem alicerçada na obra, que é visível.
Da segunda confesso não ter o mesmo conhecimento, mas os respetivos fregueses
gostam bastante do seu presidente, não há dúvida. Popularucho, como evidencia
nas sessões assembleia, onde se mostra de certa forma excêntrico, mas como se
pode ver mostra resultados. Na terceira também tivemos uma vitória esclarecida
de um presidente que respeito imenso. Tenho um grande carinho pelo candidato
vencido, mas acredito que a Junta ficou muito bem entregue. Em Cercosa, o
eleitorado também votou PS em maioria, sem grandes surpresas na minha opinião,
ambos os candidatos são bastante dignos, mas é uma zona do concelho claramente
rosa, e por isso difícil para qualquer adversário. O Sobral é PSD, toda a gente
sabe disso, e o vencedor da eleição é tão consensualmente relevante que nem
vale a pena dizer mais nada sobre o assunto, a não ser dar-lhe os meus
parabéns. Já Pala foi palco de uma das surpresas da noite, não propriamente
pelo resultado, mas sim pela diferença de votos, já que todos esperavam uma
definição taco a taco, mais renhida. Sou amigo dos dois candidatos e
contemporâneo de ambos. Acho que tanto um como o outro têm muito valor. Ganhou
o meu “xará”, que foi digníssimo na reação à vitória, e eu desejo-lhe as
melhores felicidades, a ele como a todos os outros vencedores, claro, porque um
bom trabalho de qualquer um deles será sempre um serviço bem prestado à nossa
terra. Finalmente, na União de Freguesias a expectativa era muito grande para
perceber quem sairia por cima. A conclusão a que chego é que o meu querido
amigo Pina é efetivamente fortíssimo, tem um peso muito grande no nosso
concelho… e muito bem, porque é um grande homem. Como fiz questão de partilhar
com a comunidade, não votei nele desta vez porque pareceu-me claramente que a
manutenção de toda a lista apenas com a alteração da liderança, foi a típica
jogada do “puppet”, que pelos vistos bastou. Há quatro anos, o PS venceu por
688 votos de diferença, já este ano foi apenas por 228, mas lá chegou. Uma
palavra para o candidato do PSD, que é uma excelente pessoa e merece a minha
reverência por tudo o que tem passado. Além do mais, fez um grande trabalho.
Para a Assembleia Municipal, os
resultados são esclarecedores, como nos mostra a maioria absoluta. Era de
prever. Talvez o Acácio seja imbatível enquanto for candidato ao órgão e não
sou eu de certeza absoluta que vou colocar isso em causa, tanto pelo seu
contributo à nossa terra, Mortágua, que tem grande importância e dimensão, como
por todo o respeito que tenho por ele. A sua lista tem elementos de valor e que
muito considero, tal como outros que só lá estão a fazer número, já há tempo
demais, mas é o que é. O PSD apresentou grandes nomes e elegeu uma bancada com
potencial, de que espero pujança, rigor, combatividade e incisão, mas acredito
que tenha sido pouco feliz na escolha do cabeça de lista, um homem trabalhador
e honrado, mas pouco perfilado para estas andanças, no meu entendimento, além
do handicap de não residir no concelho, apesar de ser natural de cá. Concluo
com o Renovar, que elegeu os seus dois representantes, sendo que reconheço à
repetente na eleição muita seriedade e mais-valia para promover um debate
esclarecido na arena política da assembleia, como se deseja. Resumindo, ninguém
em seu perfeito juízo vai questionar a solidez dos resultados, como é evidente,
muito menos a legitimidade de quem ganhou, mas será que foi assim uma vitória
tão espetacularmente categórica, absoluta, irrefutável, cabal e manifestamente à
prova de qualquer outra interpretação? Não foi, e passo a explicar porquê: para
a Câmara, que todos sabemos ser o órgão mais importante, o Ricardo Pardal
recolheu a preferência de 48,04% dos eleitores que se dignaram a ir votar no
domingo, só que essa percentagem é inferior à dos que votaram nos outros
candidatos, o que significa diretamente que há mais Mortaguenses que preferiam
que o Ricardo não tivesse sido reeleito do que propriamente o contrário. Pesa a
balança de um lado, mas do outro também. Isto ilegitima o incumbente? De forma
alguma, mas não deixa de ser a realidade. Como também não é mentira que o PS
perdeu 13,86 pontos percentuais de eleitorado de 2021 para agora. Este ano,
votaram cá 5298 pessoas, quase mais uma centena do que nas eleições anteriores…
só que, apesar do crescimento do universo eleitoral, o Ricardo foi eleito com a
aprovação de menos 681 Mortaguenses do que em 2021, o que continua a fazer dele
um Presidente absolutamente legítimo, mas, ao mesmo tempo, indiscutivelmente
menos validado. Esta é aquela certa e determinada matéria de facto (expressão muito
em voga) que não pode, ou pelo menos não deve, deixar de ser tida em
consideração numa análise política séria dos resultados. Uma análise que nos
mostra que não, Mortágua não tem só “uma cor”, nem nada que se pareça.
Mortágua tem muitas cores até, e
parece-me mais dividida do que nunca. Metade está para um lado e a outra metade
para o outro. Os números não mostram outra coisa. Agora, cabe a todos nós apoiar
a nossa terra, cada um à sua maneira. A oposição deverá organizar-se porque tem
um papel fundamental de escrutínio à atividade, e o primeiro mandato mostrou-nos
que não faltam razões para continuarmos, todos, sem exceção e onde claramente
me incluo, a ter o dever de estar atentos ao que se passa. O PSD e o Renovar perderam
e não me parece que há quem possa escamotear essa evidência. Os primeiros
renasceram, sendo agora expectável que deem continuidade ao que foi posto em
marcha, até porque não tenho dúvidas que tanto a Emília de Matos como o Paulo
Oliveira protagonizarão uma oposição forte, séria e responsável na Câmara. Já
em relação ao André Faustino, as previsões que partilhei convosco há largos
meses acabaram por se confirmar. Talvez não merecesse, mas acabou mesmo por
sair pela porta pequena, assinando a sua sentença, já que a sua votação foi no
mínimo desconsoladora para a ambição de vitória que o próprio revelou. Não sei
se o movimento sobreviverá com outros protagonistas, até porque há lá gente de
valor, mas com a maior das honestidades deste mundo, não consigo imaginar o
André a voltar. No entanto, hoje caímos e amanhã levantamo-nos, a vida é mesmo
assim… vamos lá ver o que acontece. Pela combatividade que mostrou, talvez não
merecesse este epílogo. Em boa hora o avisei, como amigo que sou.
Não fui candidato a nada, mas sou
o primeiro a estar solidário com quem perdeu, como é evidente, até pela posição
pública que assumi, e que voltava a assumir novamente sem qualquer tipo de
hesitação, pelo que se quiserem enfiar-me no mesmo saco dos derrotados, não
tenho qualquer tipo de problema com isso. Defendi o que continuo a acreditar
que era e ainda é, no meu ponto de vista, o melhor para Mortágua. Simples. Sem
interesses, sem amarras. Por amor. Com total independência de análise, atenção,
o que não tem, como é evidente, correspondência direta com a palavra “isenção”,
que talvez seja um dos mais curiosos conceitos-chave que ficam desta campanha,
como se o cidadão comum não tivesse livre arbítrio para ter uma posição e
assumi-la. Parece-me que falta muita maturidade democrática a imensa gente. Em
eleições de proximidade como as autárquicas as pessoas valem muito mais do que
os partidos, mas isto parece difícil de perceber para alguns, que só conseguem
ver uma cor. Sobre a minha conduta individual, não me arrependo de
rigorosamente uma única palavra que tenha escrito, sendo que no fundo estas
encontram respaldo até na própria retórica do recém reeleito presidente, e nas
desculpas dadas no discurso de agradecimento, assumindo que não cumpriu o que
prometeu no primeiro mandato… e não cumpriu com grande estrondo, atenção, não
foi só uma promessa ou duas, nem nada que se pareça. Mão amiga enviou-me
prontamente o vídeo com o discurso da consagração, que agradeci e ouvi com
muito interesse, já embrulhado nos lençóis, dado que no dia seguinte era para
madrugar e picar o boi. Ouvindo o Ricardo in loco pude constatar que se
continuou a falar à boca cheia de humildade, e eu faço votos para que continuem
humildes mesmo, é bom que isso aconteça, porque o trabalho apresentado no
primeiro mandato foi muito pouco e não aconselha a menos que isso. Compreendam
também de uma vez por todas que isto da humildade e do trabalho não se apregoam
nunca enquanto virtudes, muito menos em julgamento próprio. Demonstram-se! São
os outros que nos devem identificar essas propriedades e nunca nós mesmos. O
que será que pretende quem sente a necessidade de reiterar permanentemente a
humildade própria? Faz lembrar a solidariedade com os outros que é objeto de
selfie e consequente partilha nas redes. Percebem porquê, certo? Enfim… a
“humildade”.
Em jeito de autoavaliação, já que
pelos vistos é uma tendência atual, também eu prometo continuar rijo como até
agora. Forte, atento e incisivo. O legado do primeiro mandato não aconselha
ninguém a aligeirar o escrutínio. O PS ganhou e não há como colocar isso em
causa, sublinho essa evidência desde o início. Só que os protagonistas e os
apoiantes dos 48% têm precisamente o mesmo direito de ser respeitados que todos
os outros que compõem a restante percentagem, e que pelos vistos até são mais.
Somos todos Mortaguenses, sem excepção… os 5298 que foram votar. Depois de
lamentar não ter cumprido com o que prometeu, o Ricardo também disse que agora
é que ia ser para cumprir. Obviamente que só nos compete saudar a manifestação
de vontade. Façam e aconteçam, caros representantes reeleitos. Deixem obra
visível. Construam a partir de agora a tal Melhor Mortágua que antes nos
prometeram, mas que ninguém viu. Espero que agora tenham aprendido com os erros
todos que rubricaram, e que foram muitos mesmo, como aliás se pode ver, dado
que até houve uma maioria de Mortaguenses que não as validou, como nos mostram
os números. Respeitem isso. A tal humildade que é autodeclarada tem de ser a
primeira a reconhecer essa evidência… e depois surgirá o tal trabalho, que
pelos vistos a partir de agora é que vai haver para mostrar. Cá estaremos para o
apreciar. Os meus textos pelos vistos vão tendo um hype que confesso
surpreender-me um pouco: outro dos desabafos do Presidente na hora de cantar
vitória, que considero mau prenúncio, foi para saudar o contributo do mediático
“4K”, lamentando a existência de uma grande “pressão” que o fez ir embora. Se
já estava orgulhoso em ser o “padrinho” do referido avençado, dado que pelos
vistos a denominação pegou em toda a linha, a começar pelo amigo que o
contratou, fico agora satisfeito também por saber que contribuí direta ou
indiretamente para a sua saída. É sinal que a atividade toda que vou exercendo,
efetivamente por amor a Mortágua e nada mais, sempre vai tendo o seu
significado. O escrutínio é tremendamente importante em democracia, que ninguém
se esqueça. Ainda bem que não aguentou a pressão, a avença era uma autêntica
ofensa para todos nós, Mortaguenses, que a financiámos durante anos. Só lastimo
que o Ricardo continue a não ter noção do ridículo que foi (e pelos vistos
ainda é) toda esta novela mexicana sobre o referido senhor 4K, cujos contornos
são de bradar aos céus. Depois de o ter contratado por 4 mil euros mês, valor
que não se vê em praticamente lado nenhum da administração local, muito menos
num município pequeno como o nosso, e atropelando todas as regras de um
concurso supostamente público em que afirma até em sede própria que se trata de
uma escolha pessoal, ainda o tenta meter no quadro. Depois da aparente deserção
por desistência, não aguentando a pressão, o lugar continua por ocupar depois
destes meses todos, o que levanta fundamentadamente duas questões muito
relevantes: era Mortágua que precisava de alguém no respetivo cargo ou era alguém
que precisava de um cargo cá em Mortágua? Mais: se havia a necessidade efetiva,
porque não se chamou o candidato que ficou em segundo lugar? É que não, isto
não é nem pode ser a Venezuela, apesar de por vezes parecer…
O Ricardo Pardal ganhou as
eleições e será o nosso presidente pelo menos mais quatro anos, sublinho
novamente que ninguém põe isso em causa. Faço votos para que desta vez seja
mais digno do cargo e coerente com o que promete. Tem de haver seriedade, estimados
conterrâneos. A questão é precisamente essa. Do meu lado, vou continuar a
escrutinar quem quer que seja que vá para a administração da nossa terra, como poderão
constatar. Vou continuar atento e interventivo como sempre estive. O meu
vizinho do lado, Zé Júlio Norte, foi presidente 8 anos e eu fiz-lhe sempre
marcação cerrada… sempre… olho por olho, dente por dente. Qualquer um pode
comprovar isso, basta consultar o espólio dos últimos 16 anos, organizado e
registado em espaço público para quem quiser dar uma vista de olhos… e sabem
que mais? Continuamos grandes amigos como sempre… assim haja maturidade
democrática! O PS ganhou as eleições e ninguém coloca essa realidade em causa,
em momento algum. É um facto, uma evidência. Atente-se, porém, que há um lado e
o outro também, que é o do escrutínio e da oposição, que são princípios estruturantes
em democracia. É desse lado que estou. Ambas as posições são legítimas porque
zelam pela terra da mesma forma, cada uma à sua maneira. Sobre o pré eleições,
a verdade é que nunca estive particularmente confiante numa vitória e as
pessoas com quem fui conversando sabem perfeitamente disso. Pensava que seria
um pouco mais equilibrado, confesso, porque era da opinião que a junção da
oposição fragmentada pesaria indiscutivelmente mais do que o PS, e essa
diferença não foi assim tão visível. Cometeram-se alguns erros, de julgamento e
estratégia, não houve o tal trabalho conjunto e o que os números nos mostram é
que, havendo um esforço de preparação prévio, de natureza agregadora, teria
sido perfeitamente possível vencer com uma frente comum que abarcasse todos os
descontentes com esta deriva. Isso não aconteceu e uma vez mais os astros
alinharam-se em benefício de um contestadíssimo Ricardo, frágil do ponto de
vista individual, mas empoleirado num PS que é sempre uma máquina fortíssima,
omnipresente na esmagadora maioria do emprego público e nas instituições do
concelho, com toda a esfera de influência que isso significa, além de também
possuir recursos de nomeada, como o reeleito Presidente Acácio, na Assembleia
Municipal, um todo poderoso peso pesado. Não era preciso ser um adivinho para
antecipar o que era claramente de prever. É o que é. De ora em diante, é
preciso responsabilidade de um lado, mas também do outro. Todos sentem a terra,
todos são importantes à sua maneira. É preciso compreender isto de vez.
A equipa da Emília para mim era a
melhor, por isso é que a apoiei, como tornaria a fazer sem qualquer hesitação.
Os Mortaguenses consideraram, no entanto, que seria para eleger outro candidato
e é lógico que tenho de aceitar, como bom democrata que sou. No entanto, este
momento de transição que vivemos aconselha a conveniência de deixarmos
registado para memória futura que os nossos concidadãos relegitimaram um
presidente que se afirma como credível e rigoroso, mas não cumpriu sequer um
quarto do programa eleitoral com que foi sufragado em 2021, ao longo do
primeiro mandato. Relegitimaram um presidente que se denomina de humilde e
simultaneamente se qualifica de “bom nas contas”, tendo apresentado resultados
historicamente negativos nas prestações dessas mesmas contas, consecutivos, uns
atrás dos outros, herdando um saldo de gerência de 5,5 milhões de euros no
início do mandato que já estava em 3,5 milhões de euros no final de 2024, de
acordo com a informação por si prestada no documento referente a esse ano.
Relegitimaram um presidente que jurou transparência, mas que esteve meses e
anos sem publicar atas de reunião de câmara e sessão de assembleia, tendo
dificultado o acesso a todos os documentos possíveis e imaginários, depois de
ter passado o mandato anterior a clamar por eles. Relegitimaram um presidente
que apontava o dedo com toda a ferocidade às ETAR do concelho, tendo-as deixado
em muito pior estado no final dos quatro anos da sua administração, deixando
inclusivamente caducar os licenciamentos de algumas sem licenciar qualquer
outra, já para não dizer que fez campanha com o lançamento do concurso da
principal sem, no entanto, referir que não teve quaisquer ofertas por não haver
interessados em fazer a obra nos termos propostos. Relegitimaram um presidente
que chamou de tudo e mais alguma coisa ao seu antecessor, em matéria de
centralidade e autoritarismo, partindo de seguida para um mandato que ficará
para a história do concelho como o mais repressivo para os trabalhadores de que
não gostava, deixando-os sob constante ameaça, evidenciando ainda os mais
variados trejeitos despóticos em tudo o que era reunião de câmara ou sessão de assembleia.
Relegitimaram um presidente que apontava o dedo às cunhas e aos favorecimentos
e depois protagonizou o inesquecível e imperdoável escândalo do Sr. 4K, que
ainda hoje tem o desplante de conseguir defender, depois de ter passado por cima
das mais elementares regras de contratação pública, supostamente idónea e
transparente. Relegitimaram um presidente que não se mostrou sério na palavra.
Relegitimaram um presidente que não se mostrou digno na postura. Relegitimaram
um presidente que não se mostrou capaz no cumprimento. Relegitimaram um presidente
que não foi competente. É muito importante que nada disto caia no esquecimento.
Viramos agora a página, mas o passado, esse, ninguém apaga.
Espero de coração que as coisas
corram melhor neste segundo mandato e que, entretanto, se vislumbre
efetivamente a tal Melhor Mortágua de que tanto temos ouvido falar… mas para
isso vai ser preciso um Melhor Ricardo, que ninguém tenha dúvida. Sobre
críticas antigas, escrevi e disse sempre o que realmente pensava, por isso fui 100%
verdadeiro, sem as convenientes conivências que a interessada política alimenta.
Dono e senhor da razão não sou, claro está, nem eu nem ninguém. Tenho, como
todos temos, um direito de me manifestar e de participar que no fundo até sinto
mais como se fosse uma espécie de dever. Podia estar calado? Talvez, mas cada
um é como é e eu não me arrependo de absolutamente nada. Em relação às tais
críticas que referi, faria tudo exatamente da mesma maneira, porque estas sempre
foram devidamente fundamentadas, e é precisamente aí que reside o principal
problema, até porque esta relegitimação mostra-nos que há muitos Mortaguenses
que ignoram os factos, que não sabem do que verdadeiramente se passa. Que haja
outros que preferem ignorar e não saber, isso já é outra coisa… mas a nossa
terra precisa de reação. A nossa terra precisa de oposição. A nossa terra
precisa de escrutínio. Por isso mesmo, cá estarei para continuar a fazer a
minha parte. Aliás, depois de tudo o que aconteceu e tem vindo a acontecer
desde 2021, prometo duplicar o meu compromisso… vou estar ainda mais atento e
ainda mais interventivo!
Entre todos os problemas que
temos, reitero a necessidade urgente da inversão da decadência demográfica em
que estamos mergulhados, cada vez mais envelhecidos e desertificados. Este é o
desafio dos desafios para os próximos tempos, que não se resolve com os chavões
do costume, como o “pelas pessoas”, o “mais” e o “melhor”, mas sim com ideias
concretas, audácia, capacidade de inovação e de aproveitamento desta
oportunidade única com que estamos presentemente confrontados. Mortágua e os
Mortaguenses têm tudo, mas tudo mesmo para enfrentar o futuro com esperança e
com optimismo. Com confiança e com um sorriso na cara. Basta aproveitarmos tudo
aquilo em que somos efectivamente bons. O ponto de partida é o que é. Espero
que a chegada seja um pouco mais reconfortante. Prometo contribuir para isso, a
partir das ferramentas de que disponho.
Não vai haver uma Melhor Mortágua
sem que primeiro haja um Melhor Ricardo.
Isto é manifesto e inequívoco.
Oxalá este segundo mandato seja muito,
mas muito melhor do que o primeiro.
Desejo-o de coração.
Viva Mortágua!