quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Cultura e Culturalidade em Mortágua

É sempre pertinente e oportuno avaliar e fazer pontos de situação, sendo que chegou a hora de reflectir acerca do período estival que agora findou, não esquecendo que coincide também com o culminar de um ano lectivo, em que as famílias recuperam o sorriso das suas crianças no dia-a-dia do seu lar. Verão é sinónimo de animação, conceito que também se relaciona com cultura, e tão importante que esta se revela na formação do indivíduo, e na riqueza e qualidade de vida de uma comunidade. Apesar da minha ainda alguma juventude, tenho procurado de há uns anos a esta parte inteirar-me cada vez mais da real situação do meu concelho, das suas virtudes mas também dos seus problemas e limitações, que todos sabemos que existem como em qualquer outro local, ainda mais em tempos difíceis como este, pautados por um quadro político nacional cada vez mais instável, sem esquecer a complicada conjuntura internacional económica, social e política, que surge cada vez mais influente e determinante na definição de prioridades da orientação estratégica nacional e, subsequentemente, da orientação estratégica local.

A este propósito, parece-me importante desmistificar um conceito defendido por uma franja da população mortaguense, muitas vezes até de um ponto de vista instrumental ou pretensioso, e que me parece algo deslocado da realidade, que é o de Mortágua ser uma “pasmaceira”, uma vila onde nada se passa a nível da ocupação do tempo livre, cultural e desportivamente, evidenciando-se também alguma “letargia” da parte dos que gerem a nossa autarquia, dos “homens do leme”. Estou em crer que importa reagir perante uma análise desvirtuada e propagandista da actividade cultural mortaguense, que não será tão pobre como muitos a poderão querer pintar. O que me parece decisivo em primeira instância é que haja uma renovação de hábitos e mentalidades, se quisermos ter mais e melhor cultura no nosso concelho, porque não será sensato nem sequer aceitável julgar e responsabilizar em exclusivo a edilidade por toda e qualquer programação cultural, nas suas quantidade e qualidade. Deverá neste âmbito o papel do munícipe ser desconsiderado? Não creio, pois é co-responsável, e deverá portanto envolver-se. É necessário abandonar um pouco a “cultura do copo, do café e do cigarro”, que embora também tenha o seu valor como veículo de socialização, é vastas vezes demasiado consumidor, e adoptado como forma única de ocupar o tempo livre.. e há tantas maneiras mais enriquecedoras para o fazer!

Nunca nos devemos esquecer do valor que a cultura detém como bandeira de uma comunidade, um conceito que facilmente se relaciona com humanismo, pela agregação que permite, ou até pela simples expressão que evidencia, daí que nos compete cativar o munícipe para ela de uma forma esclarecida e assertiva. É dever da Autarquia de Mortágua não só dinamizar a sua própria actividade cultural como também promover e apoiar toda a iniciativa individual, motivando-a e valorizando-a, porque o sucesso desta colaboração e interacção é profícuo e determinante para a determinação da nossa “oferta”. Assim sendo, haja proactividade de cada um de nós nesse sentido! A chamada lei da oferta e da procura é sempre soberana, em todos os sectores, incluindo o cultural evidentemente, pelo que a agenda programada nunca poderá estar deslocada da realidade do nosso concelho. Promover a cultura sim, mas com racionalismo, adequação e sentido de oportunidade, esperando também uma resposta da parte da população, que deverá valorizar o esforço empreendido no sentido de estimular mais ainda a arte, o desporto, a animação e o lazer no nosso concelho. Se reflectirmos um bocadinho que seja em torno da actividade cultural e ocupação das crianças, jovens e adultos de Mortágua, será o nosso cartaz assim tão fraco e pouco apelativo, avaliando-o em relação com as expectativas e o fervor cultural das nossas gentes? Para fazermos mais e melhor, que será sempre o objectivo primeiro e a principal linha orientadora da actividade da Autarquia, importa exortar os munícipes para que estimulem a sua própria culturalidade, fomentando ainda a iniciativa individual em articulação com a agenda municipal, pois só assim poderemos melhorar o panorama local nesta área, com um esforço concertado e conjunto.

Muito resumidamente e com o objectivo de concretizar, poderei mencionar alguns programas municipais de Verão que se revelaram um verdadeiro sucesso, como as Férias Activas, a Universidade Júnior, o Fim de Semana Radical e os JEF - Jovens Estudantes em Férias, tanto ao nível da divulgação como da participação registada, com muitos dos inscritos a virem de um pouco de todo o país, o que prova claramente que Mortágua divulga o que organiza, como mostra a projecção que estes eventos têm vindo a adquirir de há uns tempos a esta parte. A XX Festa da Juventude e XII Feira das Associações também foi novamente um sucesso, com um balanço final francamente positivo. Quem não gosta de ir às “tasquinhas”, como carinhosamente o povo apelida a festa? A semana quente de Agosto que todos reservam para festejar em conjunto o nome de Mortágua e dos mortaguenses registou mais uma vez grande afluência, o que se saúda. Uma grande festa conjunta que apenas se torna possível pela força que o Associativismo tem no nosso concelho, o que se tem tornado por demais evidente pelas articulação e cooperação demonstradas na execução destas mesmas iniciativas.

De futuro, e entre outras, teremos no final do mês de Outubro o Fim de Semana da Lampantana, a primeira edição de um certame que se espera que venha a ter todo o sucesso e que se deseja realizar por muitos e longos anos, tendo como parceiros privilegiados os produtores locais de vinho e diversos empresários de restauração, certamente parte interessada nesta iniciativa que valoriza o roteiro gastronómico do nosso concelho. Temos também brevemente o Rally de Mortágua, prova que projecta como poucos o nome do concelho pelo país fora, assinalando-o no calendário desportivo motorizado nacional, e que também tem sido exemplo pelo rigor e competência da organização, tal como pelo bom comportamento do público, que adere sempre em grande número e de forma entusiasta. apenas se torna possível pela força que o Associativismo tem no nosso concelho, o que se tem tornado por demais evidente pelas articulação e cooperação demonstradas na execução destas mesmas iniciativas.
Partilhemos divertimentos e usufrutos mas partilhemos também iniciativas e responsabilidades, pois só com a colaboração de todos, sem excepção, poderemos continuar a lutar para fazer de Mortágua uma vila melhor, em todos os sectores.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

O Novo Ano Lectivo

Arrumadas que estão as toalhas de praia e os chinelos de dedo, é hora de voltar ao trabalho nas escolas, com alunos, professores e diferentes agentes educativos a recuperarem as rotinas habituais do seu quotidiano de trabalho. Findas as férias e superadas as pequenas “depressões” sazonais e habituais deste período, eis que o ano lectivo 2010/2011 arrancou oficialmente a 13 de Setembro, desta vez com algumas novidades implementadas pela ministra Isabel Alçada, que dissecarei de seguida.

As alterações ainda foram bastantes e em diferentes áreas, mas começo pelo Estatuto do Aluno, que conheceu mudanças significativas, muitas estimuladas pelo intervencionismo político da oposição, nomeadamente em questões de disciplina e facilitismo vários, algumas com razão de ser, diga-se de justiça. Assim sendo, optou-se por recuperar algum rigor que tinha vindo a ser progressivamente suavizado, postura essa na qual me revejo, pois partilho a perspectiva da necessidade de haver um clima de exigência nos espaços escolares, conducente ao sucesso, a um melhor aproveitamento, que será o objectivo primeiro do sistema educativo – e o país precisa desse melhor aproveitamento.

Enumerando apenas algumas das medidas tomadas, começo pelo capítulo da assiduidade: acabam-se as provas de recuperação que se verificavam em caso de excesso de faltas, volta a fazer-se a distinção entre ausências justificadas e injustificadas e reduzem-se os prazos para accionar os procedimentos disciplinares em casos de incumprimento, agilizando assim o processo. Óptimo. É fundamental haver uma maior intransigência neste âmbito, que parece agora regressar, dado que num passado recente não existia, ou pelo menos não tinha tanta expressão. Por exemplo, se um aluno que faltasse sistematicamente às aulas não fosse retido, que sentido faria? Demagogias à parte, e sem querer debruçar-me especificamente sobre a sensível questão das reprovações, existem atitudes e formas de estar que terão sempre de ser salvaguardadas, sob o risco de um dia desvirtuarmos por completo a Escola, e a respectiva acção educativa. Neste sentido, aproveito também para saudar uma maior responsabilização parental que tem vindo a ser gradualmente implementada, uma das partes mais importantes na educação de um aluno, do ponto de vista global, e que me parece reforçada este ano. No 1º Ciclo o limite passa para apenas dez faltas injustificadas, sendo que nos restantes estas não poderão exceder o dobro das horas semanais por disciplina. Os pais serão sempre chamados à escola quando os seus educandos atingirem metade dos limites estabelecidos, e caso tal não seja possível cabe à escola participar a situação à Comissão de Protecção de Crianças e Jovens. É determinante que se juntem pais, professores e demais intervenientes no processo de formação dos nossos alunos, tanto do ponto de vista pedagógico como disciplinar. Graves casos de desaproveitamento ou mesmo de potencial marginalidade explicam-se muitas vezes pelo alheamento total dos primeiros responsáveis pela educação básica e acompanhamento das crianças, os seus progenitores, que tantas vezes descuram essa obrigação, entregando a responsabilidade quase em absoluto às escolas e aos professores. No capítulo disciplinar, destaque ainda para algumas medidas correctivas agora contempladas, que vão da simples advertência à determinação de tarefas de integração escolar e o condicionamento de acesso a certos espaços da escola. Caberá ao director julgar casos de reparação de eventuais danos provocados por alunos no património escolar, e a figura do professor volta a deter o poder de expulsão da sala de aula em situações que assim o justifiquem. Nada a opor, bem pelo contrário.

Outra das novidades deste ano lectivo é a reorganização da rede escolar, nomeadamente o encerramento inevitável de algumas escolas, inserido numa lógica de renovação e concentração que visa a igualdade de oportunidades, sem esquecer ainda os benefícios económicos que daí advêm. A reunião da população em grandes aglomerados é uma tendência generalizada à escala global e um fenómeno sociológico inquestionável, pelo que o grande “ruído” em torno destas novas políticas educativas relacionadas com o parque escolar têm um cariz predominantemente demagógico, salvo justificadas excepções, como é evidente. É preciso saber fazer a transição, serena e cuidadosamente, mas fará algum sentido manter escolas com 6 ou 7 alunos em serviço? Isabel Alçada admitiu recentemente a este propósito que o processo de agregação não correu bem, pelo menos da forma que desejava o Ministério, garantindo ainda que as comunidades locais vão passar a ser ouvidas em relação à tão mediatizada fusão de agrupamentos, articulação esta que me parece de natureza incontornável e que deveria ter sido prevista em todo o território, procurando compreender e dar resposta às inúmeras especificidades e problemáticas existentes em diferentes municípios, que devem sempre ser parte activa do processo decisório, uma vez que são os mais profundos conhecedores das realidades dos seus concelhos. Trata-se de um processo bastante sensível, que afecta a vida de muitas pessoas, pelo que deverá merecer toda a atenção das entidades competentes e ser tratado com as assertividade e prudência possíveis, com os interesses de todos defendidos e sem quaisquer “pressas” que perturbem o normal funcionamento das actividades, preocupação essa que a autarquia mortaguense claramente teve, apenas a título de exemplo. Outras poderiam, ou deveriam, ter seguido o exemplo.

Importa prevenir, articular e saber ser inteligente nas decisões tomadas, mas importa acima de tudo ter uma visão “avant-garde” de racionalismo administrativo rigoroso, porque só assim poderá haver uma boa gestão que lance sementes de qualidade para o futuro. E o futuro começa nas escolas..