Mais um ano que está prestes a terminar e, característico da altura, mais uma série de pensamentos e inquietações percorrem todos sem excepção, do mais ponderado ao mais precipitado. É que isto de viver tem muito que se lhe diga! Passo a explicar: não é que eu seja uma mente transtornada e tumultuosa que tudo problematize, e que não consiga retirar satisfação das coisas mais simples e elementares, porque não sou, mas parece-me extraordinariamente difícil, à luz da minha experiência e das existências circundantes que vou analisando, que se possa ser plenamente feliz e realizado com a vida que efectivamente cada um tem. Pergunto eu: mas porquê? A natureza humana será porventura uma das áreas mais complexas de investigar mas, no meu entender, provavelmente a mais fascinante.
A época natalícia tem muitas coisas boas, isso é inegável. É um período festivo em que por norma as pessoas andam um bocadinho mais felizes, parece que existe uma aura harmoniosa e apaziguadora que envolve todos nós e tudo o resto, edifícios, postes de iluminação e árvores incluídas. Enfim, um jogo de luzes e cores que só por si traz um pouco mais de animação à vida “fútil” que por vezes todos sentimos que temos. A noite de Natal também acaba por ser especial, trata-se do momento em que as famílias se reúnem, e outra verdade é que existem famílias de todas as espécies: as mais numerosas, as mais animadas e as mais unidas; mas também as mais problemáticas, as mais desavindas e aquelas famílias com aquela particularidade muito própria de serem constituídas apenas por uma pessoa – também existem. Por todo o mundo são tantas e tão distintas que até parece impossível querer falar delas todas. Parece impossível e até pode parecer uma chatice! Podia perfeitamente sentar-me à mesa e alhear-me por absoluto de tudo, saboreando serena e dedicadamente o bacalhau e o polvo com os meus, regando-o com o vinho que considerar que melhor se adeque à ocasião, e as rabanadas, e as nozes, e o bolo-rei…, enfim, felizmente que sou afortunado o suficiente para conseguir conjugar tudo isto nesta noite tão especial, família incluída! E podia também resumir-me a isso, a desfrutá-lo. A verdade é que as coisas não são assim tão simples. Não vou aqui ser hipócrita, nem procurar ser o exemplo dos exemplos, uma espécie de supra-sumo demagógico ou moralista por excelência, até porque os que o intentam acabam por se revelar, no fim, os mais vazios de conteúdo. Não, não é isso que me seduz e me interessa transmitir. Aproveito apenas o facto de agora ter este espaço de opinião para verbalizar um pouco do que me vai atravessando a alma. É tão difícil de nos satisfazermos com a nossa condição, e ao mesmo tempo, há tantas pessoas no mundo que existem e vão existindo em situações tão penosas que se torna quase ridículo assumir que os problemas que por vezes nos atingem tenham a dimensão que entretanto acabamos por lhe atribuir.
Podia agora escrever uns parágrafos negros onde dissertasse acerca dos flagelos que caracterizam uma grande parte do nosso mundo de hoje, como a guerra, a pobreza, a doença, a morte, e por aí fora…; vou resistir a essa tentação e procurar realizar um artigo sentido, mas com luz, com alguma luz, com a luz possível. Sentimentos positivos devem ser sempre destacados, sem no entanto nunca descurar as amarguras da vida que, a todos, sem excepção, poderão atingir. Não é, todavia, um exercício fácil. Será que toda a gente tem o conhecimento e a consciência de que morre uma pessoa à fome em todo o mundo a cada 3,5 segundos? Chocante. Chocante como a realidade daqueles que vivem na rua postos ao abandono, entregues ao infinito negrume da sua solidão, e ao Frio. Será que toda a gente imagina o que será dormir na rua, sozinho, ao conforto de um qualquer cartão? E o Frio.. um tormento.. um “porquê eu?” constante.. um sofrimento inimaginável. Dói só de pensar. Por isso a maior parte o evita fazer, “nem quero pensar nisso”... até nos atingir a nós. Tal e qual como a morte de um querido, o aparecimento de uma doença letal ou.. Pára lá pá! Já chega. Chega de pensar no que te podia acontecer, naquilo que podias ser, ou na realidade onde poderias viver. Deixa-te disso e goza a vida que tens enquanto efectivamente podes.. mas lá está, não é fácil. Não é fácil mas é possível!
Importa principalmente dar valor ao que se tem: desfrutar da presença de quem gostamos sempre que podemos, dos momentos de tranquilidade, união e paz de espírito, que se tornam cada vez mais raros. Celebrar-se o facto de ter uma família, um lar, saúde, alimento, conforto, emprego, amigos, e também conseguir transportar este sentimento de valorização permanente para o dia-a-dia. Atingindo este patamar de Equilíbrio pessoal e emotivo, acabamos de certa forma por reluzir (e os outros sentem essa “luz”!). Um patamar difícil de atingir mas fundamental para o nosso bem-estar e do de quem nos rodeia. Dar valor ao que se tem é uma atitude que nos fortalece espiritualmente, evitando lamentarmo-nos pelo que não temos ou pelo que aconteceu, e confrontarmos a nossa realidade de uma forma positiva por aquilo que temos ou que nos pode vir a acontecer, tudo numa lógica de Equilíbrio. Importa valorizarmos mais os sentimentos bons como a tolerância, a generosidade, a paciência, a solidariedade, a fraternidade, a gratidão e, acima de todos, o Amor e a Amizade. É também importante desviar-nos na medida do possível de sentimentos nefastos como o ciúme, a tristeza, a inveja, a mágoa e o rancor; a vida é muito curta para nos deixarmos consumir pelo lado negro da natureza humana, comum a todos mas mais saliente e até de forma bem vincada em alguns. É sempre óptimo dirigirmo-nos ao outro imbuídos numa postura harmoniosa e de bem, procurando alcançar o bem-estar pessoal também pela realização do bem-estar dos que nos rodeiam, pois nada haverá de mais gratificante.
Se quem ler este artigo reflectir um bocadinho que seja acerca do que procurei veicular, já me dou por bastante satisfeito, e a minha ambição é apenas essa. Que seja um exercício em comum, pois a minha reflexão é permanente, sabendo de antemão que não consigo, como ninguém consegue, nem conseguirei nunca, como também ninguém conseguirá jamais… racionalizar todas as minhas acções, reacções e formas de estar, tornando-as positivas aos meus olhos e aos de todos. Até porque essa não é a natureza humana. Ninguém consegue ser plenamente feliz, não existe isso! No entanto, resta-nos tentá-lo, persistentemente, sem nunca desistir, e esse esforço só por si já produz muito. Muito mesmo. Não só nestas épocas festivas, mas todas as horas, todos os dias, todos os meses, todos os anos. Enquanto conseguirmos respirar.
Já agora, e também como é característico da altura, gostaria de desejar boas festas a todos, com muita saúde, paz e alegria. Bem hajam!
A época natalícia tem muitas coisas boas, isso é inegável. É um período festivo em que por norma as pessoas andam um bocadinho mais felizes, parece que existe uma aura harmoniosa e apaziguadora que envolve todos nós e tudo o resto, edifícios, postes de iluminação e árvores incluídas. Enfim, um jogo de luzes e cores que só por si traz um pouco mais de animação à vida “fútil” que por vezes todos sentimos que temos. A noite de Natal também acaba por ser especial, trata-se do momento em que as famílias se reúnem, e outra verdade é que existem famílias de todas as espécies: as mais numerosas, as mais animadas e as mais unidas; mas também as mais problemáticas, as mais desavindas e aquelas famílias com aquela particularidade muito própria de serem constituídas apenas por uma pessoa – também existem. Por todo o mundo são tantas e tão distintas que até parece impossível querer falar delas todas. Parece impossível e até pode parecer uma chatice! Podia perfeitamente sentar-me à mesa e alhear-me por absoluto de tudo, saboreando serena e dedicadamente o bacalhau e o polvo com os meus, regando-o com o vinho que considerar que melhor se adeque à ocasião, e as rabanadas, e as nozes, e o bolo-rei…, enfim, felizmente que sou afortunado o suficiente para conseguir conjugar tudo isto nesta noite tão especial, família incluída! E podia também resumir-me a isso, a desfrutá-lo. A verdade é que as coisas não são assim tão simples. Não vou aqui ser hipócrita, nem procurar ser o exemplo dos exemplos, uma espécie de supra-sumo demagógico ou moralista por excelência, até porque os que o intentam acabam por se revelar, no fim, os mais vazios de conteúdo. Não, não é isso que me seduz e me interessa transmitir. Aproveito apenas o facto de agora ter este espaço de opinião para verbalizar um pouco do que me vai atravessando a alma. É tão difícil de nos satisfazermos com a nossa condição, e ao mesmo tempo, há tantas pessoas no mundo que existem e vão existindo em situações tão penosas que se torna quase ridículo assumir que os problemas que por vezes nos atingem tenham a dimensão que entretanto acabamos por lhe atribuir.
Podia agora escrever uns parágrafos negros onde dissertasse acerca dos flagelos que caracterizam uma grande parte do nosso mundo de hoje, como a guerra, a pobreza, a doença, a morte, e por aí fora…; vou resistir a essa tentação e procurar realizar um artigo sentido, mas com luz, com alguma luz, com a luz possível. Sentimentos positivos devem ser sempre destacados, sem no entanto nunca descurar as amarguras da vida que, a todos, sem excepção, poderão atingir. Não é, todavia, um exercício fácil. Será que toda a gente tem o conhecimento e a consciência de que morre uma pessoa à fome em todo o mundo a cada 3,5 segundos? Chocante. Chocante como a realidade daqueles que vivem na rua postos ao abandono, entregues ao infinito negrume da sua solidão, e ao Frio. Será que toda a gente imagina o que será dormir na rua, sozinho, ao conforto de um qualquer cartão? E o Frio.. um tormento.. um “porquê eu?” constante.. um sofrimento inimaginável. Dói só de pensar. Por isso a maior parte o evita fazer, “nem quero pensar nisso”... até nos atingir a nós. Tal e qual como a morte de um querido, o aparecimento de uma doença letal ou.. Pára lá pá! Já chega. Chega de pensar no que te podia acontecer, naquilo que podias ser, ou na realidade onde poderias viver. Deixa-te disso e goza a vida que tens enquanto efectivamente podes.. mas lá está, não é fácil. Não é fácil mas é possível!
Importa principalmente dar valor ao que se tem: desfrutar da presença de quem gostamos sempre que podemos, dos momentos de tranquilidade, união e paz de espírito, que se tornam cada vez mais raros. Celebrar-se o facto de ter uma família, um lar, saúde, alimento, conforto, emprego, amigos, e também conseguir transportar este sentimento de valorização permanente para o dia-a-dia. Atingindo este patamar de Equilíbrio pessoal e emotivo, acabamos de certa forma por reluzir (e os outros sentem essa “luz”!). Um patamar difícil de atingir mas fundamental para o nosso bem-estar e do de quem nos rodeia. Dar valor ao que se tem é uma atitude que nos fortalece espiritualmente, evitando lamentarmo-nos pelo que não temos ou pelo que aconteceu, e confrontarmos a nossa realidade de uma forma positiva por aquilo que temos ou que nos pode vir a acontecer, tudo numa lógica de Equilíbrio. Importa valorizarmos mais os sentimentos bons como a tolerância, a generosidade, a paciência, a solidariedade, a fraternidade, a gratidão e, acima de todos, o Amor e a Amizade. É também importante desviar-nos na medida do possível de sentimentos nefastos como o ciúme, a tristeza, a inveja, a mágoa e o rancor; a vida é muito curta para nos deixarmos consumir pelo lado negro da natureza humana, comum a todos mas mais saliente e até de forma bem vincada em alguns. É sempre óptimo dirigirmo-nos ao outro imbuídos numa postura harmoniosa e de bem, procurando alcançar o bem-estar pessoal também pela realização do bem-estar dos que nos rodeiam, pois nada haverá de mais gratificante.
Se quem ler este artigo reflectir um bocadinho que seja acerca do que procurei veicular, já me dou por bastante satisfeito, e a minha ambição é apenas essa. Que seja um exercício em comum, pois a minha reflexão é permanente, sabendo de antemão que não consigo, como ninguém consegue, nem conseguirei nunca, como também ninguém conseguirá jamais… racionalizar todas as minhas acções, reacções e formas de estar, tornando-as positivas aos meus olhos e aos de todos. Até porque essa não é a natureza humana. Ninguém consegue ser plenamente feliz, não existe isso! No entanto, resta-nos tentá-lo, persistentemente, sem nunca desistir, e esse esforço só por si já produz muito. Muito mesmo. Não só nestas épocas festivas, mas todas as horas, todos os dias, todos os meses, todos os anos. Enquanto conseguirmos respirar.
Já agora, e também como é característico da altura, gostaria de desejar boas festas a todos, com muita saúde, paz e alegria. Bem hajam!