terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Sejam Felizes

Mais um ano que está prestes a terminar e, característico da altura, mais uma série de pensamentos e inquietações percorrem todos sem excepção, do mais ponderado ao mais precipitado. É que isto de viver tem muito que se lhe diga! Passo a explicar: não é que eu seja uma mente transtornada e tumultuosa que tudo problematize, e que não consiga retirar satisfação das coisas mais simples e elementares, porque não sou, mas parece-me extraordinariamente difícil, à luz da minha experiência e das existências circundantes que vou analisando, que se possa ser plenamente feliz e realizado com a vida que efectivamente cada um tem. Pergunto eu: mas porquê? A natureza humana será porventura uma das áreas mais complexas de investigar mas, no meu entender, provavelmente a mais fascinante.

A época natalícia tem muitas coisas boas, isso é inegável. É um período festivo em que por norma as pessoas andam um bocadinho mais felizes, parece que existe uma aura harmoniosa e apaziguadora que envolve todos nós e tudo o resto, edifícios, postes de iluminação e árvores incluídas. Enfim, um jogo de luzes e cores que só por si traz um pouco mais de animação à vida “fútil” que por vezes todos sentimos que temos. A noite de Natal também acaba por ser especial, trata-se do momento em que as famílias se reúnem, e outra verdade é que existem famílias de todas as espécies: as mais numerosas, as mais animadas e as mais unidas; mas também as mais problemáticas, as mais desavindas e aquelas famílias com aquela particularidade muito própria de serem constituídas apenas por uma pessoa – também existem. Por todo o mundo são tantas e tão distintas que até parece impossível querer falar delas todas. Parece impossível e até pode parecer uma chatice! Podia perfeitamente sentar-me à mesa e alhear-me por absoluto de tudo, saboreando serena e dedicadamente o bacalhau e o polvo com os meus, regando-o com o vinho que considerar que melhor se adeque à ocasião, e as rabanadas, e as nozes, e o bolo-rei…, enfim, felizmente que sou afortunado o suficiente para conseguir conjugar tudo isto nesta noite tão especial, família incluída! E podia também resumir-me a isso, a desfrutá-lo. A verdade é que as coisas não são assim tão simples. Não vou aqui ser hipócrita, nem procurar ser o exemplo dos exemplos, uma espécie de supra-sumo demagógico ou moralista por excelência, até porque os que o intentam acabam por se revelar, no fim, os mais vazios de conteúdo. Não, não é isso que me seduz e me interessa transmitir. Aproveito apenas o facto de agora ter este espaço de opinião para verbalizar um pouco do que me vai atravessando a alma. É tão difícil de nos satisfazermos com a nossa condição, e ao mesmo tempo, há tantas pessoas no mundo que existem e vão existindo em situações tão penosas que se torna quase ridículo assumir que os problemas que por vezes nos atingem tenham a dimensão que entretanto acabamos por lhe atribuir.

Podia agora escrever uns parágrafos negros onde dissertasse acerca dos flagelos que caracterizam uma grande parte do nosso mundo de hoje, como a guerra, a pobreza, a doença, a morte, e por aí fora…; vou resistir a essa tentação e procurar realizar um artigo sentido, mas com luz, com alguma luz, com a luz possível. Sentimentos positivos devem ser sempre destacados, sem no entanto nunca descurar as amarguras da vida que, a todos, sem excepção, poderão atingir. Não é, todavia, um exercício fácil. Será que toda a gente tem o conhecimento e a consciência de que morre uma pessoa à fome em todo o mundo a cada 3,5 segundos? Chocante. Chocante como a realidade daqueles que vivem na rua postos ao abandono, entregues ao infinito negrume da sua solidão, e ao Frio. Será que toda a gente imagina o que será dormir na rua, sozinho, ao conforto de um qualquer cartão? E o Frio.. um tormento.. um “porquê eu?” constante.. um sofrimento inimaginável. Dói só de pensar. Por isso a maior parte o evita fazer, “nem quero pensar nisso”... até nos atingir a nós. Tal e qual como a morte de um querido, o aparecimento de uma doença letal ou.. Pára lá pá! Já chega. Chega de pensar no que te podia acontecer, naquilo que podias ser, ou na realidade onde poderias viver. Deixa-te disso e goza a vida que tens enquanto efectivamente podes.. mas lá está, não é fácil. Não é fácil mas é possível!

Importa principalmente dar valor ao que se tem: desfrutar da presença de quem gostamos sempre que podemos, dos momentos de tranquilidade, união e paz de espírito, que se tornam cada vez mais raros. Celebrar-se o facto de ter uma família, um lar, saúde, alimento, conforto, emprego, amigos, e também conseguir transportar este sentimento de valorização permanente para o dia-a-dia. Atingindo este patamar de Equilíbrio pessoal e emotivo, acabamos de certa forma por reluzir (e os outros sentem essa “luz”!). Um patamar difícil de atingir mas fundamental para o nosso bem-estar e do de quem nos rodeia. Dar valor ao que se tem é uma atitude que nos fortalece espiritualmente, evitando lamentarmo-nos pelo que não temos ou pelo que aconteceu, e confrontarmos a nossa realidade de uma forma positiva por aquilo que temos ou que nos pode vir a acontecer, tudo numa lógica de Equilíbrio. Importa valorizarmos mais os sentimentos bons como a tolerância, a generosidade, a paciência, a solidariedade, a fraternidade, a gratidão e, acima de todos, o Amor e a Amizade. É também importante desviar-nos na medida do possível de sentimentos nefastos como o ciúme, a tristeza, a inveja, a mágoa e o rancor; a vida é muito curta para nos deixarmos consumir pelo lado negro da natureza humana, comum a todos mas mais saliente e até de forma bem vincada em alguns. É sempre óptimo dirigirmo-nos ao outro imbuídos numa postura harmoniosa e de bem, procurando alcançar o bem-estar pessoal também pela realização do bem-estar dos que nos rodeiam, pois nada haverá de mais gratificante.

Se quem ler este artigo reflectir um bocadinho que seja acerca do que procurei veicular, já me dou por bastante satisfeito, e a minha ambição é apenas essa. Que seja um exercício em comum, pois a minha reflexão é permanente, sabendo de antemão que não consigo, como ninguém consegue, nem conseguirei nunca, como também ninguém conseguirá jamais… racionalizar todas as minhas acções, reacções e formas de estar, tornando-as positivas aos meus olhos e aos de todos. Até porque essa não é a natureza humana. Ninguém consegue ser plenamente feliz, não existe isso! No entanto, resta-nos tentá-lo, persistentemente, sem nunca desistir, e esse esforço só por si já produz muito. Muito mesmo. Não só nestas épocas festivas, mas todas as horas, todos os dias, todos os meses, todos os anos. Enquanto conseguirmos respirar.

Já agora, e também como é característico da altura, gostaria de desejar boas festas a todos, com muita saúde, paz e alegria. Bem hajam!

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

A União faz a Força

A união faz a força. Parece simples, mas por vezes não é. A vida em sociedade fica mais fácil se entendermos que dependemos uns dos outros para viver melhor. Todos são precisos, todos têm um determinado papel que, melhor ou pior, acabam por cumprir para que tudo funcione, para que as coisas andem para a frente! A mesma linha de pensamento poderá ser tida em conta não apenas pelos membros de uma comunidade específica (pessoas), mas também em relação às comunidades em si (países, por exemplo).

A fundação da União Europeia veio alterar profundamente a forma como os países europeus resolviam os seus problemas antigamente, num passado não tão distante quanto isso. Muito sangue derramado depois, a civilização do velho continente chegou à conclusão que, melhor do que guerrearem-se constantemente, o melhor seria negociarem entre si, algo de impensável até então. Todos “a remar para o mesmo lado” seriam muito mais fortes, e as vantagens dessa união seriam imensas, independentemente de cada membro preservar a sua identidade, como bem ilustra o lema entretanto adoptado, In Varietate Concordia, Unidos na Diversidade. Assim sendo, os estados-membros beneficiam hoje em dia de um mercado livre com uma moeda única, que facilita o comércio e torna-o mais eficiente; a livre circulação de pessoas e bens; a melhoria dos direitos dos trabalhadores; a criação de muitos mais postos de trabalho, e por aí adiante. No entanto, o funcionamento da UE e a sua respectiva esfera de acção tem vindo a adquirir um carácter obsoleto nos tempos mais recentes, as suas competências deixaram de ter o alcance necessário para lidarem com os desafios globais emergentes, como as alterações climáticas ou a recessão económica, até porque o número de países integrantes entretanto também cresceu, logo as exigências também são outras. Impunha-se uma reforma estrutural do organismo, com o objectivo de melhorar o funcionamento do mesmo, o que veio a acontecer com o nascimento de um tratado reformador, o Tratado de Lisboa, que define o novo modelo de organização jurídica e política da UE.

Este importante documento foi assinado no dia 13 de Dezembro de 2007, mas apenas entrou em vigor quase dois anos depois, no dia 1 do corrente mês, após a indispensável ratificação de todos os estados-membros. Em linhas gerais, o tratado tem como principais objectivos tornar a UE mais democrática, eficiente e transparente, permitir que os cidadãos e os parlamentos prestem um contributo mais decisivo para o que se passa a nível europeu e dar à Europa uma voz mais clara e mais forte no mundo, protegendo simultaneamente os interesses de cada nação. No meu entender, esta intencionada nova feição de democracia e abertura está muito bem materializada numa das novidades que o recém-assinado tratado prevê. Trata-se da Nova Iniciativa dos Cidadãos, que permite que estes tenham a possibilidade de enviar uma petição à Comissão Europeia para que esta apresente novas propostas políticas, sendo necessário que reúnam um milhão de assinaturas; o número até poderá aparentar ser elevado, mas perante toda a população europeia e as actuais formas de divulgação e circulação de informação, parece-me uma iniciativa perfeitamente exequível. O tratado em si é extenso e complexo, mas importa acima de tudo sublinhar as vantagens que o tratado traz para o cidadão comum, cuja voz vai mais além e tem outra dimensão no centro das tomadas de decisão. Durão Barroso ilustra-o na perfeição, quando referiu na cerimónia que o Tratado de Lisboa “coloca os cidadãos no centro do projecto europeu”.

Registo com agrado e esperança que o “povo do mundo” seja tido um pouco mais em consideração por quem realmente governa os nossos destinos, aproveitando aqui a deixa para fazer uma ponte para a importantíssima cimeira de Copenhaga, do dia 7 de Dezembro, em que mais uma vez a qualidade do ambiente e a subsequente qualidade de vida dos cidadãos estará em equação, ficando o futuro do planeta nas mãos dos delegados representantes dos 192 países e de um hipotético acordo global. A cientificamente provada insustentabilidade a que a situação chegou terá obrigatoriamente que levar os grandes líderes a chegarem a consensos, sob o risco de hipotecarem até a subsistência da espécie humana dentro de umas centenas de anos, num cenário negro mas não irrealista. Certamente que me debruçarei novamente sobre esta temática tão actual e determinante, neste espaço de opinião, mas aproveito por ora para deixar aqui mais uma preocupada lembrança, a de que o planeta está de facto a aquecer a uma velocidade estonteante, e as alterações climáticas que se vão verificando lançam um sério aviso à população mundial, ou se adoptam medidas drásticas e efectivas para travar esta realidade, numa concertada estratégia global a que nenhum país se poderá alhear, ou estaremos com toda a certeza condenados a assistir ao gradual apodrecimento do nosso habitat e de todas as espécies que nele vivem – nós incluídos.

Que haja esperança na cimeira de Copenhaga, e acima de tudo no bom senso dos seus reputados intervenientes, pois todos juntos serão efectivamente capazes de inverter o anunciado epílogo que toda a negra conjuntura parece projectar. O tempo de agir é agora! Embora esteja pessoalmente confiante num futuro melhor, recentes tomadas de posição e os sempre indissociáveis interesses materiais existentes fazem-me permanecer céptico e expectante, especialmente em relação ao desbloqueio do principal obstáculo a esse tão importante acordo: a forma de financiamento dos mecanismos de redução das emissões de gases estufa e da adaptação dos países em desenvolvimento a esta nova realidade.

A união faz a força. Parece simples, mas por vezes não é.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

2010 rumo à África do Sul!

17 de Novembro de 1993 e 18 de Novembro de 2009. Dezasseis anos e um dia de diferença marcam duas datas com sabores bem distintos para Carlos Queiroz, o seleccionador nacional de futebol. Na primeira, falhou o apuramento para o campeonato mundial dos Estados Unidos com uma derrota frente à Itália, mas na passada quarta-feira conseguiu finalmente atingir a fase final da prestigiada competição, tendo vencido a batalha frente à selecção da Bósnia-Herzegovina, para gáudio de milhões de portugueses, que vão poder ver a sua selecção em confronto com as melhores, já em Junho do próximo ano.

Foi ao minuto 55 que o jogador Raul Meireles providenciou alguma serenidade às hostes lusas, silenciando o público presente em Zenica, em esmagadora maioria afecto à equipa da casa, que tornou o recinto desportivo num autêntico inferno. As condições eram realmente adversas, com os adeptos a demonstrarem a sua fúria logo desde o momento em que o hino nacional foi entoado, assobiando ruidosamente, tal como faziam sempre que um jogador português se apoderava do esférico. Os bósnios já tinham mostrado a sua má conduta na recepção que fizeram à equipa portuguesa no aeroporto, brindando os jogadores com cuspidelas e impropérios vários, tendo ainda no final do encontro arremessado diversos objectos para o relvado, num claro exercício de mau perder. No entanto, quem efectivamente saiu satisfeito do desafio foram os portugueses, com justiça, pois foram melhores no decorrer dos 180 minutos, muito embora tenham sido imensamente felizes no encontro da primeira-mão, com a bola a embater por três vezes nos ferros da baliza do guardião Eduardo, uma sorte que por várias vezes não quis nada connosco no decorrer da fase de qualificação e, diga-se de verdade, também é necessária, como em tudo na vida.

A qualificação foi suada e, como se tem tornado hábito, foi necessário o auxílio da calculadora para traçar os cenários possíveis, pois Portugal chegou a depender de terceiros para garantir a passagem. Queiroz foi visado pelas críticas nos períodos mais difíceis, com alguns adeptos a pedirem inclusivamente o seu despedimento, nos frustrantes rescaldos de maus momentos, como a derrota em casa frente à Dinamarca, ou a copiosa goleada sofrida num encontro particular frente ao Brasil, por 6-2 (!), mas o seleccionador manteve-se ao leme e conseguiu alcançar o grande objectivo traçado, apesar do elevado grau de dificuldade registado. Na hora da celebração, quis “dar os parabéns aos jogadores, mas também agradecer o apoio de quem sempre acreditou …”, revelando também ironia da mais fina para com os numerosos detractores, que prematuramente condenaram a selecção ao fracasso. Enfim, um desabafo implícito do líder de uma equipa que, no momento chave, revelou grande seriedade e competência, mostrando que de facto merecia um lugar entre as 32 melhores.

Milhares de portugueses e luso-descendentes residentes na África do Sul também celebraram efusivamente o sofrido apuramento para o primeiro mundial de sempre em solo africano, tendo assim a oportunidade de apoiar nos estádios locais a equipa de todos nós. No entanto, não foi só alegria e felicidade que a comitiva trouxe na bagagem, pois a vitória frente à Bósnia trouxe também euros, muitos euros! Segundo a Cision, empresa líder no ramo da análise e monitorização de informação, os patrocinadores da selecção portuguesa de futebol deverão arrecadar cerca de 90 milhões de euros, num retorno financeiro bastante expressivo para as marcas que se associaram à equipa, cujos responsáveis devem estar ainda a esfregar as mãos de contentamento pela (difícil) qualificação. A Federação Portuguesa de Futebol vai ainda encaixar 15 milhões de euros, cinco de prémio de presença e dez dos prémios de objectivos dos patrocinadores, apenas para dar mais um exemplo do impacto económico que a participação num evento desta grandiosidade proporciona.

Agora é hora de dar início aos preparativos para a fase final do campeonato. Queiroz vai ter que preparar muito bem os seleccionados portugueses para os desafios que terão lugar no continente africano, entre Junho e Julho de 2010. O sorteio agendado para o próximo dia 4 de Dezembro porá a equipa das quinas num qualquer grupo que será sempre de grande dificuldade, uma vez que os melhores jogadores das melhores selecções estarão todos presentes, sedentos de glória e vitória, no mais ansiado momento em que a nata do futebol mundial se reúne para a celebração do desporto-rei. “O sonho de uma vida”, como referiu o seleccionador, que lembrou ainda que “as maratonas se correm até ao fim”, uma metáfora que alimenta o tal sonho, reforçado ainda pela provável presença do melhor jogador do mundo de 2008 para a FIFA, Cristiano Ronaldo, estranhamente “ausente” no decorrer da qualificação, onde não conseguiu obter qualquer golo. Jogador fantástico que é, com certeza que quererá também estar à altura do seu estatuto, podendo dar um toque de brilho que poderá faltar para que consigamos obter uma grande conquista. O povo português é conhecido pelo amor que nutre pelo futebol, tendo havido sempre “explosões” de nacionalismo cada vez que a selecção atinge a fase final de uma grande competição. Frente a frente estarão sempre 11 contra 11, logo.. tudo é possível!

domingo, 8 de novembro de 2009

A Cidade e a Vila

Realidades há muitas, e bastante diferentes também, mas o que influenciará de facto as pessoas a escolherem o local onde irão querer viver as suas vidas? No fundo, terá a ver com as prioridades de cada um, e com as expectativas que temos em relação ao meio que nos rodeará, o meio onde nos sentiremos melhor. Nem sempre podemos viver onde desejamos, e muitas das vezes essa opção é tomada em função das oportunidades de emprego que temos, mas no essencial todos optam por conciliar as coisas da melhor maneira possível. Uns preferem deslocar-se todos os dias para o trabalho de carro, outros optam por fixar-se na mesma localidade onde diariamente exercem as suas funções profissionais. Enfim, personalidades distintas, expectativas diferentes. Um dos factores mais importantes que caracterizam as sociedades modernas é a aglomeração da população nos grandes centros urbanos. No entanto, recentemente emergiu um fenómeno inverso, o êxodo urbano. O custo e a qualidade de vida têm levado uma grande quantidade da população a deslocar-se no sentido oposto, das cidades para zonas mais interiores e/ou rurais. Partindo da minha própria perspectiva, vou procurar analisar as vantagens e desvantagens de viver numa cidade ou numa vila, por exemplo.

As cidades são o local preferido para muitos, que apreciam a azáfama natural destes grandes centros, onde as oportunidades são outras, temos uma grande concentração de serviços, havendo uma maior quantidade e diversidade de possibilidades de emprego. São óptimas para os típicos consumistas, uma vez que no fundo temos “tudo à mão”: centros comerciais, hipermercados e uma grande oferta de cultura, com concertos, museus e exposições de todas as espécies. Mas será tudo um mar de rosas? Não me parece! As pessoas que vivem na cidade estão sujeitas a um maior stress, fruto de uma rotina mais rígida, que gera automatismos indesejados. Observando a cidade à distância, quase que podemos analisar o movimento e comportamento das pessoas estabelecendo uma comparação com grandes grupos de uma qualquer espécie animal, pela mecanização, havendo menos destaque à expressão individual. Há mais poluição, que resulta em menos saúde, e muito mais trânsito, logo muito mais tempo perdido nas filas. Há quem perca horas e horas de vida enfiado num carro em engarrafamentos diários! Temos ainda mais criminalidade, e mais assimetrias sociais, vêem-se as pessoas mais ricas lado a lado com as pessoas mais pobres, sendo que a (provável) solidariedade que deveria existir com esta interacção e proximidade é substituída por outro valor, a indiferença. A impessoalidade é quase total, ninguém conhece ninguém.

Partindo da perspectiva do crescimento de uma criança, nos meios mais pequenos ainda se vêem miúdos a jogar à bola, e a andarem juntos de bicicleta; nos grandes centros urbanos estes passam os dias entre a escola e o apartamento, onde jogam nas consolas e navegam na internet. Os pais acabam por ter muito menos tempo para elas, e quando têm normalmente vão para o centro comercial, ou locais semelhantes, sendo recorrente haver crianças que nunca viram como crescem os legumes na horta, ou como vivem os animais numa quinta, por exemplo. É sempre uma análise relativa, mas parece-me que uma criança terá muito mais facilidade em evoluir positivamente num sítio mais calmo e mais ligado à Natureza, menos exposto à marginalidade, com os pais a terem por norma mais tempo para os filhos.

Se considerarmos que qualidade de vida é respirarmos um ar mais puro, termos uma vida mais tranquila, com muito menos stress provocado pelo trânsito e pelas movimentações das massas, por norma agitadas e impacientes, sempre a correr de um lado para o outro para cumprir horários, num contínuo alvoroço, então a melhor opção não será, com certeza, viver numa cidade. Numa vila, por exemplo, temos outro espírito de comunidade, mais pessoal, as pessoas conhecem-se e cumprimentam-se na rua, o que também tem o seu lado negativo para os mais reservados, com a perda do anonimato perde-se também alguma privacidade, como é lógico. Há uma menor concentração de serviços, menos disponibilidade na assistência médica e uma quantidade e diversidade de postos de trabalho mais reduzida.

No entanto, o outro lado da balança pesa mais, na minha óptica. Um local mais tranquilo propicia mais facilmente uma vida mais tranquila. Há outra segurança, e as paisagens são mais naturais, menos alteradas pela mão do Homem, o que vai sendo cada vez mais raro. São locais com um custo de vida mais acessível, e com outra facilidade para a fixação, com terrenos e casas mais baratos, normalmente com impostos mais leves e, em alguns casos, até isenção de taxas de construção de habitação própria, para os casais mais jovens. Estes poderão ainda encontrar um bom ambiente para a educação e sociabilização dos seus filhos, por certo diferente do verificado nas grandes cidades.

Por tudo isto e muito mais, escolhi Mortágua para viver. A proximidade da família e dos amigos também influencia, os laços criados têm obviamente o seu peso, e o que é certo é que aqui se reúnem todas as possibilidades para ter óptimas condições de vida, uma vila dotada de todos os equipamentos necessários e com grande presença da Natureza, e todos os benefícios que dela advêm.

O ser humano é um ser permanentemente insatisfeito, sempre em busca da sua realização, tão difícil de alcançar. Além disso, como todos dizem, a vida é curta, pelo que importa estar com quem gostamos, e onde nos sentimos melhor.

Por tudo isto e muito mais, escolhi Mortágua para viver.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Saramago e a Liberdade de Expressão

Foi no passado dia 18 de Outubro que ocorreu a apresentação mundial do último livro publicado pelo Nobel da Literatura José Saramago, no Museu Municipal de Penafiel, perante uma assistência de cerca de 800 pessoas. No decorrer da cerimónia do lançamento de Caim, Saramago afirmou que a escrita do livro constituiu, para si, “um exercício de liberdade”. O impacto que a obra e as declarações do seu autor geraram na sociedade, com a agitação e indignação do episcopado e da comunidade cristã em geral, levaram-me a dissertar, despretensiosamente, acerca da religião e do ateísmo, procurando correlacioná-los com os conceitos de pluralismo ideológico e liberdade de expressão.

Saramago terá sido, de facto, polémico, verdadeiramente polémico ao expressar, sem quaisquer tipo de reservas ou subterfúgios, o que de facto lhe ia na alma e no pensamento. Elogio-lhe a coragem por ousar questionar a divindade e todos os seus preceitos estabelecidos pelos homens, sempre intocáveis em todas as culturas e civilizações durante inúmeras gerações. No meu entender, Saramago não atacou os católicos, mas sim a bíblia, uma obra literária redigida por dezenas de gerações durante muitos anos, de feição moralista e manipuladora. Afirma o Nobel que “a bíblia é um manual de maus costumes, um catálogo de crueldade e do pior da natureza humana”, diz até que “… sobre o livro sagrado eu costumo dizer: lê a bíblia e perde a fé!”. São, de facto, fortes e contundentes as declarações de Saramago, caracterizadas pelo episcopado como uma “operação publicitária”, com o intuito de atrair a atenção para o lançamento do seu livro e, dessa forma, promovê-lo. Não digo que o autor não tenha previsto esta agitação e consequente repúdio, por parte de um estrato da sociedade, podendo hipoteticamente beneficiar (ou não!) com o devido mediatismo que o assunto sempre geraria, mas parece-me indevido que o crucifiquem por dizer o que pensa, apenas isso. Saramago procura acreditar no que vê e sente, não pretende ser enganado por um qualquer manifesto escrito por pessoas, pretensiosamente de inspiração divina. Não me parece de todo censurável essa posição. Partilho-a, até.

Perdoem-me que cite novamente Saramago, mas considero esta observação a propósito de uma passagem da bíblia absolutamente deliciosa: “… depois, decidiu criar o Universo, não se sabe porquê, nem para quê. Fê-lo em seis dias, apenas seis dias, e descansou ao sétimo. Até hoje! Nunca mais fez nada! Isto tem algum sentido?” Pois é caro Saramago, não faz, de facto, sentido algum. Torna-se irónico, e até revoltante por vezes, assistir ao desmesurado e irracional culto das massas a um Deus, quase como se de uma necessidade se tratasse, a necessidade de ter fé em algo, ou alguém, que se acredita purificador, divino e superior. Algo ou alguém cujo mandamento divino é ecoado pelas igrejas, e pelas suas estratégias evangelizadoras, incentivando os seus fiéis a anunciarem o seu credo a todas as massas, numa espécie de imperialismo ideológico de feição religiosa.

Vejamos a posição defendida por Mário David, um eurodeputado social-democrata, cujas palavras revelam uma intolerância atroz e despudorada, qualificando as declarações de Saramago como “imbecilidades e impropérios”. David entende que o escritor possa estar de certa forma deslumbrado com o Nobel que lhe foi outorgado, não lhe conferindo nem estatuto nem autoridade para poder dizer o que pensa sobre o livro sagrado, suposto veículo de valores que Saramago desconhecerá mas que “definem as pessoas de bom carácter”. Sr. Mário David, com a mesma intolerância com que atacou as palavras do Nobel da Literatura, respondo eu ao seu apelo para que o escritor renuncie à cidadania portuguesa, inspirando-me até na sua própria expressão, proveniente de um ilustre e idóneo membro do Parlamento Europeu, supostamente em defesa e ao serviço de todos os portugueses: tenho vergonha de o ter como compatriota!

Importa acima de tudo sublinhar o valor da liberdade de expressão, sendo que todos têm o direito de exprimir e divulgar a sua posição sobre o que quer que seja, um direito conferido pela República Portuguesa, um Estado de direito democrático, direito esse claramente expresso na Constituição. O direito de manifestar livremente opiniões, ideias e pensamentos, um conceito basilar nas democracias modernas, pretensa e supostamente despojadas de qualquer tipo de actividade censória. E é exactamente o que o meu presente manifesto procura defender: essa mesma liberdade!

Pergunta Saramago: “Deus só poderá existir na cabeça das pessoas, já alguém o viu de facto?” Facilmente esboço uma resposta: Eu não! Respeito e valorizo alguns ideais dos católicos, de paz e solidariedade entre as pessoas, mas sempre de um ponto de vista humano e real, nunca através do sagrado, do metafísico. Independentemente dessa mesma consideração que possa ter pela crença e pelos crentes, nunca deixo de me interrogar sempre que assisto a enormes desastres e tragédias humanas, como, e apenas a título de exemplo, as 300mil pessoas desaparecidas no tsunami asiático, homens, mulheres e crianças. Onde estava Deus?

Ateísmo é a posição filosófica que compreende que não existem deuses. Partilho-a. Acredito nas pessoas, no real, no meio que me rodeia. Toda a minha vivência e permanente reflexão me direccionam para a negação do metafísico, e do culto da crença no divino. São inúmeros e recorrentes os episódios que alimentam esta minha conduta, e forma de estar na vida, mas não a considero como uma verdade absoluta, impassível de ser posta em causa, ou mesmo revista. Até porque respeito imenso quem pensa de outra forma, quem se sustenta na sua fé para procurar e conseguir alcançar a felicidade e a realização nas suas próprias existências. Porque para mim o verdadeiramente importante será isso mesmo, essa felicidade, em consciência com a fragilidade, fugacidade e transitoriedade das nossas existências, feições que poderão facilmente desencantar o mais crente, como o mais céptico. Cada um de nós constrói a sua passagem por este mundo, à sua maneira, em consciência consigo mesmo. A unicidade do ser humano leva-me a seguir, a enaltecer e a elevar o mais nobre dos valores em relação a esta matéria, independentemente da minha posição perante ela, que vale o que vale. O Respeito.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Os Ideais Republicanos

É já em 2010 que vamos poder celebrar o centenário da Implantação da República, um dos momentos mais importantes de toda a nossa História, desde a formação do Condado Portucalense até aos dias de hoje. O acontecimento foi extraordinariamente relevante, uma vez que se assistiu a uma reforma total do modelo de governação de Portugal, a passagem de um regime monárquico para um regime republicano. Como assistimos à 99ª celebração da respectiva data no passado dia 5 de Outubro, pareceu-me pertinente relembrar os factos que a motivaram, que muitos de nós poderão ignorar, e reflectir acerca dos grandes ideais da República, em torno dos conceitos de democracia e da livre cidadania.

Aproximava-se o final do século XIX, e o descontentamento da população não parava de crescer. A contestação ao reinado de D. Carlos I subia de tom, na medida em que, para pagar as obras públicas, contraíam-se dívidas externas, aumentavam-se os impostos, medidas que originaram uma natural subida do custo de vida. Além disso, por esta altura, já eram inúmeros aqueles que começaram a pensar que a monarquia poderia não se constituir como a melhor forma de governar o país, logo tinha que ser derrubada, uma vez que, ao fim e ao cabo, o rei governava a sua vida toda e, quando este perecia, era o filho mais velho, príncipe, que ocupava o seu lugar. Enfim, uma visão absolutamente radical e revolucionária à data, mas perfeitamente racional à luz da democracia dos nossos dias, e da sua principal prerrogativa de igualdade de oportunidades para todos os cidadãos. Este pensamento, aliado ao facto de os ricos se tornarem cada vez mais ricos, e os pobres cada vez mais pobres, avolumando desta forma as assimetrias sociais, gerou uma situação política e económica insustentável. Para o povo, importava acima de tudo terminar a governação azul e dar início ao ressurgimento da esperança, daí a Revolta.

A Revolução Republicana iniciou-se em Lisboa na madrugada de 4 de Outubro. Grupos de cidadãos portugueses, partidários de um sistema de governo republicano, e organizados militarmente por membros da Marinha e do Exército, iniciaram o movimento que acabou por conseguir acabar com a monarquia e instaurar a República, à semelhança do que vinha a acontecer noutros países da Europa. Durante a tarde do dia 5 era então proclamada a República em Portugal, nas varandas da Câmara Municipal, um acontecimento que, pela sua importância, foi perpetuado como um dia feriado de ora em diante. Crescia na população o desejo pela afirmação da liberdade e da cidadania, e pelo combate à pobreza e às desigualdades. Mas estarão estes ideais republicanos ainda bem presentes nos dias que correm, que se pretendem de democracia (e não asfixia..)?

Parafraseando Cavaco Silva, nas últimas cerimónias do 5 de Outubro, a República que agora se comemora é uma “República de cidadãos livres e iguais, que merecem o respeito dos governantes”. Diz o Presidente que não podem existir “barreiras artificiais” entre o poder e o povo. Corroboro e sublinho. Estou em crer que todas e quaisquer manobras ocultas, como por exemplo o tráfico de influências e a corrupção, tão patentes na sociedade contemporânea, não se coadunam com os mais elementares princípios da República e da Democracia, afinal parentes próximos. Parece-me importante caminharmos para uma maior modernização, e uma maior eficiência, aliadas a uma melhor democracia. Ao povo o que é dele, daí exortar a uma maior participação na vida cívica, seja ela de que natureza for, pois é um dever de todos nós, fazer parte. A cidadania é um exercício, não apenas um mero estatuto. Se procurarmos lutar por uma sociedade melhor, com optimismo, com certeza que mais facilmente melhoraremos o que é de todos, ao invés de nos deixarmos envolver no letárgico efeito bola de neve que o pessimismo alimenta. Quero pensar desta maneira, quero acreditar que é possível contribuir para um futuro de progresso e de transparência, com vontade, dedicação e a participação de todos. Daí o alerta. É que parece-me que isto do desanimar e do estagnar, ou até do querer destruir por destruir.. pega-se!

O Dever do Exercício de Voto

Aproximam-se tempos decisivos no que toca à governação do nosso país, sendo que o povo português vai ser chamado a fazer valer a sua opinião em dois momentos distintos: as eleições legislativas e as eleições autárquicas. As primeiras estão marcadas para o próximo dia 27, onde se vão eleger os membros que vão constituir a próxima Assembleia da República, e as segundas vão decorrer duas semanas depois, no dia 11 de Outubro, data importantíssima para que o eleitorado manifeste mais uma vez a sua preferência relativamente à gestão do poder local. Em ambas o povo é soberano!

É um facto que todos, sem excepção, somos membros de uma determinada comunidade, onde exercemos um determinado papel. Todos somos importantes, todos precisamos uns dos outros e, seja ela qual for, todos temos uma opinião. É da maior relevância sublinhar este aspecto, que por vezes parece passar ao lado da sociedade portuguesa: vivemos em comunidade, logo podemos e devemos ter uma posição no funcionamento e evolução da mesma.

No último momento de decisão a que o povo português foi sujeito, já este ano, nas eleições para o parlamento europeu, a análise fria dos números é reveladora, e ao mesmo tempo constrangedora: 3.554.931 eleitores votaram, sendo que 5.934.346 se abstiveram! Por vezes parece que não damos o devido valor à política, e ignoramos o que de facto está em jogo em cada eleição, que é muito! Há os que dizem que “os políticos são todos iguais”, outros que dizem que “não tenho tempo para ir votar” e ainda temos aqueles que não vão votar porque acham que não vão fazer a diferença, “é só um voto, para quê ralar-me?”.

Caríssimos leitores, não julgo que necessitemos de ser analistas políticos para termos uma opinião própria, basta andarmos minimamente atentos à conduta, comportamento e postura de quem faz governo e de quem faz oposição, a todos os níveis, para podermos formular o nosso próprio juízo. A juntar a esta percepção, que até o eleitor mais distraído terá, basta apenas adicionar à equação a filosofia que cada um tem perante a sociedade e a vida para podermos finalmente concretizar o nosso próprio manifesto individual – a nossa preferência de voto.

Nos tempos que correm, o acesso à informação é cada vez mais vasto, logo temos cada vez mais meios para podermos reunir todos os elementos necessários para decidir em quem votar. A paupérrima participação no último sufrágio leva-nos obrigatoriamente a reflectir, pois não será com certeza assim que poderemos construir uma sociedade participativa e, efectivamente, uma sociedade de todos e para todos, não somente de alguns indivíduos para os restantes. Se queremos um regime de governo onde o poder de tomar importantes decisões políticas está com o povo, a tal e tão apregoada democracia, teremos sempre que cumprir com o mais elementar dever enquanto cidadãos, o exercício de voto. A expressão individual do simples eleitor é sempre determinante para definir a tendência da grande mancha que revela a vontade de todo o eleitorado. Basta recuar umas dezenas de anos atrás, não muitas, e recordar tempos de censura, quando o povo tanto queria mas não tinha voz, para valorizar ainda mais o estatuto decisório que é conferido à população nos dias de hoje.

Nunca é demais lembrar que votar é um direito, mas simultaneamente um dever. Sejamos então, povo, soberanos em relação ao nosso futuro. O voto de cada um é fundamental.

Regresso às Aulas

Os tempos que correm são de regresso às aulas, da parte de uma grande franja da população, os alunos. É pena, pensarão alguns, mas o facto é que as férias acabaram.

Serão apenas os alunos que voltam à “vida normal”, de ter um horário para cumprir, lições para aprender, deveres da escola para fazer e tempos livres para gozar? Não, trata-se de uma espécie de fenómeno que acontece todos os anos pelo mês de Setembro, quando alunos, pais, professores e todos os agentes educativos dão início a uma nova fase do ano, finda a interrupção das chamadas “férias grandes”. Agora importa readquirir o ritmo, preparar as rotinas do despertar e da ida para a escola, numa missão partilhada por pais e filhos, que nem sempre têm todas a possibilidades de poder conjugar toda esta parafernália de afazeres de uma forma harmoniosa.

Claro está que uns são mais empenhados do que outros, mas estou certo de que pai algum poderá, propositada e conscientemente, não querer o melhor para um filho, ou negar-lhe a possibilidade de prosseguir a sua caminhada nesta fase tão importante da sua vida, a Escola. O problema que se coloca é que nem todos terão essa possibilidade, daí que se devam sublinhar e enaltecer todas as iniciativas que poderão contribuir para uma maior equidade nas condições acessíveis à generalidade dos alunos, tanto os provenientes das famílias abastadas como também os das famílias mais humildes.

O drama começa no momento em que os manuais escolares devem ser adquiridos, uma despesa pouco expressiva para a bolsa de alguns, é um facto, mas incomportável para aqueles que travam uma luta permanente para conseguirem ter pão e leite na despensa de casa, ou mesmo para poder providenciar pelo menos uma refeição quente diária para si e para os seus. Neste sentido, poderia adoptar-se uma política de estabilidade e de empréstimo, a qual, não sendo uma solução propriamente inovadora, nunca foi efectivamente posta em prática. Lembro-me de estabilidade quando vejo que de ano para ano a grande maioria dos manuais escolares estão sempre a mudar, muitas das vezes com poucas alterações no conteúdo em si, mas com vistosas alterações na forma, logo todos os anos é a correria do costume para comprar os livros “novos”, quando os “antigos” poderiam perfeitamente passar de mão em mão, numa perspectiva de conservação e reutilização. Que grande ajuda já seria para numerosas famílias numerosas que por esta altura tantas dificuldades passam para poderem continuar a ter os filhos a estudar!

Pretende-se aumentar a escolaridade obrigatória e apostar na educação de forma a potenciar gerações futuras mais qualificadas, mas importa dar iguais possibilidades às crianças e aos jovens dos diferentes estratos sociais, pois só aí poderemos de facto falar de uma escola inclusiva, uma escola para todos. Pondo por agora os problemas e as eventuais soluções de parte, o que é certo é que o novo ano lectivo está aí à porta, com novas expectativas e novos anseios, naturalmente. Na minha rica terra temos algumas novidades infra-estruturais, como a profunda requalificação da Escola Básica 2/3, que em breve estará concluída, e a construção do Centro Educativo, este só disponível para entrar em funcionamento a partir do ano lectivo 2010/2011. Óptimo! Saúdem-se todas as iniciativas que visem proporcionar melhores condições de trabalho para todos os agentes educativos. Acreditar e perseguir um futuro melhor implica desde já investir no presente. A Educação sempre foi o motor da civilização, dela advém a nossa constante evolução técnica, científica e cultural. Apostemos forte nela então!