Este contributo para os programas eleitorais das Autárquicas deste ano surge
essencialmente como um desígnio cívico pessoal e visa sobretudo algumas áreas específicas
em que considero ser possível melhorar imenso, tanto a nível do funcionamento
da própria Autarquia de Mortágua como ainda, e sobretudo, em relação à
qualidade de vida dos cidadãos Mortaguenses e da respectiva comunidade, em
geral. Quando fazemos propostas e lançamos sugestões desta natureza, devemos
ter em consideração uma análise prévia à realidade do Concelho, onde se
identifiquem as respectivas virtudes e debilidades, procurando de seguida
reflectir sobre a melhor forma de alimentar as primeiras e de suprimir as
segundas. Saber de onde vimos e em que patamar estamos para de seguida podermos
apontar ao cenário onde ambicionamos passar a estar - foi precisamente este o
exercício a que me propus. No meu entendimento, a prioridade das prioridades de
Mortágua, para os próximos anos, é a urgente inversão da decadência demográfica
em que estamos mergulhados, à semelhança da esmagadora maioria dos Municípios
do Interior, cada vez mais envelhecidos e desertificados. Os recentes resultados
dos Censos deste ano mostram-nos uma realidade cada vez mais problemática e
difícil, que apresenta uma dinâmica crescente que é preciso contrariar e
combater no imediato, com criatividade e um conjunto de medidas arrojadas, incisivas
e concretas. Neste documento aberto apresento algumas, mas com certeza que mais
possibilidades haverão, pelo que as deixo sobretudo à análise e reflexão geral dos
candidatos e também de todos os munícipes, no sentido de que seja possível
gerar um think-tank conjunto que permita contribuir para o atenuar deste
autêntico drama que periga e de que maneira o nosso futuro colectivo. Na minha
opinião, só uma resposta integrada a este dilema poderá ter possibilidades de
sucesso, e esta deverá incidir no reforço das políticas dirigidas à fixação de
trabalhadores, num forte e inédito estímulo à imigração e também numa firme
aposta na sustentabilidade ecológica, ambiental e no turismo de natureza como
um dos vectores fundamentais do nosso desenvolvimento económico, através da
animação dos respectivos sectores que a este estão associados. O futuro de
Mortágua que proponho e ambiciono é claramente “green friendly”, profundamente inclusivo
e manifestamente multiétnico, sem qualquer espécie de preconceito em relação às
dinâmicas demográficas que o processo de globalização em curso vai proporcionando,
nomeadamente em relação ao fenómeno do êxodo urbano, cada vez mais em voga um
pouco por toda a Europa (… e não só), onde a migração interna dos seus cidadãos
tem aumentado exponencialmente, de ano para ano. São estas tendências emergentes
que devemos ser capazes de capitalizar para ultrapassar esta adversidade gigantesca.
Este é o desafio dos desafios para os próximos tempos.
Recordo que este contributo é aberto e pretende sobretudo apelar à
reflexão e posterior discussão construtiva entre todos. Não é nem poderia nunca
ser uma proposta completa de programa eleitoral, até porque parte somente da
perspectiva de um indivíduo só, e não do trabalho de uma específica equipa reunida
para esse efeito. Resolvi organizar o documento em separadores que dizem
respeito aos seguintes temas: Aposta
no Turismo de Natureza e no Turismo Rural; A Importância da Imigração - Fixação de Famílias Estrangeiras; Fixação
de Trabalhadores; Transparência
e Proximidade; Captação
de Investimento Nacional e Estrangeiro; A Água; Cultura e Eventos; Património e o Centro Histórico da
Vila de Mortágua; Educação,
Envelhecimento Activo, Saúde e Desporto; Floresta e Agricultura; Ambiente e
Salubridade; Direitos
dos Animais.
Aposta no Turismo de Natureza e no Turismo Rural
A aposta nesta área é fundamental e deverá ser
integrada porque se trata de um sector de importância transversal para o
desenvolvimento de muitos outros. Acredito piamente que o progresso humano e
económico de Mortágua se deverá nortear também em torno do Turismo de Natureza
e não apenas no foco absoluto no processo de industrialização em curso no
Concelho, que creio estar já suficientemente consolidado para podermos lançar o
olhar para outros horizontes não menos importantes. Assim sendo, proponho que
se trabalhe,
recupere e revitalize a imagem do
Município, refundando-a e dando início a ambiciosas campanhas de marketing no
sentido de promover Mortágua, em articulação com um novo gabinete
técnico especializado na captação de investimento nacional e estrangeiro e
ainda com uma eficiente promoção conjunta do nosso Turismo de Natureza. Devemos
modernizar a nossa estratégia
turística, adaptando-a à nova imagem do Município e revendo as prioridades das
respostas que actualmente existem. Para isso torna-se também necessário renovar
o próprio Posto de Turismo, aumentando os seus meios e a sua ambição de chegar
mais longe e a mais pessoas.
Mortágua é um Concelho particularmente rico em
recursos hídricos, pelo que o seu aproveitamento é, ou pelo menos deveria ser,
um imperativo natural. Esta privilegiada realidade de que dispomos leva-me a
apresentar algumas sugestões. Creio que a construção do percurso pedestre entre
o Barril e Vale de Açores foi de tal forma positiva para a qualidade de vida
dos Munícipes que faria todo o sentido estendê-lo até Caparrosinha. Em
articulação com o recentemente criado trilho das várzeas, passaríamos a dispor
de uma rede de percursos fantástica, dado que estamos a falar de galerias
ripícolas dotadas de uma beleza imensa, que podiam e deviam ser melhor
valorizadas por uma estrutura deste tipo. À semelhança do que já existe,
prolongava-se o trajecto em trilho natural, sem passadiços ambientalmente
invasivos, mas com circuitos de manutenção que favoreçam uma prática desportiva
que é fundamental para a saúde e o bem-estar dos Mortaguenses, além de se gerar
mais um ponto de interesse turístico de grande relevo e importância. Seria
também desejável que todo o percurso fosse dotado de painéis informativos sobre
a flora e a fauna circundantes, além de recorrentes sensibilizações para a
necessidade de preservação do espaço, relacionada com uma preocupação ambiental
que importa incutir a todos os utilizadores, sem excepção,
corresponsabilizando-os pela limpeza e higiene de todo o itinerário. A
possibilidade de se realizar um investimento de grande envergadura na zona do
Parque Verde deve ser objecto de reflexão geral, na minha opinião. Tenho em
mente e a título de exemplo dois locais lindíssimos que poderão servir de
inspiração para que possamos desenhar o nosso próprio esboço, distinto dos
demais: a Praia Fluvial do Vimieiro no Rio Alva, em Penacova, e a Praia Fluvial
da Senhora da Piedade, na Lousã, onde foi necessário fazer o controlo do caudal
do rio para edificar uma belíssima piscina natural. Um bom projecto para esta
zona só o será com águas límpidas e aprazíveis, como é evidente, pelo que é
necessário ter em consideração uma reconversão ou uma melhoria substancial das
ETAR, que estão manifestamente obsoletas. Bato-me por isto há imenso tempo dado
que até é um contrassenso desperdiçar ou maltratar recursos hídricos tão
valiosos como aqueles de que dispomos, e que tomara muitos outros Concelhos
terem. Com arrojo, engenho e alguma criatividade política, um equipamento deste
género poderá ter um potencial tremendo para todos nós. Sou claramente da
opinião que Mortágua deverá progressivamente tornar-se num Concelho cada vez
mais “green friendly” (não confundir com a mancha florestal de monocultura que
hoje conhecemos), que aposte na biodiversidade, na responsabilidade ecológica e
no turismo de natureza como um dos pilares da nossa economia futura. Temos
todas as condições para isso. A área de serviço de autocaravanas recentemente
construída está a ser um sucesso e encontra-se muito bem situada para quem
quiser dispor destas maravilhas naturais, não esquecendo o percurso das
Cascatas das Paredes e o Trilho dos Moinhos, na Ribeira da Fraga, Vila Moinhos,
ambos de inusitada e singular beleza. Construir uma ligação viária digna até ao
Valongo e incentivar a criação de uma associação de desportos náuticos na
Albufeira da Barragem, com óbvia ligação às novas ambições do Posto de Turismo,
poderá ser outra das medidas a ter em consideração, dado que a degradação de um
espaço com tanto potencial é deprimente e, acima de tudo, um enorme
desperdício.
Esta aposta em específicos pontos de interesse
turísticos relacionados com a Natureza também ajudam a potenciar outras
actividades económicas, como a restauração e o turismo rural, que também pode e
deve ser desenvolvido, tirando partido do fenómeno do êxodo urbano que se
encontra em crescente expansão. Temos inclusivamente no Concelho alguns
exemplos de AL (alojamento local) de sucesso, por norma habitações rústicas que
são recuperadas e requalificadas em locais de grande relevância natural e que
são essencialmente divulgadas e procuradas pela tranquilidade imensa que
proporcionam a quem os visita. O interesse turístico internacional no Interior
Português tem aumentado significativamente nos últimos tempos, pelo que esta
propensão deverá ser aproveitada, principalmente quando há ferramentas que
auxiliam e de que maneira essa divulgação, como algumas aplicações móveis de
publicidade e pesquisa que têm uma projecção e popularidade estrondosas. Basta
querer. Basta ter essa vontade. Precisamos com urgência de enveredar por um
caminho que nos faça depender menos do ponto de vista económico de uma
exploração florestal que é manifestamente cada vez mais exaustiva. Ambiente,
Equilíbrio e Consciência. O Futuro passa por isto.
Promover um
novo Turismo de Natureza de qualidade deve também passar pela articulação dos
novos percursos pedestres com novas Ecopistas. Desse modo, e dadas as
favoráveis condições naturais de que dispomos, além da forte tradição na
modalidade, proponho a criação de vários traçados de Ecopistas de BTT no
Concelho, começando desde logo por estabelecer uma ligação à já existente
Ecopista do Dão, para além da construção de outras, como, por exemplo, uma
eventual Ecopista da Aguieira. Neste sentido, é sempre determinante auscultar pessoal
especializado com o objectivo de aferir quais serão os melhores troços para
construir este tipo de equipamentos, que deverão ser de iniciativa e
financiamento municipal.
Por outro lado, o Alojamento Local (AL) é um sector
económico que se encontra em franca expansão a nível nacional e internacional. Já temos inclusivamente no Concelho alguns
exemplos de AL com sucesso, por norma habitações rústicas que são recuperadas e
requalificadas em locais de grande interesse natural e que são essencialmente
divulgadas e procuradas pela tranquilidade imensa que proporcionam a quem os
visita. O interesse turístico internacional no Interior Português tem aumentado
significativamente nos últimos tempos, pelo que esta vocação deverá ser capitalizada,
tirando partido das novas ferramentas que auxiliam e de que maneira essa
divulgação, como as aplicações móveis e gratuitas de publicidade e pesquisa que
atrás referi. Sugiro que se estudem e avaliem formas de incentivo que possam
ser potencialmente eficazes, tal como se podem promover sessões de
esclarecimento que levem directamente esta informação às pessoas, no sentido de
as estimular à exploração este ramo de negócio. Como é evidente, a
atractividade turística do Concelho de Mortágua é fundamental, pelo que importa
investir decididamente no Turismo de Natureza que colocamos ao dispor de quem
nos pretende visitar. As possibilidades são muito vastas, e se em abono da
verdade já temos bastantes visitantes com a pouca promoção e os poucos
equipamentos que temos, imaginemos como seria se houvesse uma aposta firme
nessa direcção. No fundo, creio que temos a obrigação de potenciar todas estas maravilhosas
e naturais virtudes de que dispomos.
A importância da Imigração - Fixação
de Famílias Estrangeiras
É urgente combater o abandono e a desertificação das
nossas aldeias, para além do crescente envelhecimento da população, pelo que
existem tendências migratórias reais que podiam e deviam ser potenciadas,
especialmente tendo em conta a realidade global em que hoje vivemos. Existem
famílias-modelo de novos Mortaguenses que são verdadeiros casos de sucesso na
adaptação ao nosso Concelho, cujos testemunhos poderão e deverão ser
aproveitados para sensibilizar mais estrangeiros a fixarem-se cá também. Em Mortágua, temos aldeias que permitem um
contacto imensamente privilegiado com a Natureza, perfeito para quem pretende
sair da poluição e da azáfama dos grandes centros urbanos. Além disso, também
temos na generalidade preços muito competitivos e políticas sociais de grande
qualidade no apoio à Família. Proponho a
realização de campanhas publicitárias além-fronteiras, através de vídeos
promocionais concebidos por técnicos locais, que divulguem com bom marketing todas
estas mais-valias. Para favorecer essa ideia, proporia também outro tipo de incentivos
mais concretos, como a isenção de taxas na reconstrução de casas devolutas e
uma espécie de apoio à fixação semelhante ao que já existe para a natalidade, de
forma a cobrir as despesas com crianças até aos 10 anos de idade, até um limite
de 2000€ e realizadas especificamente nos estabelecimentos locais. Simples e
potencialmente muito eficaz no combate ao abandono e à desertificação das
nossas aldeias, que desse impulso estão dramaticamente necessitadas. Tendências modernas de uma globalização latente
que podemos e devemos saber capitalizar. Sem preconceitos. Sem medo!
Fixação de Trabalhadores
A fixação dos trabalhadores das nossas empresas em Mortágua deverá ser
uma prioridade dos nossos representantes, no sentido de contribuir para travar envelhecimento
acentuado da nossa população, como se tem verificado nos últimos anos de forma
crescente. Deste modo, proponho a atribuição em forma de incentivo de uma bolsa
de fixação no valor de 1000€ para trabalhadores de empresas locais que alterem
a residência fiscal para Mortágua, com comprovativo de residência de pelo menos
um ano, incentivando ainda essa fixação durante o ano seguinte com a duplicação
do subsídio de refeição auferido pelo trabalhador em forma de voucher ou
cartão, a descontar nos estabelecimentos locais. Lanço apenas a sugestão de
forma mais básica, pois entendo que a medida deve ser objecto de análise e reflexão
por indivíduos tecnicamente habilitados para o efeito, no sentido de ser
aperfeiçoada e completada por outros critérios que devem ser estudados e
concebidos, sempre com o objectivo de a tornarem o mais eficaz possível.
Transparência e Proximidade
Na sociedade contemporânea, creio que o
favorecimento do fluxo de informação entre a Autarquia e os Munícipes é
extraordinariamente importante, até porque, dada a presente realidade, de
descrédito dos representantes e do consequente afastamento dos representados, é
cada vez mais necessário estimular a participação e a cidadania activa de todos
os Mortaguenses, sem excepção. Deste modo, torna-se imprescindível muni-los de um maior conhecimento e capacidade
de interacção nos assuntos e nas decisões políticas que são tomadas pelos eleitos,
favorecendo o escrutínio e o acompanhamento ao mesmo tempo que se combate o
desconhecimento e a opacidade. As possibilidades são imensas, mas elenco desde
já algumas, começando desde logo pelo próprio programa eleitoral participado.
De resto, também a elaboração dos Orçamento e das Grandes Opções do Plano (GOP)
poderão e deverão ser objecto dessa mesma participação. Mortágua tem obtido
classificações modestas no ranking do Índice de Transparência Municipal (IMT),
cujos critérios se direccionam acima de tudo para a quantidade e a qualidade da
informação que é disponibilizada nos sites das Autarquias, pelo que creio que
há, de facto, imenso a fazer nesta área. O que é de todo desejável, se tivermos
em conta as necessidades e as novas dinâmicas das chamadas democracias
modernas: transparentes, inclusivas, abertas e participadas. Assim, proponho
uma total redefinição do site da Câmara Municipal de Mortágua, bem como uma
mudança de fundo na atitude e na vontade de tornar públicas todas as
iniciativas políticas que se vão promovendo, mas também todos os documentos que
suportam essas mesmas intenções, no sentido de reforçar a validade e a
legitimidade de todas as decisões que são tomadas na Casa que é de todos nós.
Há mais, no entanto, que pode ser feito. Creio que está mais do que na altura
de iniciar a divulgação de vídeos das sessões de Assembleia Municipal (AM) e
das Reuniões de Câmara (RC) no site do Município. A publicação permanentemente
actualizada das actas das sessões da AM e das RC no site da Câmara é, na minha
opinião, não só desejável como um mínimo exigível, sendo que tal prática não
tem sido eficientemente cumprida nos últimos largos anos de exercício
autárquico, entre diversos protagonistas responsáveis, e por motivos que me
parecem óbvios. Poderá ainda haver lugar à realização de inquéritos, de
sondagens e/ou de eventuais referendos públicos, que podem ser preciosos
instrumentos de aferição e de orientação nas tomadas de decisão que serão
realizadas. Toda essa plataforma digital, materializada no site da Autarquia,
seria ainda um meio que permitisse aos munícipes enviar sugestões aos seus
representantes em canal aberto e participado.
Outra
proposta que lanço é a da transformação da actual agenda mensal numa revista ou
num jornal também municipal e igualmente gratuito, mas mais ambicioso, mais
completo e com a possibilidade da participação aberta dos Munícipes e das
Associações, com sugestões, opiniões, etc. Não ser apenas um canal de
transmissão de informação entre a Autarquia e os Munícipes, mas proporcionar
também um fluxo de comunicação inverso.
O
objectivo destas orientações é muito simples: governar directamente para as
pessoas e para os seus problemas, estimulando a sua participação através do
acesso à informação, promovendo assim uma cidadania muito mais interventiva,
mais activa e informada, aliada a uma maior eficiência dos serviços e uma maior
legitimação do exercício autárquico. Medidas concretas que apontam ao aumento
de transparência e de proximidade entre a Autarquia e os Munícipes. Até porque
não basta dizer que se vai ser transparente e próximo, é necessário explicar-se
em concreto e com rigor como é que isso vai acontecer. Como sabemos por
experiência, há uma diferença assinalável entre a intenções que são manifestadas
no calor da campanha e a realidade que se verifica ao longo do consequente mandato.
Hoje, mais do que nunca, e por um mundo de razões, é importante trabalharmos
para a transparência e para a proximidade.
Captação de Investimento Nacional
e Estrangeiro
A captação de investimento nacional e estrangeiro tem que
ser uma prioridade e essa não pode ser uma função investida em exclusivo e
apenas na figura do Presidente da Câmara. Desse modo, proponho a
profissionalização destas competências através da criação de um gabinete
técnico especializado nessa mesma captação. Este seria articulado com o gabinete
de desenvolvimento e de empreendedorismo que já existe, e teria como principal
objectivo a promoção de uma nova imagem do Concelho, que permita abrir outro
tipo de horizontes, mais ambiciosos e ligados à cultura “green”, à natureza, ao
turismo e à atracção de pessoas. Como? Marcando presença em feiras nacionais e
internacionais, criando e lançando de forma irreverente e arrojada a tal nova
imagem difusora da realidade local que importa transmitir: um Concelho com uma
política de impostos e condições gerais muito favoráveis à fixação de empresas
e consequente criação de emprego, e ainda a existência de rotas turísticas
atractivas (actuais e novas) que promovam o ambiente e a qualidade de vida de
que dispomos em Mortágua. Daí a enorme importância da oferta de um Turismo de
Natureza de excelência em torno do qual deve haver uma grande aposta.
A Água
Trata-se de um
assunto polémico que na minha opinião não tem sido objecto da atenção e do
tratamento devido por parte dos diferentes protagonistas da nossa praça, por manifestas
razões que aqui não importa aflorar. No meu entendimento, e sustentado na
informação que circula, não há possibilidade de renegociar os termos do
contrato que existe para uma solução que seja mais justa para os Mortaguenses,
pelo que o melhor cenário, ou neste caso o menos mau, será aguardar pelo final
desta desastrosa concessão. Enveredar por uma renegociação que aumente os
prazos de concessão nunca poderá ser uma solução positiva, na minha opinião,
pois mesmo que se baixe o preço do fornecimento, estamos apenas a empurrar o
problema mais para a frente. A prioridade deverá ser a de nos desamarrarmos o
mais rapidamente possível deste acordo que nos foi tão nefasto. Creio ainda que
os nossos futuros representantes devem manifestar publicamente o desagrado pelo
acordo que existe e não fazer precisamente o contrário, dado que este apenas protege
os interesses de uma das partes, e assim sendo procurar forçar a uma redução
unilateral do preço, até por um imperativo moral, tendo em conta os lucros
incríveis que a Águas do Planalto vai registando. Se tal não for possível, como
é previsível, a solução que proponho é o de corte de relações com a concessionária
e a preparação imediata de um processo de remunicipalização deste bem público
que é tão precioso para todos nós, para que este tenha início mal acabe a
ruinosa concessão. Mais, havendo pareceres minimamente robustos nesse sentido,
deve estudar-se em profundidade e continuar lutar-se contra a polémica adenda de
2008 que foi rubricada entre a Associação de Municípios e a Águas do Planalto,
tendo em conta que existem leituras públicas várias que colocam em causa a sua
legalidade. Esperar que termine o prazo de concessão e lutar contra este
terrível acordo que existe parece-me ser a solução que mais honra a dignidade e
o carácter dos Mortaguenses, na sua esmagadora maioria revoltados com os
contornos obscuros que caracterizam toda esta negociata.
Cultura e Eventos
Na
minha opinião, antes da pandemia Mortágua tinha uma vida cultural com um fervor
muito apreciável para a sua dimensão, que importa recuperar mal seja possível mas
há sempre aspectos por onde se pode melhorar. Assim, apresento desde já algumas
propostas mais avulsas que vão de encontro ao desejo de estimular o surgimento
de novas realizações e de novos artistas: a criação de uma bolsa artística
anual, atribuída após concurso e que surja como um incentivo à livre expressão
de toda e qualquer forma de arte, sendo que o respectivo prémio poderá ser
entregue nas “Tasquinhas”, onde as obras também seriam exibidas ou
representadas. Proponho ainda a possibilidade de utilização de uma sala no
Centro de Animação Cultural por valores acessíveis, para que jovens bandas
possam ensaiar quando não têm outra solução de espaço, como muitas vezes
acontece. A recuperação da programação cultural das Noites Quentes, às quartas,
e das Noites de Verão, sempre numa lógica de adequação procura/oferta, também
seria lógica a meu ver. Relativamente
aos grandes eventos, proponho que se funda a Festa da Juventude com a
ExpoMortágua, aumentando substancialmente o investimento na contratação de
artistas para os quatro dias do certame e potenciando ainda mais o nome do
evento, colocando-o numa posição mais proeminente da agenda cultural nacional,
aproveitando dessa forma a data em que este normalmente se realiza, o final de
maio, uma altura em que ainda não há grande competitividade dado que é o início
da época de convívios e de espectáculos de verão. A Feira das Associações seria
para manter no Centro da Vila em moldes semelhantes mas com um cartaz musical
mais modesto, mais direccionado para a música popular e para as bandas locais,
até porque se trata de uma época em que os orçamentos exigidos pela presença
dos artistas são manifestamente mais pesados. Sugiro também a criação de
um pequeno palco secundário com condições dignas no espaço das “Tasquinhas”,
para a promoção de espectáculos de animação durante as tardes, como teatro e
algumas exibições musicais, possibilitando ainda a realização de jogos
tradicionais.
Património e o Centro Histórico
da Vila de Mortágua
A
partir da histórica e recentemente adquirida Casa Lobo, por parte do Município,
proponho a criação de um Museu de Mortágua e dos Mortaguenses, com esta precisa
denominação, que a meu ver é uma obra essencial para o futuro do Concelho,
contrariando desse modo a noção existente de que temos pouco ou nada de valor ou com interesse
para visitar. Um Museu Municipal que reúna e valorize todos os
nossos apontamentos históricos e patrimoniais. Como? Através da reunião de todo o espólio
histórico de que dispomos no mesmo local, pontuando as marcas da passagem dos franceses e a presença na
Batalha, assinalando a Lenda do Juiz de Fora e prestando a devida homenagem à memória dos nossos antepassados
ilustres, além dos respectivos contributos prestados à comunidade. Além disso,
materializar uma documentação precisa da evolução da vida e dos usos e costumes
dos Mortaguenses, desde o Foral até aos dias de hoje, registando o
desenvolvimento agrícola e industrial que se verificou no nosso Concelho, por
exemplo. A génese da nossa
toponímia e a grande presença do elemento água na nossa História também poderão
e deverão ser explorados nesta edificação de que Mortágua e os Mortaguenses
muito necessitam, sem esquecer o óbvio contributo turístico.
Por outro lado, o abandono e a crescente
desertificação do centro histórico da vila de Mortágua é algo que provoca uma tristeza
imensa em todos os Mortaguenses. Torna-se por isso urgente e necessário que se
adoptem medidas concretas no sentido de o dinamizar e requalificar. É certo que
a reabilitação e a utilização de edifícios privados cabe sobretudo aos
privados, mas compete à Autarquia criar todas as condições envolventes para favorecer
essa mesma dinâmica privada. Há incentivos para essa finalidade que poderão e
deverão ser avaliados, como por exemplo a isenção de taxas para a abertura de
novos estabelecimentos comerciais nesta zona e a responsabilidade pela animação
constante destas ruas, com recurso a variados espectáculos. O centro histórico
da vila de Mortágua precisa sobretudo de mais movimento e de mais vida, pelo
que proponho a transferência dos diversos “mercadinhos” que se vão fazendo
durante o ano no espaço à frente da Câmara Municipal para a parte de trás,
aproveitando toda a zona envolvente que vai do Pelourinho até ao Chafariz.
Sugiro ainda a criação
e a instituição de um Mercado Tradicional com periodicidade sazonal (quatro
vezes por ano, uma em cada estação), que poderia denominar-se como a “Feira do
Juiz de Fora”: um evento de implementação gradual, mas que pretenderia a médio
prazo afirmar-se como um certame incontornável da agenda local. Contaria com o
envolvimento de todos os habitantes do Concelho e a participação de todas as
Associações, com espaços e infra-estruturas devidamente providenciadas pela
autarquia, com utilização grátis, no sentido de favorecer uma maior
participação. Estas infra-estruturas também poderiam ser colocadas ao longo do
caminho para o Pontão, ao encontro do novo percurso pedestre, e sobretudo no
largo do Pelourinho até ao Chafariz. A Feira teria jogos tradicionais e animação
musical, com a promoção de produtos regionais vários e com uma forte componente
cultural e gastronómica. Poderia ainda haver a possibilidade de uma alternância
temática entre as várias edições da Feira, umas mais direccionadas para os
livros, para artesanato ou para as velharias, por exemplo, entre muitas outras
hipóteses. Poderá ainda ser concebida e direccionada para uma feição mais medieval,
as soluções são imensas, mas creio que seria uma forma de dar mais movimento a
uma zona que dele está claramente necessitada. Fica a sugestão.
Educação, Envelhecimento Activo, Juventude
e Desporto
Faço uma avaliação bastante positiva do modo como estas
áreas transversais estão a ser administradas no Concelho, mas tenho algumas
propostas avulsas para apresentar no sentido de melhorar ainda mais as políticas
adoptadas que estão em curso. Na Educação, os apoios que existem nas refeições,
nos transportes e nas bolsas de estudo parecem-me suficientes e indicados, além
de absolutamente invejáveis para a realidade circundante, regional e nacional, mas
creio que há espaço para podermos ambicionar a mais, pelo que proponho a oferta
da gratuitidade das creches do Concelho, no que seria mais uma grande medida de
apoio às famílias, a juntar a todas as outras que já existem, sem esquecer o
contributo para o potencial impacto na fixação de novos munícipes. Por outro
lado, e em relação ao envelhecimento activo e à ocupação útil dos tempos livres
das pessoas, combatendo a prostração intelectual e o sedentarismo, sugiro a integração
do excelente programa “Viva mais, mexa-se!” com a Academia Saber+, uma das
principais e melhor sucedidas novidades dos últimos anos no Concelho,
suprimindo desse modo uma necessidade já identificada na referida instituição
municipal, e que faz todo o sentido. Relativamente aos mais novos, proponho a criação
eficiente de um Conselho da Juventude funcional, democrático e aberto a toda a
comunidade jovem, uma proposta recorrente por parte de diferentes
protagonistas, mas que cai sistematicamente na gaveta. Proponho ainda a criação
de um serviço próprio de orientação e de acompanhamento aos jovens que favoreça
nestes a adopção de um percurso que posteriormente os permita fixar a sua vida
pessoal e profissional na sua terra, em Mortágua. A construção de um parque para
actividades radicais como o skate também já se impõe desde há muito, tal como
um muro de escalada e um extenso mural para artes urbanas como o graffiti, tudo
reunido num mesmo espaço. O final do percurso pedestre, na zona do Barril,
parece-me o local ideal para este propósito. A nível da prática desportiva,
sugiro a recuperação imediata e a alteração do modelo do torneio de futebol
inter-associações, dividindo-o em dois escalões etários, proporcionando uma
saudável competitividade também aos mais novos. Parece-me igualmente relevante
que sejam estabelecidos diferentes protocolos de cooperação com os clubes e as
associações locais no sentido de incentivar a prática desportiva de diversas
modalidades, além da organização de eventos desportivos relevantes que permitam
inclusivamente o aumento do fluxo de visitantes ao nosso Concelho.
Floresta
e Agricultura
Num Concelho onde a Floresta detém uma grande preponderância
económica, é necessário manter as boas práticas associadas que já existem, mas
também acompanhar a actualidade no que toca à reforma florestal que tem sido
alvo de grande mediatização nos últimos tempos. Mortágua não se pode dissociar
desse debate, como é evidente, pelo que importa continuar na vanguarda dos bons
hábitos. A cultura exaustiva do eucalipto tem sido muito polémica, mas no meu
entendimento, e por diversos factores que o justificam, esta deve ser
devidamente respeitada, quando é levada a cabo com conta, peso e medida, o que
todavia raramente acontece, pelo que devemos exigir o reforço de fiscalização ao
cumprimento das leis que existem, nomeadamente na defesa das margens de
distância em torno das galerias ripícolas, sem esquecer as faixas de gestão de
combustível que o fatídico ano de 2017 nos veio mostrar serem fundamentais em
matéria de prevenção e segurança. Esse acompanhamento e essa fiscalização são
essenciais e cabem sobretudo à Autarquia. Precisamos de uma floresta ordenada e
de um incentivo permanente aos benefícios da biodiversidade e da renovação dos
nossos ecossistemas naturais (que a aposta forte na promoção integrada do
Turismo de Natureza irá claramente beneficiar). Na defesa da nossa floresta
contra incêndios, proponho a instalação de um sistema de videovigilância
municipal e a construção de pontos de água com capacidade para meios aéreos nas
freguesias onde estes não existam. De resto, proponho a transformação de alguns
terrenos baldios em hortas comunitárias que se coloquem ao dispor de quem as
deseje cultivar. Sugiro ainda que se criem incentivos agro-pecuários que
estimulem a iniciativa do jovem agricultor, tendo em conta as excelentes condições
naturais de que dispomos, renovando ainda o nosso mercado municipal, para
estimular o comércio local dos produtos agrícolas. É ainda exigível que se
mantenha uma forte pressão sobre o Estado no sentido de colocar de vez em ordem
e em funcionamento a Barragem do Lapão, que é uma vergonha para todos nós.
Ambiente e Salubridade
A preocupação ambiental terá que ser uma das imagens de
marca de um Concelho que ambicione a uma ligação tão privilegiada com a
Natureza, como deverá ser o nosso caso. Tendo em conta algumas manifestações de
repúdio de que tenho tido conhecimento sobre descargas polémicas em ribeiras do
nosso Concelho, proponho que se efectue uma vistoria e uma avaliação geral
imediata das nossas ETAR´s e que se renove ou requalifique tecnicamente as que
necessitem de modernização, como referi no separador relativo ao turismo de natureza.
A prioridade e o respeito que temos pela causa ambiental deverá ser intocável e
nunca passível de poder ser posto em causa, pelo que também se deve acompanhar
o funcionamento das empresas que cá estão sediadas no sentido de perceber se
todas as regras de higiene e de salubridade estão a ser cumpridas. Proponho ainda
que se incentive a criação de uma associação de voluntariado para realizar uma
limpeza sazonal aos nossos percursos pedestres, às ribeiras e a todas as zonas
de interesse natural, podendo esta ainda ser realizada em articulação com as
nossas escolas.
Direitos
dos Animais
Uma
comunidade civilizada e ideologicamente evoluída terá que ter o respeito pela
causa animal como um das suas imagens de marca, sendo que na minha opinião
ainda há muito para fazer em Mortágua nesta área. Construiu-se de uma vez por
todas um Canil Municipal que garanta condições minimamente dignas aos animais
que infelizmente ali tenham que estar, e o seu acompanhamento e manutenção
devem ser assegurados pela Autarquia em estrita cooperação com a sociedade
civil, como também já acontece, através de uma associação de voluntariado criada
para o efeito. Há, no entanto, que reforçar decisivamente as campanhas de
sensibilização para a esterilização de animais errantes, sem esquecer a adopção
dos animais retidos no canil e no gatil do Município, e ainda o incentivo à
população para realizar campanhas para a recolha de alimentos, por exemplo.
Outro
factor relevante prende-se com a possibilitação de acesso dos cães ao Parque
Verde e ao Parque das Nogueiras, dotando estes equipamentos de infra-estruturas
para o efeito e acabando desse modo com uma discriminação clara que existe no
Concelho, cujas placas e sinais de proibição são uma vergonha para todos nós. Outra
das propostas que apresento é a possibilidade de apoio a famílias
economicamente carenciadas na prestação de cuidados veterinários, nomeadamente
através de campanhas municipais de esterilização e de vacinação.
Finalmente,
poderão e deverão ser lançadas campanhas de sensibilização junto da população
no sentido de a alertar para a necessidade de dignificar as condições em que
têm os seus animais, com o objectivo de evitar o acorrentamento de cães, por
exemplo, alertando-os para o facto de se tratarem de animais sencientes, tendo
por isso a capacidade de sentir sensações e sentimentos até. Estamos em pleno
século XXI, é importante que não nos esqueçamos disso.