quarta-feira, 19 de julho de 2017

O Dever de Ser Simpático



Mantendo o mesmo princípio de abertura, não podia deixar de partilhar convosco algumas impressões sobre a reunião de ontem, que publicitei aqui neste espaço, como é sabido. A este propósito, gostava de sublinhar novamente o seguinte: há muitas pessoas que se queixam e apontam o dedo a este canal de comunicação "a céu aberto", mas este continua a ser indiscutivelmente o mais eficaz e privilegiado para fazer circular a informação o mais rapidamente possível, abrangendo um maior número de pessoas. Não tenho qualquer dúvida sobre este poder imenso que mais nenhuma ferramenta digital tem, e creio que convém lembrá-lo mais uma vez a quem acha que o FB só serve para desdenhar e lavar roupa suja. Os primeiros a poluir as discussões são quase sempre os mesmos que depois apontam a poluição que as redes provocam como uma patologia crónica e incurável. A meu ver, e como tudo na vida, há participações boas e outras que nem por isso. Quando estas são devidamente assinadas, a responsabilidade residirá sempre na consciência de quem intervir, sendo que há limites óbvios de ofensa pessoal que não podem ser ultrapassados, independentemente da genuína opinião de cada um. Esse limite não pode nem deve interferir com a liberdade do outro, principalmente a pessoal, pois as considerações políticas já são um outro assunto, perfeitamente passíveis de serem escrutinadas. Como é evidente e desejável. Por isso é que por exemplo a presença de participantes anónimos em algumas discussões é condenável, um asco, uma aberração autêntica que permite as mais variadas promiscuidades, e que revela claramente a podridão humana que caracteriza os seus autores... sendo alguns deles tão habilidosos ou tão pouco, que se percebem logo no imediato quem são.

Posto isto, voltemos à reunião de ontem. Tenho a confessar-vos que, apesar de todos os encontros e desencontros que se têm verificado nos últimos tempos, fiquei agradavelmente surpreendido com o ambiente civilizado e com a postura dos diversos intervenientes neste encontro. A Presidente da CPC começou por esclarecer algumas ocorrências que caracterizaram a vida do partido nestes últimos anos, e de seguida o Ricardo Pardal deu-se a conhecer aos seus camaradas como candidato à Câmara. Tudo bem. Se em abono da verdade eu procuraria fazer praticamente tudo ao contrário do que foi feito nos últimos tempos, em matéria de funcionamento interno do partido, saí no entanto da reunião com a convicção que este pode efectivamente vir a melhorar no futuro, o que desde logo saúdo. Ouvi falar muito de unidade, de participação, de abertura e de inclusão. Muito, mesmo. O que só me pode agradar, assim se levem as palavras proferidas à prática propriamente dita. Como acredito que em política devemos ser optimistas, apesar dos pés bem assentes na terra, vou ter fé que essa mudança interna venha mesmo a acontecer. Até porque me apercebi de sinais concretos nesse sentido, nomeadamente ao nível da metodologia adoptada em torno do programa eleitoral, que o candidato oportunamente dará a conhecer.

De seguida, falou o Ricardo. Fiquei convencido com a sua confiança, a sua convicção e o seu discurso, de uma forma geral. Com a maior das honestidades. A posição demonstrada foi elevada, nobre e conciliadora, própria de um candidato. Se é verdade que faria tudo ao contrário do que tem sido feito pelo órgão estratégico do partido nestes últimos tempos, devo partilhar convosco que se estivesse na pele do Ricardo adoptaria precisamente a mesma postura perante os meus pares. Passou uma mensagem muito clara de força, de empenho e de determinação, e acima de tudo mostrou um sentido muito apurado de integração, de espírito colectivo. Como seria expectável e natural, claro. Assumiu a sua ambição de forma firme e corajosa, e eu só tenho que a respeitar porque senti que esta era efectivamente real. Como seria natural e expectável, claro. Mas conseguiu convencer-me disso, coisa que eu muito honestamente não esperava. Verdade seja dita.

Talvez pela carta aberta que escrevi na semana passada, muito provavelmente, claro, a realidade é que as intervenções iniciais deixaram-me com reduzidíssima margem de manobra para colocar as questões que levava preparadas. Nenhum problema com isso, como é evidente. Pelo contrário, é sinal que estas foram tidas em consideração. O mais importante é que todas as dúvidas fossem dissipadas, e isso aconteceu. Não podia, no entanto, deixar de intervir, até pelo mais elementar princípio de coerência em relação à crítica que tenho corporizado, como é sabido. Falando do partido em si, não deixei de sublinhar que tenho uma filosofia e uma perspectiva diferente sobre o modo como as coisas deverão funcionar mas, tal como já vos adiantei, fiquei crente numa mudança futura. Como fiquei satisfeito com o mea culpa assumido pela principal responsável pela Concelhia, o que revela a consciência de que se podia ter feito mais e melhor. Muito mais e muito melhor. Faça-se-lhe no entanto a devida justiça também, porque se não fosse o seu empenho e a sua dedicação pessoal poderíamos neste momento estar a discutir uma situação muitíssimo mais sofrível por parte do PS-Mortágua, o que convém não esquecer. Não esquecer e valorizar. Coloquei ainda duas ou três questões ao Ricardo, às quais respondeu de forma espontânea e com naturalidade, o que mais uma vez me surpreendeu positivamente, tendo também aceite os argumentos por ele apresentados. Sem qualquer tipo de hipocrisia, reforço mais uma vez a minha surpresa pelo tom, pelo clima, pelo sentido de esclarecimento e pela clara elevação do debate que ali se manteve. Costuma dizer-se que no futebol, o que hoje é verdade, amanhã é mentira. Não tenho qualquer tipo de dúvida que a expressão também assenta como uma luva no meandro político, talvez mais ainda, por tudo e mais alguma coisa que eu já vi e já aprendi até hoje.

Este texto aparenta estar todo muito bonito, e o objectivo também não deixa de ser esse, manifestando a minha simpatia, mas há certos e determinados recados que não posso deixar de dar. A reunião até foi bastante participada, não tanto como desejaria e acho indicado, mas estavam lá muitas pessoas, sem dúvida alguma. A esmagadora maioria eram caras habituais, mas também havia sangue novo, o que é um bom sinal, apesar de ser preciso trabalhar e muito nesse aspecto. Parece-me, no entanto, que essa pasta será muito bem entregue. Muito bem entregue, mesmo. Assim o deixem trabalhar à vontade e como deve ser. De resto, apenas me inscrevi eu e o senhor Afonso para intervir formalmente, apesar de terem entretanto surgido mais participações curtas e espontâneas, como é natural. O senhor Afonso falou muito, tendo na minha opinião dito alguns disparates com os quais não concordo nada e que simbolizam precisamente a diferente forma da minha de estar em política, “já falaste demais” (para o Ricardo), e tal... no fundo, um modo mais ocluso e exclusivo de estar. O meu pensamento é diametralmente oposto, como já revelei em variados momentos. O PS precisa é de falar mais e com cada vez mais pessoas. O senhor Afonso falou muito, mas também falou bem, como aliás não seria de espantar ninguém, dada a imensidão da sua experiência governativa de uma vida quase dedicada por inteiro à actividade política. Deverá, no entanto, ser um pouco mais comedido e menos presente. Pode e deve ajudar o candidato, algo que fará com toda a certeza e que eu não censuro minimamente, preenchendo o tal lugar de senador que eu sempre tenho vindo a afirmar. Mas um senador recatado, sem visibilidades. O ensinamento deverá ser transmitido discretamente e sem quaisquer holofotes. Na minha mais honesta opinião, a imagem de Abrantes penaliza e de que maneira o candidato, caso este se queira dele fazer acompanhar em permanência. Ajudar, sim… mas no prudente aconchego do gabinete ou do escritório. Na rua penso que ajudará muito pouco, pelo contrário. A imagem dele está mais do que gasta, a sua presença satura uma grande parte do nosso povo. Será bom para o candidato e ainda melhor para o partido, que precisa desesperadamente de respirar o ar fresco do pós-Afonso Abrantes, coisa que não é possível se a sua omnipresença se continuar a verificar, como aliás é natural. Pode e deve ajudar, mas nunca na vida deve falar tanto ou mais do que o próprio candidato numa reunião de apresentação deste aos restantes militantes. Não tenho dúvidas disso. Trata-se da minha opinião, mas essas decisões cabem aos próprios, como é óbvio. Uma outra sugestão que faço ao Ricardo e à Alcina é que revejam imediatamente a presença do PS-Mortágua no FB. A página tem sido pessimamente mal administrada e conta com uma escassa projecção, que não chega aos 300 seguidores. Se quiserem ajuda, manifesto-me desde já aqui publicamente disponível para dar umas dicas nesse sentido, até porque extraordinariamente difícil é não fazer melhor do que tem sido feito. Há que aumentar significativamente a actividade da página e começar desde logo por limpá-la das covardes e nojentas participações dos famosos anónimos, que não fazem outra coisa a não ser conspurcar o debate, tornando-o parcial e injusto, dado que serão sempre inatingíveis, o que lhes permite ainda desferir os ataques pessoais mais repugnantes e incríveis, salvaguardados sempre pela falta de uma assinatura real que não os responsabiliza. Um berço de imundice onde alguns adoram chafurdar, mas o partido não se poderá nunca meter nisso, pelo contrário até, porque tem a obrigação de zelar pelo asseio da discussão de ideias que ali se deverá privilegiar. Outra conclusão óbvia a retirar terá que ser a forma das posições que ali serão assumidas, naturalmente colectivas. Considero uma anormalidade autêntica que uma só pessoa assuma posições individuais e manifeste apoios vários, sendo alguns até de natureza sensível, em nome de todo um universo local de militantes que está ali representado no nome “PS-Mortágua”. Mais, teve já inclusivamente o indecoro e a insolência de querer assinar pessoalmente comentários efectuados pelo próprio partido (!). Uma tentativa desesperada de afirmação? Será que não se dá conta do patético dessa atitude? Acredito, ou melhor, quero acreditar que isto seja apenas viável e possível na cabeça do próprio, pelo que lanço mais uma vez o desafio ao Ricardo e à Alcina para que afastem de vez a personagem da gestão da página, até porque já criou danos mais do que suficientes. Trata-se de uma situação inenarrável mesmo, de bradar aos céus.

Já vos transmiti a minha impressão sobre ontem e também já apresentei algumas sugestões, relembrando-vos ainda que, na realidade, fiquei mesmo agradavelmente surpreendido com o que vi e com o que ouvi. Uma das noções que fiz questão de lá sublinhar é que não confundo a obrigação com o dever militante. Obrigação militante para mim é algo que não existe. Dever, sim. E eu assumo desde já aqui perante vós o dever que sinto de ser simpático para esta candidatura. Sinto o dever militante de ser simpático com esta candidatura porque, tendo as coisas acontecido como aconteceram, não deixa de ser a escolha do meu partido, e eu tenho o dever de a aceitar e respeitar, concorde ou não com ela. É precisamente este o sentimento que me percorre neste momento e que vos confesso sem hipocrisia alguma: tenho o dever de ser simpático. O dever militante de ser simpático.

Houve muitas coisas que me surpreenderam na noite de ontem, mas a principal estava reservada para o fim. Quando todos se levantaram das suas cadeiras e já iam saindo, concluída que estava a reunião, o Ricardo chamou-me: “Mauro!”, ao que eu parei, virei-me e olhei. “Vamos enterrar de vez o machado de guerra e vamos trabalhar!”, estendendo-me a mão de seguida, olhando-me nos olhos com sinceridade e convicção. Estupefacto, fiquei sem reacção, não pronunciei uma palavra que fosse e apertei-lhe a mão. Também não era preciso dizer nada. Sete anos depois. Por mais conveniente que seja a atitude, e inteligente também, não esquecer, confesso que fiquei agradado com o gesto humilde. Sete anos depois. Muito surpreendido, mas bastante agradado também. Está enterrado o machado.

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Carta aos Socialistas de Mortágua


Camaradas e Amigos
 
Em primeiro lugar gostaria de cumprimentar todos os presentes e saudar a marcação desta reunião, apesar de alguns militantes não poderem estar presentes, como deveria ser desejável. Tenho defendido por diversas vezes que reunir assiduamente une, fortalece e valida sempre mais qualquer decisão democrática que seja digna desse nome, e um grande Partido como o nosso PS terá sempre que ter esse ADN bem patente na sua acção e orientação políticas. É de momentos como este que o PS se deve alimentar e engrandecer. Sempre para acrescentar e nunca para dividir, pelo que espero que surjam mais momentos como este a muito curto prazo. De qualquer forma, e em profunda coerência com o activismo militante que me tem caracterizado, de intervenção e espírito crítico permanente, não podia de forma alguma deixar de me dirigir a vós neste momento tão delicado e importante para todos nós, Socialistas de Mortágua.

Tenho mostrado recorrentemente a minha insatisfação e o meu desalento pelo estado a que as coisas chegaram na nossa secção local. Mais do que identificar responsáveis ou lamentar as óbvias deficiências de funcionamento e de definição que claramente existem, importa sobretudo olhar para a frente e começar por mudar efectivamente o que se torna necessário para voltarmos a acreditar que podemos conseguir dar a volta em conjunto, tal como se impõe. A sucessiva resistência à mudança não pode turvar-nos o discernimento e continuar a impedir-nos de progredir, de nos renovar e de nos colocarmos à altura dos enormes e exigentes desafios que se aproximam, sendo que o tempo não corre a nosso favor. Não há, como todos sabemos, um rumo ou uma acção política orientada em torno de um grupo de figuras de onde possa emergir de forma natural um candidato. A realidade é esta, fruto de circunstâncias e vicissitudes várias que não adianta estar aqui a discutir agora, para não continuarmos a carpir velhas mágoas e, no fundo, para não perdermos o foco em torno do que realmente interessa. A hora é de arregaçar as mangas e sermos pragmáticos. O momento é este. Não há mais tempo a perder.

A prioridade máxima neste momento é a de encontrarmos em conjunto um candidato que nos una, nos honre e seja capaz de liderar o trabalho político abrangente que se exige a um grande partido como o nosso. Dada a conjuntura interna, os hipotéticos e naturais candidatos que se poderiam perfilar, pelo posicionamento ou pela historicidade, estão de certa forma irremediavelmente comprometidos. São esses, na minha opinião, os superiores responsáveis pelo estado a que chegaram as coisas na nossa secção local. Não podemos, de forma alguma e a título de exemplo, apoiar possibilidades que estejam a contas com sérios problemas de Justiça e, por isso, estejam também a contas com sérios problemas de credibilidade e transparência. Não deveremos, por outro lado, apoiar também quem tenha tido o desplante de negociar e de acordar disponibilidades com a liderança natural do principal partido da Oposição, depois de uma vida inteira a recusar internamente esse tipo de comunicação e esse género de forma de estar. Depois de anos e anos a discutir-se a existência de eventuais “ratos” que poriam em causa o segredo interno do partido, supostamente levando a informação para o adversário, eis que para estupefacção geral se verifica que são essas principais figuras de dedo apontado a mostrarem-se, elas próprias, como coniventes e, de certo modo, cooperantes até na concertação da estratégia com o líder da oposição. Uma incoerência absoluta, sem esquecer ainda que esta é uma atitude tomada completamente à revelia da estrutura do partido. Tendo em conta que quem está em causa é uma dos supostos principais elementos do núcleo duro do PS-Mortágua, trata-se de uma postura absolutamente imperdoável. Há momentos em que existem apoios que não fazem qualquer tipo de sentido, até porque são os primeiros a menorizar-nos e a criar-nos dano. Já para não me alongar em restantes considerações. Adiante.

De todas as figuras que eventualmente possam emergir nesta altura já tardiamente decisiva, estou em crer que o candidato mais indicado de todos terá que surgir de fora desse chamado núcleo duro, o tal grupo de superiores responsáveis pela condução estratégica do partido nos últimos anos. Existem alguns perfis adequados a essa privilegiada função de enorme responsabilidade, que é encabeçar a lista do Partido Socialista à Câmara Municipal de Mortágua. Terá que ser uma figura que reúna as condições necessárias para alavancar a transformação obrigatória que eu acredito que o PS necessita com grande urgência, no sentido de voltar a restaurar a sua unidade interna e a credibilizar novamente a sua imagem junto de todos os Mortaguenses. Só assim poderemos ambicionar a um futuro radiante e harmonioso onde possamos conquistar novamente a Câmara Municipal. A luta ainda não está perdida, assim haja vontade e esforços em comum para atingirmos esse objectivo em conjunto.

Há pelo menos um candidato de fora dessa restrita elite que se pode constituir como um nome muito forte. O perfil terá obrigatoriamente de reunir características imprescindíveis para a liderança a uma corrida desta natureza: uma personalidade idónea, transparente, com seriedade à prova de bala e com um semblante minimamente agradável. Exige-se, ou pelo menos deverá exigir-se, alguma experiência governativa e administrativa acumulada. Terá que ser um candidato com pulso e com capacidade efectiva para liderar. Alguém que tenha o carisma suficiente para gerar uma grande mobilização em torno da sua figura, capaz de criar a “onda” que todos precisamos de alimentar para podermos discutir a vitória no primeiro de outubro próximo. Já debati essa possibilidade com uma excelente solução de candidato, na minha opinião, sendo que conversei inclusivamente a propósito com a presidente da CPC e com diversos militantes activos e influentes. Caberá, no entanto, ao grupo aqui presente afirmá-lo, sem no entanto esquecer que devemos ouvir em primeira instância todos os superiores responsáveis pela condução estratégica até este momento. Estes terão que ser, como é evidente, os primeiros a ser ouvidos a esse propósito, até porque lhe compete a eles a primeira responsabilidade de apresentar uma solução válida para resolver todo este imbróglio. O perfil de candidato que sugeri poderá perfeitamente conseguir um bom resultado nas eleições, assim tenha condições internas para isso, além de que não tenho dúvidas que será o ideal para conseguirmos fazer uma harmoniosa transição deste PS para um outro de que todos nos possamos orgulhar: um Partido mais inclusivo, mais democrático, mais participado, mais rejuvenescido, mais validado, mais legítimo e acima de tudo mais forte.

O meu contributo militante é este e presto-me de seguida a explicar o que devem, no meu entendimento, ser os seguintes passos que devemos dar. Há decisões importantes para tomar neste momento tão delicado e tão importante, sendo que não podemos nem devemos esquivar-nos delas, até porque as consequências podem ser irremediavelmente fatais. Como já sublinhei, o tempo não corre minimamente a nosso favor., pelo que querer convencer alguém do contrário é uma pura ilusão. A meu ver, torna-se necessário começar desde já o trabalho autárquico com vista às eleições do primeiro de outubro, e seja qual for o candidato escolhido é de imprescindível necessidade que haja unanimidade interna em torno do seu nome. Assim este faça sentido, como é lógico. No sentido de fortalecer o candidato escolhido, é extraordinariamente importante apontarmos todos no mesmo sentido de forma conjunta e inequivocamente determinada. Esta é uma primeira condição básica e indispensável para que possamos ter as possibilidades sucesso de que tanto precisamos. De seguida, e naturalmente, o candidato escolhido que emergir de entre todos nós necessita, como é lógico, de uma equipa de trabalho político-estratégico coesa, organizada e desenhada em torno da sua figura. Nesse sentido, parece-me determinante que se proceda à realização de uma eleição interna extraordinária para o órgão estratégico do Partido a nível local, com o objectivo de refrescar e de adequar o núcleo duro à nova realidade. Aqui, e como é evidente, cabe também ao candidato escolhido efectuar as diligências necessárias para formar a equipa de que precisa, rodeando-se de mais perto por aqueles que considera estarem melhor habilitados para desenvolver desde já todo o imenso trabalho que se exige à estrutura. O passo seguinte cabe aos militantes, como é óbvio, pronunciando-se no sentido de legitimar e validar essa nova lista no acto eleitoral interno que dado o momento actual se impõe com toda a naturalidade, daí o carácter extraordinário. Este processo deverá ser tranquilo e conciliador no plano interno, tendo todos os militantes o dever de agregar esforços e não de fazer precisamente o oposto. Seja qual for o candidato. 

Havendo cabimento e aceitação para a formação desta alternativa ao que já existe e que já conhecemos, e de acordo com o que transmiti à actual Presidente da Concelhia, estou pessoalmente disponível para assumir a coordenação e a liderança do processo de criação de uma lista de militantes e de simpatizantes solidários e apoiantes desta eventual candidatura, caso esta reúna o suporte e a anuência de todos os presentes. O momento é o de colocar desde já em marcha todo um trabalho político planeado e estratégico que devia ter sido iniciado há muito. Não há mais tempo a perder. Que ninguém se convença do contrário.

Havendo cabimento e aceitação para a formação desta alternativa ao que já existe e que já conhecemos, e de acordo com o que transmiti à actual Presidente da Concelhia, em coerência absoluta com toda a intervenção militante que tenho tido nos últimos tempos na esfera do partido, sem esquecer o objectivo primário de ser prestável e consequente na crítica e na análise, revelo-me ainda pessoalmente disponível para assumir a liderança dessa mesma lista e desse mesmo movimento para começar desde logo a trabalhar próximo do candidato com vista à sua eleição para a Câmara Municipal de Mortágua, sem esquecer o imperativo do cumprimento da obrigação de renovar e de revitalizar o partido tal como se impõe, sendo que uma necessidade também decorre da outra.

Havendo cabimento e aceitação para a formação desta alternativa ao que já existe e que já conhecemos, e de acordo com o que transmiti à actual Presidente da Concelhia, além de discutir em permanência e assiduamente o assunto com figuras bastante influentes da Comunidade Mortaguense ligadas ou relacionadas de certa forma ao nosso espectro político, tenho um projecto e uma imagem muito clara de uma Concelhia do PS que nos honre e dignifique, tanto a esta como às próximas gerações, ligando-as às nossas de um modo que democraticamente faça sentido, numa perspectiva de transição natural. Tenho a dar-vos conhecimento de que já existem inclusivamente movimentações e contactos feitos com valiosíssimas sementes da nossa juventude local que farão sempre parte integrante de toda a estrutura e um dia assumirão elas próprios todo o devir, quando surgir o momento certo, com toda a naturalidade e sem obstáculos. A assumpção conjunta de responsabilidades e a partilha destas é um objectivo que persigo com esta intenção de injectar sangue novo de imediato e misturá-lo com todo aquele que já temos mais maturado. Sonho com uma secção pluralista e profundamente heterogénea, pela diversidade, na homogeneidade de um todo que se pretende unido e fortalecido. A mistura de senadores vividos e experientes com jovens irreverentes e com sede de participar. Reuniões com frequência mensal. A combinação de militantes e simpatizantes, sem exclusividades de qualquer ordem e com todo o respeito pela opinião divergente, além do desejo de promover um permanente debate público intenso e uma aproximação de facto com a sociedade civil da nossa comunidade, aconchegando-a e envolvendo-a para mais próximo de todos nós. Só assim, com uma postura aberta e manifestamente inclusiva é que poderemos somar, crescer e afirmar-nos como o grande PS que somos e acima de tudo e de todos devemos querer ser, representando no plano local e com toda a dignidade aquele que é indiscutivelmente o maior Partido do País.

Não posso deixar de voltar a sublinhar que numa primeira instância cabe aos elementos que compõem o chamado núcleo duro mais responsável pela direcção e pela orientação do Partido nos últimos três, quatro mandatos, decidir e pronunciar, num momento delicado e decisivo como este, a forma como se pretendem claramente definir junto de nós todos no futuro: ou efectivamente se lançam à corrida ou então permitem a formação de uma alternativa, regressando a uma militância de base no apoio a essa candidatura e a esse novo órgão estratégico entretanto eleito. Poderão ainda, caso sejam esses os seus entendimentos, afastar-se dos centros de decisão no sentido de deixarem trabalhar com tranquilidade e harmonia quem vier a comandar o nosso Partido. Como é lugar-comum dizer-se, quem vier por bem será sempre bem-vindo, mas neste momento é importante enterrar machados de guerra e concentrar esforços naquele que deverá ser o combate essencial para todos: revitalizar o PS-Mortágua e recuperar a Câmara Municipal, até porque um objectivo decorre claramente do outro.

Camaradas e Amigos

Agradeço desde já a atenção prestada por todos e gostaria de me revelar desde já disponível para prestar quaisquer esclarecimentos que entendam necessários sobre esta opinião e esta tomada de posição que torno pública junto de vós, bastando para esse efeito que tais me sejam comunicados. Estarei, com toda a certeza, aqui presente entre todos numa próxima reunião que eu espero que ocorra a muito curto prazo.

Camaradas e Amigos

A minha preocupação é com a emergência de um PS forte e que seja efectivamente representante e representado por todos aqueles que nele se revêm.

A minha prioridade é com a formação de um PS profundamente inclusivo e com grande fervor democrático, onde todos se sintam ouvidos, úteis e disponíveis para participar.

Camaradas e Amigos

Na qualidade de militante activo e interventivo, o meu objectivo mais elementar é o de contribuir para a restituição da unidade no partido, trabalhando de forma séria e directa no seu rejuvenescimento, na sua renovação e na sua revitalização.
Daí a tremenda importância da formação de uma alternativa interna ao que já existe e que já conhecemos. 

Rejuvenescer. Renovar. Revitalizar.

Por um PS mais democrático, mais próximo, mais inclusivo, mais coeso e indiscutivelmente mais forte!
Envio-vos por esta via as mais sentidas e respeitosas Saudações Socialistas a Todos Vós.


Mauro José Tomaz
31 de Março de 2017