As sucessivas revoluções com “efeito dominó” que se têm observado nos países com governações autoritárias, corruptas e repressivas provam que a emergência de uma sociedade global mais instruída por via do acesso à informação pela informatização tem sido determinante nestes dias para a lenta mas efectiva erradicação de sistemas políticos ditatoriais que já contam décadas de existência. O povo perdeu o medo. Perdeu inclusivamente o maior de todos os medos, o da morte, pelo que na união revolta e desesperada configura-se como uma força brutal e imparável na demanda por uma vida melhor, pela liberdade e por uma condição mais digna, à imagem do Ocidente e do séc. XXI. A Internet e os meios de comunicação em geral vão progressivamente cultivando as massas, que procuram agora combater a subserviência e a miséria a que sempre foram submetidos, pelo que é ver um grande líder atrás do outro a ligar os motores dos seus jactos privados e a prepararem devidamente as suas contas no estrangeiro, para todas as circunstâncias que se possam vir a verificar.
Mais instruídos, os novos “filhos” destas nações amplamente viciadas em todos os sectores unem-se pela ruptura com regimes que promovem a violação dos direitos humanos mais básicos, a atrocidade, a censura e o tratamento desigual, sujeitando o povo à mais penosa privação, em prol do fausto irrazoavelmente exagerado dos chefes e seus aliados, que entre ostras, caviar, vinhos selectos e haréns repletos das mais voluptuosas carnes, nunca tanto terão temido pela manutenção do seu poder absoluto como hoje. Este “ruído”, outrora inexistente, assume agora proporções cada vez maiores, sendo que até já se vêem na televisão mulheres árabes destemidas e com o rosto descoberto, dando voz à indignação geral e nomeando sem quaisquer pudores os responsáveis pelo estado catastrófico em que se encontram os seus países. Um “ruído bom”, construtivo, determinado e empenhado nas suas nobres causas promotoras de igualdade de direitos, deveres e oportunidades, que no fundo certifiquem o mínimo de dignidade a quem nunca soube o que isso era. Um “ruído” justo, portanto, e plenamente justificado, embora algo tardio, considerando a evolução da sociedade contemporânea. Os propósitos a que este se reporta são mais do que válidos, pelo que faz todo o sentido que sejam intentados em abono da democracia, seja de que forma for, custe o que custar.
Consumada a primeira parte desta reflexão, encaminho o leitor para uma segunda deixando claro desde já que esta se debruçará sobre uma realidade completamente distinta, embora haja e continue a haver quem goste de metaforizar o poder político local mortaguense como uma ditadura, sob o jugo d´”O Ditador”. A comparação interessa-me sobretudo pelo objectivo de dissertar sobre o exercício do “ruído”, os seus pressupostos, os seus objectivos e a sua operacionalização tacticista, isto porque se torna importante dissociar o “bom ruído” do “mau ruído”.
Aliada a uma constante campanha de “cosmética” que floresce em alguma comunicação social regional, concretizada em manifestos e tomadas de posição pseudo-demagógicas e de cariz populista, projectoras de uma acção política aparentemente “exemplar e desinteressada”, está o já habitual ataque feroz aos suspeitos do costume, os “oligarcas socialistas”. Abstraindo-me da esfera pessoal que compõe a minha razão, consciência e compromisso, suspendo-me por momentos e observo de forma crua mas acima de tudo realista a actividade política local, pesando de um lado a competência e o rigor absolutamente inquestionáveis que a liderança deste município tem levado a cabo na prossecução da boa gestão autárquica até agora consensualmente avaliada, e devidamente fiscalizada; e pesando do outro a qualidade e a quantidade da contribuição da Oposição, bem como dos seus posicionamento e postura políticos, considero que qualquer mortaguense com dois dedos de testa e o com o mínimo conhecimento da actividade municipal desenvolvida pode confirmar a eficiência e a credibilidade deste Executivo, porque este é de facto experiente e competente. Inocente e despretensiosamente sabe-se que assim é, tornando-se consensual a análise, tão clara é a evidência. Qualquer mortaguense com dois dedos de testa e algum conhecimento da actividade municipal exercida, porque a acompanha de perto ou porque assiste por dentro, sabe muito bem da quase inacção das forças partidárias da Oposição, que acaba por se basear muito mais em meros acenos de cabeça do que na apresentação de um modelo político alternativo válido e convincente, digno de ser posto à consideração. Ou este inexiste, ou então continua sagradamente no segredo dos deuses, tão escassa é a efectiva contribuição. As sessões de Assembleia Municipal fazem por vezes com que recorde os meus tempos de estudante, num qualquer auditório onde se transmitem conhecimentos e conteúdos vários, onde se identificam lacunas cognitivas e se procura a melhor forma de as colmatar... onde se aprende!
Apesar de pouco brilhantes, é certo que temos também figuras esforçadas e acima de tudo bem intencionadas em alguma Oposição, bastante válidas e ponderadas. Humildes na aparência pelo facto de estarem cientes das suas limitações, mas voluntariosos, conscientes do peso da sua responsabilidade e com noção do que será verdadeiramente o serviço público, agindo nessa conformidade por Mortágua. Depois temos também os emissores do que caracterizo de “mau ruído”, empenhados na luta desenfreada pelo poder, na ambição desmedida e na avassaladora ganância onde impera a tirania, por vezes baixa. Figuras políticas e aspirantes a sê-lo, que em vez de se preocuparem em credibilizar e enriquecer as suas imagens pessoais e partidárias, aspirando a que o povo, no momento de sufragar, lhes reconheça a capacidade necessária para lhes confiar as decisões e a trajectória governativa, acabam no fundo por irremediavelmente se afundar na sua própria maledicência.
Confesso que ainda estou numa fase de alguma habituação à mesquinhice que é parte indissociável da acção política na sua globalidade, tanto à dimensão nacional como local, mas apesar de inevitável parece-me que esta específica lição será porventura uma das menos importantes no percurso de amadurecimento político de qualquer aspirante. Há todo um conjunto de lições e princípios fundamentais que deverão ser priorizados, alguns bem elementares, até. A noção básica do real funcionamento das instituições, da natureza da inter-ligação e articulação das suas competências e atribuições; o estudo profundo das verdadeiras necessidades da população em relação com a quantidade e qualidade dos recursos patrimoniais, humanos e financeiros à disposição, sempre numa lógica de pragmatismo, adequação, pertinência e de realismo absoluto, agindo nessa conformidade com determinação mas de forma calculada, com optimismo mas de forma prudente, com ambição mas sem nunca perder a noção do razoável.
O país necessita como nunca de voltar a ver credibilizada a sua classe política, pelo que precisa de formar futuros agentes argutos e com personalidade, bom senso e um efectivo sentido de Estado, cientes da enorme responsabilidade que encerra a prestação de um serviço público de qualidade, que se pretende desinteressado.
Portugal precisa como nunca de futuros agentes políticos a sério, chega de políticos de cordel.
Mais instruídos, os novos “filhos” destas nações amplamente viciadas em todos os sectores unem-se pela ruptura com regimes que promovem a violação dos direitos humanos mais básicos, a atrocidade, a censura e o tratamento desigual, sujeitando o povo à mais penosa privação, em prol do fausto irrazoavelmente exagerado dos chefes e seus aliados, que entre ostras, caviar, vinhos selectos e haréns repletos das mais voluptuosas carnes, nunca tanto terão temido pela manutenção do seu poder absoluto como hoje. Este “ruído”, outrora inexistente, assume agora proporções cada vez maiores, sendo que até já se vêem na televisão mulheres árabes destemidas e com o rosto descoberto, dando voz à indignação geral e nomeando sem quaisquer pudores os responsáveis pelo estado catastrófico em que se encontram os seus países. Um “ruído bom”, construtivo, determinado e empenhado nas suas nobres causas promotoras de igualdade de direitos, deveres e oportunidades, que no fundo certifiquem o mínimo de dignidade a quem nunca soube o que isso era. Um “ruído” justo, portanto, e plenamente justificado, embora algo tardio, considerando a evolução da sociedade contemporânea. Os propósitos a que este se reporta são mais do que válidos, pelo que faz todo o sentido que sejam intentados em abono da democracia, seja de que forma for, custe o que custar.
Consumada a primeira parte desta reflexão, encaminho o leitor para uma segunda deixando claro desde já que esta se debruçará sobre uma realidade completamente distinta, embora haja e continue a haver quem goste de metaforizar o poder político local mortaguense como uma ditadura, sob o jugo d´”O Ditador”. A comparação interessa-me sobretudo pelo objectivo de dissertar sobre o exercício do “ruído”, os seus pressupostos, os seus objectivos e a sua operacionalização tacticista, isto porque se torna importante dissociar o “bom ruído” do “mau ruído”.
Aliada a uma constante campanha de “cosmética” que floresce em alguma comunicação social regional, concretizada em manifestos e tomadas de posição pseudo-demagógicas e de cariz populista, projectoras de uma acção política aparentemente “exemplar e desinteressada”, está o já habitual ataque feroz aos suspeitos do costume, os “oligarcas socialistas”. Abstraindo-me da esfera pessoal que compõe a minha razão, consciência e compromisso, suspendo-me por momentos e observo de forma crua mas acima de tudo realista a actividade política local, pesando de um lado a competência e o rigor absolutamente inquestionáveis que a liderança deste município tem levado a cabo na prossecução da boa gestão autárquica até agora consensualmente avaliada, e devidamente fiscalizada; e pesando do outro a qualidade e a quantidade da contribuição da Oposição, bem como dos seus posicionamento e postura políticos, considero que qualquer mortaguense com dois dedos de testa e o com o mínimo conhecimento da actividade municipal desenvolvida pode confirmar a eficiência e a credibilidade deste Executivo, porque este é de facto experiente e competente. Inocente e despretensiosamente sabe-se que assim é, tornando-se consensual a análise, tão clara é a evidência. Qualquer mortaguense com dois dedos de testa e algum conhecimento da actividade municipal exercida, porque a acompanha de perto ou porque assiste por dentro, sabe muito bem da quase inacção das forças partidárias da Oposição, que acaba por se basear muito mais em meros acenos de cabeça do que na apresentação de um modelo político alternativo válido e convincente, digno de ser posto à consideração. Ou este inexiste, ou então continua sagradamente no segredo dos deuses, tão escassa é a efectiva contribuição. As sessões de Assembleia Municipal fazem por vezes com que recorde os meus tempos de estudante, num qualquer auditório onde se transmitem conhecimentos e conteúdos vários, onde se identificam lacunas cognitivas e se procura a melhor forma de as colmatar... onde se aprende!
Apesar de pouco brilhantes, é certo que temos também figuras esforçadas e acima de tudo bem intencionadas em alguma Oposição, bastante válidas e ponderadas. Humildes na aparência pelo facto de estarem cientes das suas limitações, mas voluntariosos, conscientes do peso da sua responsabilidade e com noção do que será verdadeiramente o serviço público, agindo nessa conformidade por Mortágua. Depois temos também os emissores do que caracterizo de “mau ruído”, empenhados na luta desenfreada pelo poder, na ambição desmedida e na avassaladora ganância onde impera a tirania, por vezes baixa. Figuras políticas e aspirantes a sê-lo, que em vez de se preocuparem em credibilizar e enriquecer as suas imagens pessoais e partidárias, aspirando a que o povo, no momento de sufragar, lhes reconheça a capacidade necessária para lhes confiar as decisões e a trajectória governativa, acabam no fundo por irremediavelmente se afundar na sua própria maledicência.
Confesso que ainda estou numa fase de alguma habituação à mesquinhice que é parte indissociável da acção política na sua globalidade, tanto à dimensão nacional como local, mas apesar de inevitável parece-me que esta específica lição será porventura uma das menos importantes no percurso de amadurecimento político de qualquer aspirante. Há todo um conjunto de lições e princípios fundamentais que deverão ser priorizados, alguns bem elementares, até. A noção básica do real funcionamento das instituições, da natureza da inter-ligação e articulação das suas competências e atribuições; o estudo profundo das verdadeiras necessidades da população em relação com a quantidade e qualidade dos recursos patrimoniais, humanos e financeiros à disposição, sempre numa lógica de pragmatismo, adequação, pertinência e de realismo absoluto, agindo nessa conformidade com determinação mas de forma calculada, com optimismo mas de forma prudente, com ambição mas sem nunca perder a noção do razoável.
O país necessita como nunca de voltar a ver credibilizada a sua classe política, pelo que precisa de formar futuros agentes argutos e com personalidade, bom senso e um efectivo sentido de Estado, cientes da enorme responsabilidade que encerra a prestação de um serviço público de qualidade, que se pretende desinteressado.
Portugal precisa como nunca de futuros agentes políticos a sério, chega de políticos de cordel.