Cinco anos volvidos após a implementação e generalização do ensino do Inglês, da Música, e da Actividade Física e Desportiva no 1º Ciclo do Ensino Básico, o balanço entretanto passível de ser efectuado é globalmente positivo, mas ainda assim com bastantes aspectos a rever. As Actividades de Enriquecimento Curricular (AEC) são, como o próprio nome indica, actividades que visam enriquecer as experiências de aprendizagem proporcionadas aos alunos que frequentam o 1º Ciclo, autênticas “esponjas” no que toca ao entusiasmo no interesse demonstrado e à facilidade na aquisição de conhecimentos, uma franja de alunos com uma idade que os torna particularmente sensíveis e sensibilizáveis. A ideia foi boa e é de louvar, mas a forma como foi implementada pelo Ministério da Educação não terá sido a melhor, tendo o recrutamento dos professores sido entregue às autarquias, entretanto financiadas para esse efeito (independentemente do cumprimento de prazos…), numa transferência de competências que dá azo à subcontratação e que fez emergir uma série de situações de precariedade e exploração laboral, como por exemplo o caso dos professores das AEC do Porto, que aqui me apresto a denunciar.
Cumprindo todos os requisitos para terem um contrato individual de trabalho, com local de trabalho definido, horário fixo, coordenação e hierarquia a respeitar, estes professores foram recebidos numa oficina mecânica em Matosinhos (!), e foi-lhes distribuído um horário de trabalho que começaram por cumprir sem a oficialização do contrato de prestação de serviços, apenas rubricado um mês depois. Atrasos nos pagamentos, péssimas condições de trabalho e inexistente apoio coordenativo são apenas parte da triste e precária realidade profissional que os abarca. Além dos baixos salários e das muitas deslocações que fazem, estes docentes são dispensados sempre que há interrupção lectiva, não têm direito a subsídio de desemprego, de férias ou de Natal. Trata-se de um caso que bem caracteriza situações imensas por esse país fora, de empresas sem escrúpulos que mantêm ilegalmente os seus profissionais a “falsos recibos verdes”, fazendo-se valer do desespero de muitos que não têm outra alternativa a não ser o ainda mais angustiante desemprego. Estes profissionais precisam de condições de trabalho dignas para poder efectuar um trabalho digno, pois tal será o mínimo que se poderá exigir, e que na maior parte das vezes não se verifica. O estatuto do professor nos dias que correm é bem distinto do que existia algumas gerações atrás, havendo uma constante desvalorização da sua actividade. O acesso à profissão e à carreira está complicadíssimo, fruto do excesso de licenciados que entopem as listas de concurso, já de si completamente congestionadas, e cujo recrutamento, distribuição e duração de vínculo não oferecem a estabilidade necessária que a profissão merece, no meu ponto de vista. Há uma correlação evidente entre o grau de satisfação manifestado pelo docente e a qualidade de trabalho apresentada, que é sempre outra num profissional motivado, pelo que importa providenciar todas as condições consideradas necessárias para que o serviço seja bem assegurado, o que não acontece.
Tratando-se de uma ideia já proposta por alguns sindicatos, defendo que haja uma profunda alteração na forma de organização e promoção das AEC, garantindo desta forma condições de estabilidade a todos os agentes educativos envolvidos. Parece-me necessária uma reforma profunda em toda a componente curricular do 1º Ciclo, integrando o ensino do Inglês e da Música no currículo básico dos alunos e acabando-se com os recibos verdes, promovendo assim a dignificação destes profissionais, colocando-os no mesmo patamar dos colegas, sujeitos a procedimentos concursais claros. A extinção do actual modelo de promoção das AEC e este consequente reforço da componente curricular seria possibilitado pela constituição de novas equipas educativas, em vez da existência da figura de um só professor, dando assim outra resposta às actuais necessidades, no sentido de promover as aprendizagens dos alunos de forma mais direccionada e eficaz. A adequação e requalificação dos parques escolares já estão a decorrer um pouco por todo o país, uma prioridade do executivo socialista e da ministra Isabel Alçada, sendo ainda desejável o apetrechamento das escolas com todos os materiais específicos que se adequem às novas exigências do currículo e das planificações. Além destas medidas que considero determinantes, é ainda da competência do Ministério da Educação procurar assegurar aquilo que representará o conceito de Escola a Tempo Inteiro, providenciando, em cooperação com as autarquias, uma coesa e enriquecedora articulação entre as melhores condições possíveis para a prática lectiva e um serviço de actividades para ocupação de tempos livres, estas determinantes para o desenvolvimento social do aluno.
Sou professor de Inglês do 1º Ciclo há cerca de 4 anos no concelho de Mortágua, e tenho a sublinhar as extraordinárias condições de trabalho hoje existentes, sustentadas numa plataforma sólida e bem co-organizada pelo Agrupamento de Escolas e pela autarquia, onde, de facto, se dignifica o papel do professor. Recentemente tenho frequentado uma acção de formação levada a cabo pela DREC e, inserido numa turma de 25 formandos, tenho podido testemunhar inúmeros casos em que estas actividades são ministradas em condições bem diferentes, para pior, das que por cá se verificam. A avaliação francamente positiva da última acção inspectiva ao funcionamento das AEC no concelho reforça ainda esta minha apreciação pessoal, a de que estamos no caminho certo.
O novo Centro Educativo de Mortágua irá melhorar ainda mais as condições ao dispor dos diversos agentes educativos, reunindo todos estes num mesmo espaço modernizado e dotado do que é necessário e importante para oferecer um serviço de qualidade.
Óptimo! Ganha a comunidade, ganhamos todos: pais, professores e alunos.
Cumprindo todos os requisitos para terem um contrato individual de trabalho, com local de trabalho definido, horário fixo, coordenação e hierarquia a respeitar, estes professores foram recebidos numa oficina mecânica em Matosinhos (!), e foi-lhes distribuído um horário de trabalho que começaram por cumprir sem a oficialização do contrato de prestação de serviços, apenas rubricado um mês depois. Atrasos nos pagamentos, péssimas condições de trabalho e inexistente apoio coordenativo são apenas parte da triste e precária realidade profissional que os abarca. Além dos baixos salários e das muitas deslocações que fazem, estes docentes são dispensados sempre que há interrupção lectiva, não têm direito a subsídio de desemprego, de férias ou de Natal. Trata-se de um caso que bem caracteriza situações imensas por esse país fora, de empresas sem escrúpulos que mantêm ilegalmente os seus profissionais a “falsos recibos verdes”, fazendo-se valer do desespero de muitos que não têm outra alternativa a não ser o ainda mais angustiante desemprego. Estes profissionais precisam de condições de trabalho dignas para poder efectuar um trabalho digno, pois tal será o mínimo que se poderá exigir, e que na maior parte das vezes não se verifica. O estatuto do professor nos dias que correm é bem distinto do que existia algumas gerações atrás, havendo uma constante desvalorização da sua actividade. O acesso à profissão e à carreira está complicadíssimo, fruto do excesso de licenciados que entopem as listas de concurso, já de si completamente congestionadas, e cujo recrutamento, distribuição e duração de vínculo não oferecem a estabilidade necessária que a profissão merece, no meu ponto de vista. Há uma correlação evidente entre o grau de satisfação manifestado pelo docente e a qualidade de trabalho apresentada, que é sempre outra num profissional motivado, pelo que importa providenciar todas as condições consideradas necessárias para que o serviço seja bem assegurado, o que não acontece.
Tratando-se de uma ideia já proposta por alguns sindicatos, defendo que haja uma profunda alteração na forma de organização e promoção das AEC, garantindo desta forma condições de estabilidade a todos os agentes educativos envolvidos. Parece-me necessária uma reforma profunda em toda a componente curricular do 1º Ciclo, integrando o ensino do Inglês e da Música no currículo básico dos alunos e acabando-se com os recibos verdes, promovendo assim a dignificação destes profissionais, colocando-os no mesmo patamar dos colegas, sujeitos a procedimentos concursais claros. A extinção do actual modelo de promoção das AEC e este consequente reforço da componente curricular seria possibilitado pela constituição de novas equipas educativas, em vez da existência da figura de um só professor, dando assim outra resposta às actuais necessidades, no sentido de promover as aprendizagens dos alunos de forma mais direccionada e eficaz. A adequação e requalificação dos parques escolares já estão a decorrer um pouco por todo o país, uma prioridade do executivo socialista e da ministra Isabel Alçada, sendo ainda desejável o apetrechamento das escolas com todos os materiais específicos que se adequem às novas exigências do currículo e das planificações. Além destas medidas que considero determinantes, é ainda da competência do Ministério da Educação procurar assegurar aquilo que representará o conceito de Escola a Tempo Inteiro, providenciando, em cooperação com as autarquias, uma coesa e enriquecedora articulação entre as melhores condições possíveis para a prática lectiva e um serviço de actividades para ocupação de tempos livres, estas determinantes para o desenvolvimento social do aluno.
Sou professor de Inglês do 1º Ciclo há cerca de 4 anos no concelho de Mortágua, e tenho a sublinhar as extraordinárias condições de trabalho hoje existentes, sustentadas numa plataforma sólida e bem co-organizada pelo Agrupamento de Escolas e pela autarquia, onde, de facto, se dignifica o papel do professor. Recentemente tenho frequentado uma acção de formação levada a cabo pela DREC e, inserido numa turma de 25 formandos, tenho podido testemunhar inúmeros casos em que estas actividades são ministradas em condições bem diferentes, para pior, das que por cá se verificam. A avaliação francamente positiva da última acção inspectiva ao funcionamento das AEC no concelho reforça ainda esta minha apreciação pessoal, a de que estamos no caminho certo.
O novo Centro Educativo de Mortágua irá melhorar ainda mais as condições ao dispor dos diversos agentes educativos, reunindo todos estes num mesmo espaço modernizado e dotado do que é necessário e importante para oferecer um serviço de qualidade.
Óptimo! Ganha a comunidade, ganhamos todos: pais, professores e alunos.