sexta-feira, 20 de novembro de 2009

2010 rumo à África do Sul!

17 de Novembro de 1993 e 18 de Novembro de 2009. Dezasseis anos e um dia de diferença marcam duas datas com sabores bem distintos para Carlos Queiroz, o seleccionador nacional de futebol. Na primeira, falhou o apuramento para o campeonato mundial dos Estados Unidos com uma derrota frente à Itália, mas na passada quarta-feira conseguiu finalmente atingir a fase final da prestigiada competição, tendo vencido a batalha frente à selecção da Bósnia-Herzegovina, para gáudio de milhões de portugueses, que vão poder ver a sua selecção em confronto com as melhores, já em Junho do próximo ano.

Foi ao minuto 55 que o jogador Raul Meireles providenciou alguma serenidade às hostes lusas, silenciando o público presente em Zenica, em esmagadora maioria afecto à equipa da casa, que tornou o recinto desportivo num autêntico inferno. As condições eram realmente adversas, com os adeptos a demonstrarem a sua fúria logo desde o momento em que o hino nacional foi entoado, assobiando ruidosamente, tal como faziam sempre que um jogador português se apoderava do esférico. Os bósnios já tinham mostrado a sua má conduta na recepção que fizeram à equipa portuguesa no aeroporto, brindando os jogadores com cuspidelas e impropérios vários, tendo ainda no final do encontro arremessado diversos objectos para o relvado, num claro exercício de mau perder. No entanto, quem efectivamente saiu satisfeito do desafio foram os portugueses, com justiça, pois foram melhores no decorrer dos 180 minutos, muito embora tenham sido imensamente felizes no encontro da primeira-mão, com a bola a embater por três vezes nos ferros da baliza do guardião Eduardo, uma sorte que por várias vezes não quis nada connosco no decorrer da fase de qualificação e, diga-se de verdade, também é necessária, como em tudo na vida.

A qualificação foi suada e, como se tem tornado hábito, foi necessário o auxílio da calculadora para traçar os cenários possíveis, pois Portugal chegou a depender de terceiros para garantir a passagem. Queiroz foi visado pelas críticas nos períodos mais difíceis, com alguns adeptos a pedirem inclusivamente o seu despedimento, nos frustrantes rescaldos de maus momentos, como a derrota em casa frente à Dinamarca, ou a copiosa goleada sofrida num encontro particular frente ao Brasil, por 6-2 (!), mas o seleccionador manteve-se ao leme e conseguiu alcançar o grande objectivo traçado, apesar do elevado grau de dificuldade registado. Na hora da celebração, quis “dar os parabéns aos jogadores, mas também agradecer o apoio de quem sempre acreditou …”, revelando também ironia da mais fina para com os numerosos detractores, que prematuramente condenaram a selecção ao fracasso. Enfim, um desabafo implícito do líder de uma equipa que, no momento chave, revelou grande seriedade e competência, mostrando que de facto merecia um lugar entre as 32 melhores.

Milhares de portugueses e luso-descendentes residentes na África do Sul também celebraram efusivamente o sofrido apuramento para o primeiro mundial de sempre em solo africano, tendo assim a oportunidade de apoiar nos estádios locais a equipa de todos nós. No entanto, não foi só alegria e felicidade que a comitiva trouxe na bagagem, pois a vitória frente à Bósnia trouxe também euros, muitos euros! Segundo a Cision, empresa líder no ramo da análise e monitorização de informação, os patrocinadores da selecção portuguesa de futebol deverão arrecadar cerca de 90 milhões de euros, num retorno financeiro bastante expressivo para as marcas que se associaram à equipa, cujos responsáveis devem estar ainda a esfregar as mãos de contentamento pela (difícil) qualificação. A Federação Portuguesa de Futebol vai ainda encaixar 15 milhões de euros, cinco de prémio de presença e dez dos prémios de objectivos dos patrocinadores, apenas para dar mais um exemplo do impacto económico que a participação num evento desta grandiosidade proporciona.

Agora é hora de dar início aos preparativos para a fase final do campeonato. Queiroz vai ter que preparar muito bem os seleccionados portugueses para os desafios que terão lugar no continente africano, entre Junho e Julho de 2010. O sorteio agendado para o próximo dia 4 de Dezembro porá a equipa das quinas num qualquer grupo que será sempre de grande dificuldade, uma vez que os melhores jogadores das melhores selecções estarão todos presentes, sedentos de glória e vitória, no mais ansiado momento em que a nata do futebol mundial se reúne para a celebração do desporto-rei. “O sonho de uma vida”, como referiu o seleccionador, que lembrou ainda que “as maratonas se correm até ao fim”, uma metáfora que alimenta o tal sonho, reforçado ainda pela provável presença do melhor jogador do mundo de 2008 para a FIFA, Cristiano Ronaldo, estranhamente “ausente” no decorrer da qualificação, onde não conseguiu obter qualquer golo. Jogador fantástico que é, com certeza que quererá também estar à altura do seu estatuto, podendo dar um toque de brilho que poderá faltar para que consigamos obter uma grande conquista. O povo português é conhecido pelo amor que nutre pelo futebol, tendo havido sempre “explosões” de nacionalismo cada vez que a selecção atinge a fase final de uma grande competição. Frente a frente estarão sempre 11 contra 11, logo.. tudo é possível!

domingo, 8 de novembro de 2009

A Cidade e a Vila

Realidades há muitas, e bastante diferentes também, mas o que influenciará de facto as pessoas a escolherem o local onde irão querer viver as suas vidas? No fundo, terá a ver com as prioridades de cada um, e com as expectativas que temos em relação ao meio que nos rodeará, o meio onde nos sentiremos melhor. Nem sempre podemos viver onde desejamos, e muitas das vezes essa opção é tomada em função das oportunidades de emprego que temos, mas no essencial todos optam por conciliar as coisas da melhor maneira possível. Uns preferem deslocar-se todos os dias para o trabalho de carro, outros optam por fixar-se na mesma localidade onde diariamente exercem as suas funções profissionais. Enfim, personalidades distintas, expectativas diferentes. Um dos factores mais importantes que caracterizam as sociedades modernas é a aglomeração da população nos grandes centros urbanos. No entanto, recentemente emergiu um fenómeno inverso, o êxodo urbano. O custo e a qualidade de vida têm levado uma grande quantidade da população a deslocar-se no sentido oposto, das cidades para zonas mais interiores e/ou rurais. Partindo da minha própria perspectiva, vou procurar analisar as vantagens e desvantagens de viver numa cidade ou numa vila, por exemplo.

As cidades são o local preferido para muitos, que apreciam a azáfama natural destes grandes centros, onde as oportunidades são outras, temos uma grande concentração de serviços, havendo uma maior quantidade e diversidade de possibilidades de emprego. São óptimas para os típicos consumistas, uma vez que no fundo temos “tudo à mão”: centros comerciais, hipermercados e uma grande oferta de cultura, com concertos, museus e exposições de todas as espécies. Mas será tudo um mar de rosas? Não me parece! As pessoas que vivem na cidade estão sujeitas a um maior stress, fruto de uma rotina mais rígida, que gera automatismos indesejados. Observando a cidade à distância, quase que podemos analisar o movimento e comportamento das pessoas estabelecendo uma comparação com grandes grupos de uma qualquer espécie animal, pela mecanização, havendo menos destaque à expressão individual. Há mais poluição, que resulta em menos saúde, e muito mais trânsito, logo muito mais tempo perdido nas filas. Há quem perca horas e horas de vida enfiado num carro em engarrafamentos diários! Temos ainda mais criminalidade, e mais assimetrias sociais, vêem-se as pessoas mais ricas lado a lado com as pessoas mais pobres, sendo que a (provável) solidariedade que deveria existir com esta interacção e proximidade é substituída por outro valor, a indiferença. A impessoalidade é quase total, ninguém conhece ninguém.

Partindo da perspectiva do crescimento de uma criança, nos meios mais pequenos ainda se vêem miúdos a jogar à bola, e a andarem juntos de bicicleta; nos grandes centros urbanos estes passam os dias entre a escola e o apartamento, onde jogam nas consolas e navegam na internet. Os pais acabam por ter muito menos tempo para elas, e quando têm normalmente vão para o centro comercial, ou locais semelhantes, sendo recorrente haver crianças que nunca viram como crescem os legumes na horta, ou como vivem os animais numa quinta, por exemplo. É sempre uma análise relativa, mas parece-me que uma criança terá muito mais facilidade em evoluir positivamente num sítio mais calmo e mais ligado à Natureza, menos exposto à marginalidade, com os pais a terem por norma mais tempo para os filhos.

Se considerarmos que qualidade de vida é respirarmos um ar mais puro, termos uma vida mais tranquila, com muito menos stress provocado pelo trânsito e pelas movimentações das massas, por norma agitadas e impacientes, sempre a correr de um lado para o outro para cumprir horários, num contínuo alvoroço, então a melhor opção não será, com certeza, viver numa cidade. Numa vila, por exemplo, temos outro espírito de comunidade, mais pessoal, as pessoas conhecem-se e cumprimentam-se na rua, o que também tem o seu lado negativo para os mais reservados, com a perda do anonimato perde-se também alguma privacidade, como é lógico. Há uma menor concentração de serviços, menos disponibilidade na assistência médica e uma quantidade e diversidade de postos de trabalho mais reduzida.

No entanto, o outro lado da balança pesa mais, na minha óptica. Um local mais tranquilo propicia mais facilmente uma vida mais tranquila. Há outra segurança, e as paisagens são mais naturais, menos alteradas pela mão do Homem, o que vai sendo cada vez mais raro. São locais com um custo de vida mais acessível, e com outra facilidade para a fixação, com terrenos e casas mais baratos, normalmente com impostos mais leves e, em alguns casos, até isenção de taxas de construção de habitação própria, para os casais mais jovens. Estes poderão ainda encontrar um bom ambiente para a educação e sociabilização dos seus filhos, por certo diferente do verificado nas grandes cidades.

Por tudo isto e muito mais, escolhi Mortágua para viver. A proximidade da família e dos amigos também influencia, os laços criados têm obviamente o seu peso, e o que é certo é que aqui se reúnem todas as possibilidades para ter óptimas condições de vida, uma vila dotada de todos os equipamentos necessários e com grande presença da Natureza, e todos os benefícios que dela advêm.

O ser humano é um ser permanentemente insatisfeito, sempre em busca da sua realização, tão difícil de alcançar. Além disso, como todos dizem, a vida é curta, pelo que importa estar com quem gostamos, e onde nos sentimos melhor.

Por tudo isto e muito mais, escolhi Mortágua para viver.