A união faz a força. Parece simples, mas por vezes não é. A vida em sociedade fica mais fácil se entendermos que dependemos uns dos outros para viver melhor. Todos são precisos, todos têm um determinado papel que, melhor ou pior, acabam por cumprir para que tudo funcione, para que as coisas andem para a frente! A mesma linha de pensamento poderá ser tida em conta não apenas pelos membros de uma comunidade específica (pessoas), mas também em relação às comunidades em si (países, por exemplo).
A fundação da União Europeia veio alterar profundamente a forma como os países europeus resolviam os seus problemas antigamente, num passado não tão distante quanto isso. Muito sangue derramado depois, a civilização do velho continente chegou à conclusão que, melhor do que guerrearem-se constantemente, o melhor seria negociarem entre si, algo de impensável até então. Todos “a remar para o mesmo lado” seriam muito mais fortes, e as vantagens dessa união seriam imensas, independentemente de cada membro preservar a sua identidade, como bem ilustra o lema entretanto adoptado, In Varietate Concordia, Unidos na Diversidade. Assim sendo, os estados-membros beneficiam hoje em dia de um mercado livre com uma moeda única, que facilita o comércio e torna-o mais eficiente; a livre circulação de pessoas e bens; a melhoria dos direitos dos trabalhadores; a criação de muitos mais postos de trabalho, e por aí adiante. No entanto, o funcionamento da UE e a sua respectiva esfera de acção tem vindo a adquirir um carácter obsoleto nos tempos mais recentes, as suas competências deixaram de ter o alcance necessário para lidarem com os desafios globais emergentes, como as alterações climáticas ou a recessão económica, até porque o número de países integrantes entretanto também cresceu, logo as exigências também são outras. Impunha-se uma reforma estrutural do organismo, com o objectivo de melhorar o funcionamento do mesmo, o que veio a acontecer com o nascimento de um tratado reformador, o Tratado de Lisboa, que define o novo modelo de organização jurídica e política da UE.
Este importante documento foi assinado no dia 13 de Dezembro de 2007, mas apenas entrou em vigor quase dois anos depois, no dia 1 do corrente mês, após a indispensável ratificação de todos os estados-membros. Em linhas gerais, o tratado tem como principais objectivos tornar a UE mais democrática, eficiente e transparente, permitir que os cidadãos e os parlamentos prestem um contributo mais decisivo para o que se passa a nível europeu e dar à Europa uma voz mais clara e mais forte no mundo, protegendo simultaneamente os interesses de cada nação. No meu entender, esta intencionada nova feição de democracia e abertura está muito bem materializada numa das novidades que o recém-assinado tratado prevê. Trata-se da Nova Iniciativa dos Cidadãos, que permite que estes tenham a possibilidade de enviar uma petição à Comissão Europeia para que esta apresente novas propostas políticas, sendo necessário que reúnam um milhão de assinaturas; o número até poderá aparentar ser elevado, mas perante toda a população europeia e as actuais formas de divulgação e circulação de informação, parece-me uma iniciativa perfeitamente exequível. O tratado em si é extenso e complexo, mas importa acima de tudo sublinhar as vantagens que o tratado traz para o cidadão comum, cuja voz vai mais além e tem outra dimensão no centro das tomadas de decisão. Durão Barroso ilustra-o na perfeição, quando referiu na cerimónia que o Tratado de Lisboa “coloca os cidadãos no centro do projecto europeu”.
Registo com agrado e esperança que o “povo do mundo” seja tido um pouco mais em consideração por quem realmente governa os nossos destinos, aproveitando aqui a deixa para fazer uma ponte para a importantíssima cimeira de Copenhaga, do dia 7 de Dezembro, em que mais uma vez a qualidade do ambiente e a subsequente qualidade de vida dos cidadãos estará em equação, ficando o futuro do planeta nas mãos dos delegados representantes dos 192 países e de um hipotético acordo global. A cientificamente provada insustentabilidade a que a situação chegou terá obrigatoriamente que levar os grandes líderes a chegarem a consensos, sob o risco de hipotecarem até a subsistência da espécie humana dentro de umas centenas de anos, num cenário negro mas não irrealista. Certamente que me debruçarei novamente sobre esta temática tão actual e determinante, neste espaço de opinião, mas aproveito por ora para deixar aqui mais uma preocupada lembrança, a de que o planeta está de facto a aquecer a uma velocidade estonteante, e as alterações climáticas que se vão verificando lançam um sério aviso à população mundial, ou se adoptam medidas drásticas e efectivas para travar esta realidade, numa concertada estratégia global a que nenhum país se poderá alhear, ou estaremos com toda a certeza condenados a assistir ao gradual apodrecimento do nosso habitat e de todas as espécies que nele vivem – nós incluídos.
Que haja esperança na cimeira de Copenhaga, e acima de tudo no bom senso dos seus reputados intervenientes, pois todos juntos serão efectivamente capazes de inverter o anunciado epílogo que toda a negra conjuntura parece projectar. O tempo de agir é agora! Embora esteja pessoalmente confiante num futuro melhor, recentes tomadas de posição e os sempre indissociáveis interesses materiais existentes fazem-me permanecer céptico e expectante, especialmente em relação ao desbloqueio do principal obstáculo a esse tão importante acordo: a forma de financiamento dos mecanismos de redução das emissões de gases estufa e da adaptação dos países em desenvolvimento a esta nova realidade.
A união faz a força. Parece simples, mas por vezes não é.
A fundação da União Europeia veio alterar profundamente a forma como os países europeus resolviam os seus problemas antigamente, num passado não tão distante quanto isso. Muito sangue derramado depois, a civilização do velho continente chegou à conclusão que, melhor do que guerrearem-se constantemente, o melhor seria negociarem entre si, algo de impensável até então. Todos “a remar para o mesmo lado” seriam muito mais fortes, e as vantagens dessa união seriam imensas, independentemente de cada membro preservar a sua identidade, como bem ilustra o lema entretanto adoptado, In Varietate Concordia, Unidos na Diversidade. Assim sendo, os estados-membros beneficiam hoje em dia de um mercado livre com uma moeda única, que facilita o comércio e torna-o mais eficiente; a livre circulação de pessoas e bens; a melhoria dos direitos dos trabalhadores; a criação de muitos mais postos de trabalho, e por aí adiante. No entanto, o funcionamento da UE e a sua respectiva esfera de acção tem vindo a adquirir um carácter obsoleto nos tempos mais recentes, as suas competências deixaram de ter o alcance necessário para lidarem com os desafios globais emergentes, como as alterações climáticas ou a recessão económica, até porque o número de países integrantes entretanto também cresceu, logo as exigências também são outras. Impunha-se uma reforma estrutural do organismo, com o objectivo de melhorar o funcionamento do mesmo, o que veio a acontecer com o nascimento de um tratado reformador, o Tratado de Lisboa, que define o novo modelo de organização jurídica e política da UE.
Este importante documento foi assinado no dia 13 de Dezembro de 2007, mas apenas entrou em vigor quase dois anos depois, no dia 1 do corrente mês, após a indispensável ratificação de todos os estados-membros. Em linhas gerais, o tratado tem como principais objectivos tornar a UE mais democrática, eficiente e transparente, permitir que os cidadãos e os parlamentos prestem um contributo mais decisivo para o que se passa a nível europeu e dar à Europa uma voz mais clara e mais forte no mundo, protegendo simultaneamente os interesses de cada nação. No meu entender, esta intencionada nova feição de democracia e abertura está muito bem materializada numa das novidades que o recém-assinado tratado prevê. Trata-se da Nova Iniciativa dos Cidadãos, que permite que estes tenham a possibilidade de enviar uma petição à Comissão Europeia para que esta apresente novas propostas políticas, sendo necessário que reúnam um milhão de assinaturas; o número até poderá aparentar ser elevado, mas perante toda a população europeia e as actuais formas de divulgação e circulação de informação, parece-me uma iniciativa perfeitamente exequível. O tratado em si é extenso e complexo, mas importa acima de tudo sublinhar as vantagens que o tratado traz para o cidadão comum, cuja voz vai mais além e tem outra dimensão no centro das tomadas de decisão. Durão Barroso ilustra-o na perfeição, quando referiu na cerimónia que o Tratado de Lisboa “coloca os cidadãos no centro do projecto europeu”.
Registo com agrado e esperança que o “povo do mundo” seja tido um pouco mais em consideração por quem realmente governa os nossos destinos, aproveitando aqui a deixa para fazer uma ponte para a importantíssima cimeira de Copenhaga, do dia 7 de Dezembro, em que mais uma vez a qualidade do ambiente e a subsequente qualidade de vida dos cidadãos estará em equação, ficando o futuro do planeta nas mãos dos delegados representantes dos 192 países e de um hipotético acordo global. A cientificamente provada insustentabilidade a que a situação chegou terá obrigatoriamente que levar os grandes líderes a chegarem a consensos, sob o risco de hipotecarem até a subsistência da espécie humana dentro de umas centenas de anos, num cenário negro mas não irrealista. Certamente que me debruçarei novamente sobre esta temática tão actual e determinante, neste espaço de opinião, mas aproveito por ora para deixar aqui mais uma preocupada lembrança, a de que o planeta está de facto a aquecer a uma velocidade estonteante, e as alterações climáticas que se vão verificando lançam um sério aviso à população mundial, ou se adoptam medidas drásticas e efectivas para travar esta realidade, numa concertada estratégia global a que nenhum país se poderá alhear, ou estaremos com toda a certeza condenados a assistir ao gradual apodrecimento do nosso habitat e de todas as espécies que nele vivem – nós incluídos.
Que haja esperança na cimeira de Copenhaga, e acima de tudo no bom senso dos seus reputados intervenientes, pois todos juntos serão efectivamente capazes de inverter o anunciado epílogo que toda a negra conjuntura parece projectar. O tempo de agir é agora! Embora esteja pessoalmente confiante num futuro melhor, recentes tomadas de posição e os sempre indissociáveis interesses materiais existentes fazem-me permanecer céptico e expectante, especialmente em relação ao desbloqueio do principal obstáculo a esse tão importante acordo: a forma de financiamento dos mecanismos de redução das emissões de gases estufa e da adaptação dos países em desenvolvimento a esta nova realidade.
A união faz a força. Parece simples, mas por vezes não é.
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