quinta-feira, 11 de novembro de 2010

A Rede Social

Tive recentemente a oportunidade de assistir ao filme “The Social Network”, dirigido pelo excelente realizador David Fincher, e entendi por bem redigir um pequeno ensaio a propósito do facebook, esse emergente “novo mundo” cibernético que se encontra em plena fase de consolidação na sociedade contemporânea, um pouco por toda a parte. O fenómeno é real, e global, um facto praticamente impossível de refutar quando até a hiper-conservadora rainha Isabel II surge por estes dias nas manchetes por ter também aderido à famosa rede social criada por Mark Zuckerberg, o mais jovem bilionário de sempre. É incontornável pelo menos tentar perceber do que se trata, porque apesar de ser uma plataforma que já reúne a impressionante soma de 500 milhões de utilizadores, torna-se recorrente escutar esta ou aquela voz discordante que, em muitos casos, se manifesta a propósito apenas com essa mesma intenção: discordar. Desconfiados por natureza, e desconfortáveis com a massificação entretanto alcançada, preferem claramente “negar à partida uma ciência que desconhecem”, optando por relevar todos os malefícios que dali poderão advir. Apesar de como é evidente respeitar todas as tomadas de posição em relação ao assunto, interessa-me explorar a questão, até para desmistificar algumas ideias feitas, muitas destas de conteúdo erróneo. É que lá está, como tudo na vida, temos que experimentar para conhecer.

O famoso facebook é uma ferramenta de interacção social com múltiplas possibilidades e utilizações. Quem adere começa por criar um perfil que irá conter apenas a informação que cada um desejar tornar pública; informação escrita, como dados pessoais, notas, textos, ensaios; informação audiovisual, como fotografias, vídeos, músicas ou apresentações. Tudo o que é publicado é da exclusiva responsabilidade do utilizador. Consequentemente, este cria a sua rede privada, convidando outros utilizadores para a integrarem ou aceitando pedidos de outros que intentam o mesmo fim. A visualização dos dados detalhados de cada membro é restrita aos elementos que compõem a tal rede. Assim, todos os membros que integram a rede privada são da exclusiva responsabilidade do utilizador. Tudo é 100% configurável, 100% controlado. Este aspecto é que é determinante salientar, o absoluto livre arbítrio de cada um, que desvirtua logo a tal pré-conceptualização céptica da “falta de privacidade”. No fundo, é uma “treta”, pois cada um expõe exactamente o que deseja permitir ver aos outros membros que integram a nossa rede com o nosso consentimento, logo acaba por ser uma não questão. É exactamente como na vida pessoal de cada um, onde só entregamos e “abrimos” verdadeiramente o nosso íntimo a quem queremos, e da forma que queremos, sabido que é que somos donos e senhores de nós próprios, e sabendo ainda que é a conduta de cada um perante a vida que estabelece aquilo que somos aos olhos dos que nos rodeiam. La Palice, é certo, mas convém relembrar, sempre com o objectivo de apelar à reflexão, que muitas vezes inexiste. A rede social é potencialmente “perigosa”, sem dúvida alguma, mas depende em exclusivo do tipo de utilização que lhe é empregue. Não se deve divulgar demasiada informação pessoal, mas disso tem noção qualquer indivíduo lúcido e consciente. No entanto, torna-se de natureza fundamental acompanhar crianças e adolescentes que nos são próximos, como filhos ou familiares, de forma a elucidá-los devidamente para todos os riscos que poderão correr, pois quaisquer situações de coerção, vulgo cyber-bullying, podem e devem ser evitadas pela via da prevenção. Adultos impulsivos e pouco ponderados poderão também incorrer em situações delicadas por acção própria, mas também não será exactamente assim na “vida real”? Voyeurismo, coacção, hipocrisia, intriguismo e até potenciais atitudes criminosas fazem parte da natureza humana em comunidade, característica do “animal social”, pelo que basta sermos absolutamente prudentes e responsáveis na rede.. tal como somos na vida.

Procurando dissertar sobre o fenómeno sob outro prisma, o que será que atrai tanto um facebooker? Muitas coisas mesmo, dependerá sempre do perfil de cada um, e das suas expectativas, naturalmente. Utilizado na proporção certa e com os devidos cuidados, a rede acaba por ser uma poderosa ferramenta de divulgação, nos planos pessoal e profissional. No primeiro pela interacção, pelo simples facto de aproximar as pessoas independentemente da distância a que se encontram, e eu sou a favor de tudo o que aproxime as pessoas. No segundo pelo marketing, que bem planeado e posteriormente executado acaba por trazer grande visibilidade a quem decide lançar o seu negócio ou serviço na rede. Sem margem para dúvidas. Com a incrível expansão de pessoas e empresas no facebook, as oportunidades multiplicam-se. Tendo em conta a sociedade actual de informação em que vivemos, e em comparação com o verdadeiro “autismo” em que vivia a população do século passado, em que as notícias fluíam essencialmente através de estafetas, à “velocidade da voz”, é caso para perguntar: qual o real valor desta plataforma? É imenso! Pessoas e empresas têm a possibilidade de se darem a conhecer ao mundo inteiro com pouca dificuldade, e de forma totalmente gratuita.

Até a própria classe política já percebeu que se pode chegar a muita gente com toda a rapidez e facilidade, e não menos importante em tempos de crise, de uma forma económica. A nível nacional mas também a nível local, já se percebeu que o facebook possibilita uma espécie de interacção que pode ter uma influência decisiva nas pessoas, exactamente por estar perto delas, pertíssimo. Através das posições defendidas e dos interesses e preferências manifestados, as pessoas aproximam-se ou afastam-se, tal e qual como na “vida real”. Dinamizam-se debates sobre as mais variadas temáticas. Trabalha-se a imagem, co-constrói-se uma reputação, luta-se pela popularidade. É tudo uma questão de objectivos e expectativas. E acima de tudo oportunidades. A título de exemplo, uma pessoa desempregada pode divulgar o seu currículo e obter muito mais visibilidade, multiplicando as hipóteses de eventuais ofertas que possam surgir a nível profissional. Aproveito também para lançar a sugestão às empresas locais para se lançarem na rede, porque não? Poderão assim promover os seus produtos ou eventos de forma gratuita, chegando a um grande número de pessoas. A maior parte já o faz, para quê ficar para trás? Em todos os sectores, está um “mundo” lá fora à distância de um “click”, e é lógico que quem não arrisca não poderá depois colher dividendos, a todos os níveis. Uma estratégia de marketing bem planeada e direccionada poderá revelar-se bastante profícua e dar um “empurrão” ao seu negócio, sem dúvida alguma.

Já no plano pessoal, a possibilidade de encontrar velhos amigos e colegas é enorme, o que permite reaproximações que se podem revelar verdadeiramente gratificantes, quem já o experimentou sabe do que escrevo. O contacto permanente e imediato que familiares afastados podem estabelecer também é um aspecto muito positivo, ajuda a combater o isolamento e a solidão que milhares de quilómetros de distância conferem a quem tem saudades de casa e dos seus, quem já o experimentou sabe do que escrevo.

Passada a Era Industrial, estamos agora perante a Era da Informação, e o facebook acaba por ser um pequeno “aroma” da realidade futurista que os tempos vindouros nos reservam.

“Gosto”

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