Após um complicado processo de apuramento definitivo dos resultados eleitorais, o país assistiu no passado dia 21 de Junho às cerimónias de tomada de posse do XIX Governo Constitucional, a coligação PSD/CDS liderada por Pedro Passos Coelho. Invariavelmente, o momento solene consistiu nas tradicionais juras de cumprimento de tarefas designadas por parte de cada um dos membros do novo Executivo, o mais pequeno desde Abril de 74, além dos habituais discursos do todo-poderoso Presidente da República e do novo Primeiro-Ministro empossado. De uma forma geral pode concluir-se que estão em perfeita sintonia, tendo ambos proferido orações convergentes de cariz programático, destacando a urgência do momento e a imperiosa necessidade de “não falhar”. Cavaco exigiu “solidez e consistência” à coligação governativa, Passos Coelho prometeu um “pacto de confiança” e o seu empenhamento total na resolução dos delicados imbróglios com que se depara o país, contando para isso com a imprescindível colaboração da equipa que formou. A “mudança” garantida pelo vencedor das últimas legislativas começa gradualmente a ganhar forma, traduzindo no sentimento do português comum um misto de desconfiança e de fé, que o futuro rapidamente começará a melhor definir. Conseguirá o novo Governo regenerar positivamente o Estado e restaurar a confiança dos cidadãos numa Democracia cada vez mais corroída e desacreditada? Não será tarefa fácil, mas os dados estão lançados com promessas de transparência, contenção e rigor, valores que terão impreterivelmente que ser aplicados numa governação que terá que dar a entender ao país que há uma contrapartida aos sacrifícios que lhe serão exigidos. A próxima legislatura tem há muito um programa bem definido com medidas duras que terão inevitavelmente de ser impostas, um programa acordado entre a “troika” partidária nacional e a “troika” das instituições internacionais que trará com certeza delicadas implicações sociais que terão que ser atenuadas, sob o risco de gerar grandes convulsões como as que temos assistido na problemática Grécia, cujo desfecho permanece ainda imprevisível.
Passos Coelho diz que as prioridades são claras, e passam por “estabilizar as finanças, socorrer os mais necessitados e fazer crescer a economia e o emprego”. Para isso, formou uma equipa de 11 ministros com algum défice de experiência política e governativa, mas com inequívoco prestígio técnico e académico. Antes de mais, sublinhe-se o corte geracional com o passado, dada a juventude do elenco, e a presença de bastantes independentes, sendo que o PSD dispõe apenas de mais um ministro do que o CDS. São, no entanto, pessoas da confiança de Passos Coelho e com provas dadas na sociedade civil, onde se destacaram claramente nas suas áreas. As escolhas do novo Primeiro-Ministro necessitarão de tempo para colocar em prática as novas políticas, sendo que, estou em crer, todos estarão cientes da responsabilidade que este momento crucial lhes acarreta no cumprimento das suas funções. Da minha parte terão um prudente benefício de dúvida e um forte desejo de bom trabalho, um bom trabalho que se pretende direccionado para o povo e para as suas necessidades mais prementes. Haja fé no futuro!
Por outro lado, a eleição em sede parlamentar do novo Presidente da Assembleia da República assumiu contornos absolutamente deliciosos. Cabeça de lista do PSD pelo círculo eleitoral de Lisboa, o isento e absolutamente insuspeito Fernando Nobre teve dois momentos inolvidáveis da sua ainda curta carreira política, mas que consagra já apontamentos históricos. O Parlamento rejeitou pela primeira vez desde sempre o candidato a presidente proposto pelo partido maioritário, a escolha pessoal (e eleitoralista, com toda a certeza…) de Passos Coelho. Mais, rejeitou-o duas vezes. Nobre é, de facto, um predestinado, pois conseguiu em dobro aquilo que nunca ninguém tinha alcançado, o que atesta conclusivamente todo o (des)crédito que a sua figura encerra. O verdadeiro “candidato suprapartidário” às últimas presidenciais; o apoiante convicto do Bloco de Esquerda nas últimas europeias por se “identificar com as suas políticas”; o verdadeiro representante do movimento cívico com ancestrais ligações a destacados membros do Partido Socialista. Uma verdadeira “Maria-vai-com-todos”, que tanto e tão mal já verberou contra a política e os políticos portugueses, mas não se fica por aqui no seu cada vez mais promissor discurso contraditório. É mais forte que ele! Numa entrevista ao Expresso em Abril passado, sublinhou: “se, seja por que razão for, não puder ser nomeado presidente da Assembleia, renuncio imediatamente ao mandato de deputado. Não serei só um deputado”. A personagem prestigiada e de grande “coerência” provou mais uma vez que o valor das suas palavras está longe de se revelar na integridade da sua conduta, dado que será mesmo “só um deputado”. Enfim.. “noblesse oblige”! Largas serão as franjas de eleitores profundamente desiludidos com esta figura, que de forma cínica e populista um dia os conseguiu convencer. Pobre Nobre, bastou constatar a sua pequenez no momento da revelação da vontade do Parlamento: uma criatura só, atónita e decerto que profundamente embaraçada com o absurdo da sua desmesurada e surreal ambição.
No entanto, há mesmo “males que vêm por bem”, pois a segunda escolha do PSD foi objecto de grande consenso na eleição que se seguiu. Outro momento histórico, pois nunca uma mulher tinha sido eleita para um cargo político tão elevado como Assunção Esteves, cuja seriedade, competência e sentido de Estado foram profundamente reconhecidos e deferidos por todas as bancadas parlamentares. Uma vitória da paridade e uma verdadeira lufada de ar fresco na Assembleia da República, agora presidida por uma mulher a que de forma global todos enaltecem a isenção e coerência de pensamento, e que já prometeu exercer o cargo com a “natureza não partidária” que este justifica. Saúdo vivamente este “volte face”, que traz também uma nova esperança para a qualidade da nossa Democracia.
Haja fé no futuro!
Passos Coelho diz que as prioridades são claras, e passam por “estabilizar as finanças, socorrer os mais necessitados e fazer crescer a economia e o emprego”. Para isso, formou uma equipa de 11 ministros com algum défice de experiência política e governativa, mas com inequívoco prestígio técnico e académico. Antes de mais, sublinhe-se o corte geracional com o passado, dada a juventude do elenco, e a presença de bastantes independentes, sendo que o PSD dispõe apenas de mais um ministro do que o CDS. São, no entanto, pessoas da confiança de Passos Coelho e com provas dadas na sociedade civil, onde se destacaram claramente nas suas áreas. As escolhas do novo Primeiro-Ministro necessitarão de tempo para colocar em prática as novas políticas, sendo que, estou em crer, todos estarão cientes da responsabilidade que este momento crucial lhes acarreta no cumprimento das suas funções. Da minha parte terão um prudente benefício de dúvida e um forte desejo de bom trabalho, um bom trabalho que se pretende direccionado para o povo e para as suas necessidades mais prementes. Haja fé no futuro!
Por outro lado, a eleição em sede parlamentar do novo Presidente da Assembleia da República assumiu contornos absolutamente deliciosos. Cabeça de lista do PSD pelo círculo eleitoral de Lisboa, o isento e absolutamente insuspeito Fernando Nobre teve dois momentos inolvidáveis da sua ainda curta carreira política, mas que consagra já apontamentos históricos. O Parlamento rejeitou pela primeira vez desde sempre o candidato a presidente proposto pelo partido maioritário, a escolha pessoal (e eleitoralista, com toda a certeza…) de Passos Coelho. Mais, rejeitou-o duas vezes. Nobre é, de facto, um predestinado, pois conseguiu em dobro aquilo que nunca ninguém tinha alcançado, o que atesta conclusivamente todo o (des)crédito que a sua figura encerra. O verdadeiro “candidato suprapartidário” às últimas presidenciais; o apoiante convicto do Bloco de Esquerda nas últimas europeias por se “identificar com as suas políticas”; o verdadeiro representante do movimento cívico com ancestrais ligações a destacados membros do Partido Socialista. Uma verdadeira “Maria-vai-com-todos”, que tanto e tão mal já verberou contra a política e os políticos portugueses, mas não se fica por aqui no seu cada vez mais promissor discurso contraditório. É mais forte que ele! Numa entrevista ao Expresso em Abril passado, sublinhou: “se, seja por que razão for, não puder ser nomeado presidente da Assembleia, renuncio imediatamente ao mandato de deputado. Não serei só um deputado”. A personagem prestigiada e de grande “coerência” provou mais uma vez que o valor das suas palavras está longe de se revelar na integridade da sua conduta, dado que será mesmo “só um deputado”. Enfim.. “noblesse oblige”! Largas serão as franjas de eleitores profundamente desiludidos com esta figura, que de forma cínica e populista um dia os conseguiu convencer. Pobre Nobre, bastou constatar a sua pequenez no momento da revelação da vontade do Parlamento: uma criatura só, atónita e decerto que profundamente embaraçada com o absurdo da sua desmesurada e surreal ambição.
No entanto, há mesmo “males que vêm por bem”, pois a segunda escolha do PSD foi objecto de grande consenso na eleição que se seguiu. Outro momento histórico, pois nunca uma mulher tinha sido eleita para um cargo político tão elevado como Assunção Esteves, cuja seriedade, competência e sentido de Estado foram profundamente reconhecidos e deferidos por todas as bancadas parlamentares. Uma vitória da paridade e uma verdadeira lufada de ar fresco na Assembleia da República, agora presidida por uma mulher a que de forma global todos enaltecem a isenção e coerência de pensamento, e que já prometeu exercer o cargo com a “natureza não partidária” que este justifica. Saúdo vivamente este “volte face”, que traz também uma nova esperança para a qualidade da nossa Democracia.
Haja fé no futuro!
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