No passado dia 6 do corrente mês houve uma pequena manifestação em Lisboa que surgiu com objectivos de protesto contra os chamados “touros de fogo”. Se o leitor, como eu, for um pouco mais leigo nestas matérias, fique desde já informado que se trata de uma recente e inovadora variante na actividade tauromáquica, numa versão digamos que… pirotécnica. Para gáudio da fanática falange de entusiastas, o animal é solto na arena com material inflamável preso aos cornos, quem sabe se para “incendiar” um pouco mais a ira da multidão que assiste com delícia à mestria sanguinária do “artista”, que para muitos não será mais do que um desprezável carrasco. Salvaguardadas as distâncias, e invertendo o papel dos “actores” de um teatro que me deixa algumas dúvidas sobre quem será o verdadeiro animal, parece-me que quaisquer semelhanças com o brutalíssimo espectáculo promovido antigamente em Roma pelo insano Imperador Nero não serão uma mera “coincidência”. A leitura da notícia da referida “manif” despertou-me a atenção e motivou-me para abordar o tema de uma perturbadora realidade que (ainda) caracteriza alguma da sociedade contemporânea. Como em todas as discussões que envolvam diferentes pontos de vista, importa analisar alguns da argumentação “pró”, a que procura justificar por todos os meios uma prática no meu entender profundamente injustificável.
“As touradas são uma tradição antiga e por isso devem ser respeitadas, defendidas e perpetuadas.” Posso aceitar que sejam encaradas como uma “tradição”, com origem em tempos antigos, em que as mentalidades e os modos de vida eram significativamente diferentes dos actuais, sendo que por norma com o tempo o Homem tem a tendência de aperfeiçoar-se e de desenvolver a sua forma de estar e de pensar… não será isso evoluir? Se não fosse assim ainda hoje a Escravatura não teria sido abolida, por exemplo, mas tal aconteceu porque, de facto… evoluímos. Espero sinceramente que um dia a tourada seja estudada da mesma forma na escola, sem saudade.
“O touro não sofre com o que lhe é feito na arena.” Como?! Ninguém poderá afirmar categoricamente que o animal “não sofre”, dado que se trata de um mamífero que, como todos os outros, é dotado de um sistema nervoso central que lhe permite a capacidade para sentir dor, ansiedade, medo e sofrimento. Se atentarmos aos sinais exteriores revelados na arena, rapidamente concluídos que o touro não considerará, com toda a certeza, o espectáculo “agradável”, ou sequer que seja “indiferente” a ele. São inúmeros os hediondos vídeos que existem para o sustentar, películas de autêntico terror que revelam uma agonia que é, de facto, brutal. A palavra é mesmo essa.
“A arte de tourear é tão bela que seria uma pena perdê-la”. A “arte” em questão pode de facto ser considerada bonita, de mérito técnico e artístico, mas perde desde logo toda a sua legitimidade por implicar directamente o sofrimento físico e psicológico de um animal. Enfrentar touros numa arena é um acto de grande coragem para muitos, mas para aqueles que sentem o mínimo respeito e lástima por animais é um acto da mais desonrosa covardia.
Dificilmente se muda a opinião de um fervoroso adepto tauromáquico, pois esta surge adquirida por via da educação, e a razão acaba por pouco ou nada influenciar. Dizia Schopenhauer que “a compaixão pelos animais está intimamente ligada à bondade de carácter, e pode ser seguramente afirmado que quem é cruel com os animais não pode ser um bom homem.” Talvez seja isso mesmo que falte aos indefectíveis de tão horroroso espectáculo… coração.
“Arte”? “Cultura”? A crueldade não é arte… e a tortura não é cultura!
“As touradas são uma tradição antiga e por isso devem ser respeitadas, defendidas e perpetuadas.” Posso aceitar que sejam encaradas como uma “tradição”, com origem em tempos antigos, em que as mentalidades e os modos de vida eram significativamente diferentes dos actuais, sendo que por norma com o tempo o Homem tem a tendência de aperfeiçoar-se e de desenvolver a sua forma de estar e de pensar… não será isso evoluir? Se não fosse assim ainda hoje a Escravatura não teria sido abolida, por exemplo, mas tal aconteceu porque, de facto… evoluímos. Espero sinceramente que um dia a tourada seja estudada da mesma forma na escola, sem saudade.
“O touro não sofre com o que lhe é feito na arena.” Como?! Ninguém poderá afirmar categoricamente que o animal “não sofre”, dado que se trata de um mamífero que, como todos os outros, é dotado de um sistema nervoso central que lhe permite a capacidade para sentir dor, ansiedade, medo e sofrimento. Se atentarmos aos sinais exteriores revelados na arena, rapidamente concluídos que o touro não considerará, com toda a certeza, o espectáculo “agradável”, ou sequer que seja “indiferente” a ele. São inúmeros os hediondos vídeos que existem para o sustentar, películas de autêntico terror que revelam uma agonia que é, de facto, brutal. A palavra é mesmo essa.
“A arte de tourear é tão bela que seria uma pena perdê-la”. A “arte” em questão pode de facto ser considerada bonita, de mérito técnico e artístico, mas perde desde logo toda a sua legitimidade por implicar directamente o sofrimento físico e psicológico de um animal. Enfrentar touros numa arena é um acto de grande coragem para muitos, mas para aqueles que sentem o mínimo respeito e lástima por animais é um acto da mais desonrosa covardia.
Dificilmente se muda a opinião de um fervoroso adepto tauromáquico, pois esta surge adquirida por via da educação, e a razão acaba por pouco ou nada influenciar. Dizia Schopenhauer que “a compaixão pelos animais está intimamente ligada à bondade de carácter, e pode ser seguramente afirmado que quem é cruel com os animais não pode ser um bom homem.” Talvez seja isso mesmo que falte aos indefectíveis de tão horroroso espectáculo… coração.
“Arte”? “Cultura”? A crueldade não é arte… e a tortura não é cultura!
Sem comentários:
Enviar um comentário