Ainda há bem pouco tempo S. Pedro nos fustigava com repetitivos dias curtos e cinzentos, pautados por céus repletos de nuvens carregadas com esse bem precioso que é a água, capaz de gerar ódios nas pessoas quando insistentemente se precipita sobre as nossas cabeças, mas também capaz de gerar em nós um justificado contentamento, quando após dias e semanas de prolongada seca surge como que um verdadeiro oásis, para rejúbilo de todos nós que conscientemente temos noção do seu imenso e imprescindível valor. Entretanto, as nuvens dissiparam-se e deram-nos algumas tréguas, abrindo caminho ao tão adorado Sol e aos seus resplandecentes raios, que nos aquecem, iluminam e tornam os dias maiores e mais bem-dispostos, neste tão aguardado momento do ano em que nem a Natureza se furta a acompanhar-nos nesta alegre e verdejante transição sazonal: está a chegar o Verão!
Acaba uma fase para dar lugar a outra, e é inevitável que assim seja sempre, porque tudo na vida tem o seu tempo. Crianças, adolescentes e jovens adultos passam também por estas alturas por momentos de grandes transformações e redefinições nos seus percursos, com o encerramento do ano lectivo e, em muitos casos, de um inteiro ciclo de aprendizagens e convivências que agora termina. Lembro-me por exemplo do momento da conclusão do 12º ano, e tão marcante que este se revela na continuação da construção da personalidade do indivíduo, pela grande decisão que tomará e que se estenderá por toda a sua existência no plano profissional, mas também pelo culminar de um trajecto tão especial, onde se desenvolveram muitos relacionamentos, sentimentos e experiências, onde se cultivaram amizades, intimidades e companheirismos para a vida toda. Se muitos se candidatam ao ensino superior para poderem alcançar uma maior qualificação que lhes permita um futuro melhor, também não é menos verdade que muitos passam de imediato para o mundo do trabalho, uns por opção e outros por impossibilidade ou infeliz necessidade. Mais tarde ou mais cedo, é certo que todos acabam por encerrar esse tão importante capítulo de estudante, para muitos das melhores fases da vida, sendo que também este ciclo terá forçosamente que ter um fim, porque tudo na vida tem o seu tempo.
Há relativamente pouco tempo alguém me disse “a vida está para ti”, e se no momento devo ter esboçado uma qualquer reacção superficial e pouco reflectida do género “está, está..”, como que refutando o meu interlocutor com um sorriso meio embaraçado, a verdade é que a frase mexeu comigo e me deixou a pensar numa série de diferentes vivências, transições e realidades. Cada vez mais me convenço que devemos aproveitar ao máximo o agora, que em breve não volta, só deixa a saudade. Além disso, também considero que nunca devemos esquecer daquilo que é realmente importante. Viver. Alimentar as nossas paixões e o que nos dá prazer. A vida não é só coisas boas e episódios bons, pelo que nos resta valorizar e usufruir de todos aqueles momentos especiais que um dia recordaremos com agradável lembrança. Tal como em relação a pessoas que nos marcaram profundamente e em relação às quais nos teremos inevitavelmente que separar um dia, por uma razão ou outra, pois tudo é cíclico. Tudo é cíclico, por mais complicado que por vezes possa ser, e julgo que o devemos encarar com toda a naturalidade possível, restando-nos sempre olhar em frente e de cabeça erguida, até ao fim. Independentemente de tudo de bom ou de mau que possa acontecer, a nossa “casca” vai sempre enrijecendo, e em boa verdade ficamos todos os dias mais fortes do que nos anteriores. Daí a importância do controlo emocional, no sentido de permanecermos positivamente fiéis ao imediato, confiantes, sem grandes projecções de longo prazo que possam redundar em fracasso, por esta ou aquela razão. Uma forma simples de combatermos eventuais pessimismos de um ponto de vista optimista. Um passo de cada vez, vivendo um dia após o outro, o que não significa que não se estabeleçam metas e objectivos. Para quê sofrer por antecipação? Nos tempos complicados que correm não é fácil anteverem-se cenários cor-de-rosa, pelo que nos resta trabalhar sempre, fazer pela vida, pela nossa e pela dos que nos rodeiam. Imperativo torna-se ainda nunca descurar a fruição do instante, sem reservas preconceituosas ou de natureza hesitante, dado que a vida é efémera, e muitos são os exemplos daqueles que pura e simplesmente a deixam passar.
A sequência criança/adolescente/adulto/idoso é fugaz, a memória é que faz o indivíduo. O que pareceu ontem já foi há imensos anos atrás, o relógio não pára. Nunca. Daí a necessidade de darmos sentido às coisas e às pessoas, por isso os “nossos” se tornam tão importantes. “A vida está para ti”. Será? Recorrentemente me lembro de um filme em que o professor de um colégio interno se dirige aos alunos e apela-lhes gloriosamente numa lógica de Carpe Diem: “Aproveitem o dia rapazes, tornem as vossas vidas extraordinárias”. Fantástica filosofia, que procuro recordar sempre que me sinto a entorpecer, ou quando me pareço apenas mais um. Temos tempo para experimentar tudo, também para sabermos o que queremos ser, e ter. Devemos no entanto ter noção dos perigos que eventualmente poderemos correr, sem nunca nos entregarmos de corpo e alma a algo que saibamos de antemão que poderá causar-nos sérios transtornos, a nós ou aos “nossos”. Da melhor maneira possível, vivendo tudo o que pudermos, mas com conta, peso e medida. Já dizia um artista, “nunca vamos sobreviver se não formos um pouco loucos”. Será talvez a mais complexa de todas as ciências: saber viver. Sentimentos comuns a todos, mas únicos dentro de cada um de nós.
O momento é este, a vida está para nós todos. Tudo tem o seu tempo, e o nosso é agora.
Acaba uma fase para dar lugar a outra, e é inevitável que assim seja sempre, porque tudo na vida tem o seu tempo. Crianças, adolescentes e jovens adultos passam também por estas alturas por momentos de grandes transformações e redefinições nos seus percursos, com o encerramento do ano lectivo e, em muitos casos, de um inteiro ciclo de aprendizagens e convivências que agora termina. Lembro-me por exemplo do momento da conclusão do 12º ano, e tão marcante que este se revela na continuação da construção da personalidade do indivíduo, pela grande decisão que tomará e que se estenderá por toda a sua existência no plano profissional, mas também pelo culminar de um trajecto tão especial, onde se desenvolveram muitos relacionamentos, sentimentos e experiências, onde se cultivaram amizades, intimidades e companheirismos para a vida toda. Se muitos se candidatam ao ensino superior para poderem alcançar uma maior qualificação que lhes permita um futuro melhor, também não é menos verdade que muitos passam de imediato para o mundo do trabalho, uns por opção e outros por impossibilidade ou infeliz necessidade. Mais tarde ou mais cedo, é certo que todos acabam por encerrar esse tão importante capítulo de estudante, para muitos das melhores fases da vida, sendo que também este ciclo terá forçosamente que ter um fim, porque tudo na vida tem o seu tempo.
Há relativamente pouco tempo alguém me disse “a vida está para ti”, e se no momento devo ter esboçado uma qualquer reacção superficial e pouco reflectida do género “está, está..”, como que refutando o meu interlocutor com um sorriso meio embaraçado, a verdade é que a frase mexeu comigo e me deixou a pensar numa série de diferentes vivências, transições e realidades. Cada vez mais me convenço que devemos aproveitar ao máximo o agora, que em breve não volta, só deixa a saudade. Além disso, também considero que nunca devemos esquecer daquilo que é realmente importante. Viver. Alimentar as nossas paixões e o que nos dá prazer. A vida não é só coisas boas e episódios bons, pelo que nos resta valorizar e usufruir de todos aqueles momentos especiais que um dia recordaremos com agradável lembrança. Tal como em relação a pessoas que nos marcaram profundamente e em relação às quais nos teremos inevitavelmente que separar um dia, por uma razão ou outra, pois tudo é cíclico. Tudo é cíclico, por mais complicado que por vezes possa ser, e julgo que o devemos encarar com toda a naturalidade possível, restando-nos sempre olhar em frente e de cabeça erguida, até ao fim. Independentemente de tudo de bom ou de mau que possa acontecer, a nossa “casca” vai sempre enrijecendo, e em boa verdade ficamos todos os dias mais fortes do que nos anteriores. Daí a importância do controlo emocional, no sentido de permanecermos positivamente fiéis ao imediato, confiantes, sem grandes projecções de longo prazo que possam redundar em fracasso, por esta ou aquela razão. Uma forma simples de combatermos eventuais pessimismos de um ponto de vista optimista. Um passo de cada vez, vivendo um dia após o outro, o que não significa que não se estabeleçam metas e objectivos. Para quê sofrer por antecipação? Nos tempos complicados que correm não é fácil anteverem-se cenários cor-de-rosa, pelo que nos resta trabalhar sempre, fazer pela vida, pela nossa e pela dos que nos rodeiam. Imperativo torna-se ainda nunca descurar a fruição do instante, sem reservas preconceituosas ou de natureza hesitante, dado que a vida é efémera, e muitos são os exemplos daqueles que pura e simplesmente a deixam passar.
A sequência criança/adolescente/adulto/idoso é fugaz, a memória é que faz o indivíduo. O que pareceu ontem já foi há imensos anos atrás, o relógio não pára. Nunca. Daí a necessidade de darmos sentido às coisas e às pessoas, por isso os “nossos” se tornam tão importantes. “A vida está para ti”. Será? Recorrentemente me lembro de um filme em que o professor de um colégio interno se dirige aos alunos e apela-lhes gloriosamente numa lógica de Carpe Diem: “Aproveitem o dia rapazes, tornem as vossas vidas extraordinárias”. Fantástica filosofia, que procuro recordar sempre que me sinto a entorpecer, ou quando me pareço apenas mais um. Temos tempo para experimentar tudo, também para sabermos o que queremos ser, e ter. Devemos no entanto ter noção dos perigos que eventualmente poderemos correr, sem nunca nos entregarmos de corpo e alma a algo que saibamos de antemão que poderá causar-nos sérios transtornos, a nós ou aos “nossos”. Da melhor maneira possível, vivendo tudo o que pudermos, mas com conta, peso e medida. Já dizia um artista, “nunca vamos sobreviver se não formos um pouco loucos”. Será talvez a mais complexa de todas as ciências: saber viver. Sentimentos comuns a todos, mas únicos dentro de cada um de nós.
O momento é este, a vida está para nós todos. Tudo tem o seu tempo, e o nosso é agora.
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