Um rectângulo, uma bola e onze homens para cada lado. Para algumas pessoas não passará disto mesmo, mas a verdade é que o futebol consegue gerar um turbilhão de sentimentos como mais nenhum desporto, o verdadeiro ópio do povo, capaz de mover nações inteiras, fazendo por momentos “esquecer” crises, conflitos e dificuldades várias, juntando todos em torno de uma só paixão: a bola. Não sendo excepção da regra, resolvi debruçar-me sobre esta temática nesta edição, dado que decorre presentemente a maior das competições do desporto-rei. A maior, mas não necessariamente a melhor, uma vez que a qualidade do futebol praticado tem deixado um pouco a desejar por vezes, e não será menos pertinente lembrar a esse propósito que dificilmente se reúne tanto valor individual e colectivo num grupo de seleccionados de um país como num clube de grande prestígio e dimensão económica, apesar de algumas excepções. Num exercício de comparação com a Liga dos Campeões, a intensidade e o nível são outros, muito embora todo o jogador ambicione disputar um Mundial, sonhando com o lugar mais alto do pódio, privilégio reservado a um número muito restrito de atletas. Diferenças à parte, são os dois eventos de maior requinte futebolístico, sem dúvida alguma, mas atentemos à primeira competição que referi, e que tanta surpresa nos tem causado, a começar pela eliminação precoce da Itália e da França, habituais candidatas.
A nossa selecção, entretanto, chegou a África cheia de ambições e sonhos imensos. Uma selecção verdadeiramente candidata, diriam alguns, liderada por um Cristiano Ronaldo que de líder tem pouco, digo eu. Entrámos na competição num prestigiante terceiro lugar do ranking FIFA, mas acabámos por ser afastados por “nuestros hermanos” nos oitavos de final, sem apelo nem agravo, de forma justa, friamente analisando, pois a Espanha foi melhor. O grande problema deste resultado nem terá sido a derrota em si, mas a nossa dificuldade em digeri-la. Calaram-se as “vuvuzelas” nacionais no final desse desafio. É preciso saber perder também, não apenas ganhar, até porque não se pode sempre vencer. Uma lição aparentemente simples mas que parece não ter sido ainda interiorizada pelo nosso capitão, melhor jogador do mundo em 2008. Após promessas de “explosão” no torneio, a triste realidade é que nunca o jogador esteve lá quando a equipa precisou dele, acabando mesmo por protagonizar uma cena deplorável, e acima de tudo evitável, no final do derradeiro encontro, incapaz de controlar o seu assombroso mau perder, em imagens que correram mundo. Possesso, questionou a autoridade do seleccionador Queiroz e chegou ainda a apontá-lo directamente, quando confrontado sobre de quem seria a responsabilidade do afastamento. Enfim.. no fundo perderam todos, não apenas o treinador por ter tido pouca coragem em momentos chave, nem somente também a figura de proa da selecção, apesar do modestíssimo desempenho. Todos perderam.
No conjunto, fomos efectivamente inferiores a uma grande equipa, provavelmente a mais séria candidata a vencer o Campeonato Mundial, juntando-o ao Europeu conquistado há dois anos atrás. Uma Espanha que mais parece um verdadeiro carrossel a jogar futebol, com uma circulação de bola absolutamente fantástica, numa dinâmica táctica e técnica quase impossível de superar, dado que é tão eficaz nas transições e ocupação de espaços que torna complicadíssimo a qualquer equipa adversária impor o seu jogo. Sem pontos fracos, com um meio-campo deslumbrante e dois avançados de grande qualidade, é na minha opinião a maior candidata a alcançar o ceptro mais desejado, mas já se sabe que tudo se decide no relvado, dentro das quatro linhas, e será essa também uma das principais premissas da magia em que o futebol nos envolve: a sua imprevisibilidade, dado que tudo pode acontecer. É na realidade um fantástico e apaixonante desporto, caracterizador até da cultura de uma região, ou de um país. Como o nosso, Portugal, um país que ama realmente o futebol. Eu alinho pelo mesmo diapasão, indefectivelmente, muito embora considere aberrante o vencimento dos futebolistas, que ultrapassa mesmo o limite do razoável, e nunca é demais lembrar. Por dia, cada jogador da selecção em estágio auferia cerca de 800€, quase o dobro do salário mínimo nacional, que tantos por este país nem têm o privilégio de receber.. por mês! Já o mais bem pago jogador do mundo recebe do seu clube qualquer coisa como 27.300€ por dia, 1.137€ por hora, ou, se preferirem, 18€ por minuto. As verbas auferidas no estágio pela selecção devem ter-lhe parecido mais uma gorjeta do que outra coisa, mas vá, sempre deve ter ajudado a pagar o helicóptero em que se fez chegar junto dos colegas. Luxos de uma estrela planetária que ainda pouco ou nada conseguiu dar à nossa selecção, infelizmente. Muito embora a indústria da bola movimente verdadeiras fortunas, e os jogadores sejam os maiores protagonistas, não será ultrajante verificarmos rendimentos deste tipo num mundo de capital com tão acentuadas assimetrias económicas, onde o fosso entre os ricos e os pobres tem sido tão intensamente cavado? Acho inconcebível, mas é assim que as coisas são.
A sazonal e habitual “depressão” dos fãs da bola não vai durar muito tempo quando o Mundial acabar, uma vez que não tarda voltam os fins-de-semana desportivos, agora que estamos a entrar na fase de pré-época da nossa Liga. Benfica, Porto e Sporting são os candidatos de sempre, desta vez com a companhia de um Braga que já mais parece um “grande” também. Com os restantes rivais a reforçarem-se imenso, veremos como se porta o “meu” Benfica, espero que à altura.
Vamos trocar piadas com amigos, gritar golos marcados, lamentar os sofridos, protestar contra as decisões do juiz, enfim.. o habitual. O habitual, mas com emoção, porque o futebol é exactamente isso mesmo: paixão. Não é tudo na vida, claro, mas é uma paixão, sem dúvida, como tudo o que nos dá verdadeiro prazer.
A nossa selecção, entretanto, chegou a África cheia de ambições e sonhos imensos. Uma selecção verdadeiramente candidata, diriam alguns, liderada por um Cristiano Ronaldo que de líder tem pouco, digo eu. Entrámos na competição num prestigiante terceiro lugar do ranking FIFA, mas acabámos por ser afastados por “nuestros hermanos” nos oitavos de final, sem apelo nem agravo, de forma justa, friamente analisando, pois a Espanha foi melhor. O grande problema deste resultado nem terá sido a derrota em si, mas a nossa dificuldade em digeri-la. Calaram-se as “vuvuzelas” nacionais no final desse desafio. É preciso saber perder também, não apenas ganhar, até porque não se pode sempre vencer. Uma lição aparentemente simples mas que parece não ter sido ainda interiorizada pelo nosso capitão, melhor jogador do mundo em 2008. Após promessas de “explosão” no torneio, a triste realidade é que nunca o jogador esteve lá quando a equipa precisou dele, acabando mesmo por protagonizar uma cena deplorável, e acima de tudo evitável, no final do derradeiro encontro, incapaz de controlar o seu assombroso mau perder, em imagens que correram mundo. Possesso, questionou a autoridade do seleccionador Queiroz e chegou ainda a apontá-lo directamente, quando confrontado sobre de quem seria a responsabilidade do afastamento. Enfim.. no fundo perderam todos, não apenas o treinador por ter tido pouca coragem em momentos chave, nem somente também a figura de proa da selecção, apesar do modestíssimo desempenho. Todos perderam.
No conjunto, fomos efectivamente inferiores a uma grande equipa, provavelmente a mais séria candidata a vencer o Campeonato Mundial, juntando-o ao Europeu conquistado há dois anos atrás. Uma Espanha que mais parece um verdadeiro carrossel a jogar futebol, com uma circulação de bola absolutamente fantástica, numa dinâmica táctica e técnica quase impossível de superar, dado que é tão eficaz nas transições e ocupação de espaços que torna complicadíssimo a qualquer equipa adversária impor o seu jogo. Sem pontos fracos, com um meio-campo deslumbrante e dois avançados de grande qualidade, é na minha opinião a maior candidata a alcançar o ceptro mais desejado, mas já se sabe que tudo se decide no relvado, dentro das quatro linhas, e será essa também uma das principais premissas da magia em que o futebol nos envolve: a sua imprevisibilidade, dado que tudo pode acontecer. É na realidade um fantástico e apaixonante desporto, caracterizador até da cultura de uma região, ou de um país. Como o nosso, Portugal, um país que ama realmente o futebol. Eu alinho pelo mesmo diapasão, indefectivelmente, muito embora considere aberrante o vencimento dos futebolistas, que ultrapassa mesmo o limite do razoável, e nunca é demais lembrar. Por dia, cada jogador da selecção em estágio auferia cerca de 800€, quase o dobro do salário mínimo nacional, que tantos por este país nem têm o privilégio de receber.. por mês! Já o mais bem pago jogador do mundo recebe do seu clube qualquer coisa como 27.300€ por dia, 1.137€ por hora, ou, se preferirem, 18€ por minuto. As verbas auferidas no estágio pela selecção devem ter-lhe parecido mais uma gorjeta do que outra coisa, mas vá, sempre deve ter ajudado a pagar o helicóptero em que se fez chegar junto dos colegas. Luxos de uma estrela planetária que ainda pouco ou nada conseguiu dar à nossa selecção, infelizmente. Muito embora a indústria da bola movimente verdadeiras fortunas, e os jogadores sejam os maiores protagonistas, não será ultrajante verificarmos rendimentos deste tipo num mundo de capital com tão acentuadas assimetrias económicas, onde o fosso entre os ricos e os pobres tem sido tão intensamente cavado? Acho inconcebível, mas é assim que as coisas são.
A sazonal e habitual “depressão” dos fãs da bola não vai durar muito tempo quando o Mundial acabar, uma vez que não tarda voltam os fins-de-semana desportivos, agora que estamos a entrar na fase de pré-época da nossa Liga. Benfica, Porto e Sporting são os candidatos de sempre, desta vez com a companhia de um Braga que já mais parece um “grande” também. Com os restantes rivais a reforçarem-se imenso, veremos como se porta o “meu” Benfica, espero que à altura.
Vamos trocar piadas com amigos, gritar golos marcados, lamentar os sofridos, protestar contra as decisões do juiz, enfim.. o habitual. O habitual, mas com emoção, porque o futebol é exactamente isso mesmo: paixão. Não é tudo na vida, claro, mas é uma paixão, sem dúvida, como tudo o que nos dá verdadeiro prazer.
Sem comentários:
Enviar um comentário