Não chove há aproximadamente um mês, e fazendo fé nas previsões meteorológicas, que têm vindo gradualmente a inverter a tendência de falharem quase sempre, estaremos pelo menos mais duas semanas sem qualquer “mm” de precipitação por km2, na nossa região. Tendo em conta que se avizinha Agosto, este período poderá ainda sofrer um aumento significativo, para deleite de muitos veraneantes preocupados sobretudo em banharem-se confortavelmente, mas também para agrura de muitos outros, talvez mais ainda, pela escassez do recurso. Com os tempos de crise aguda que correm, não serão numerosos os felizardos que se poderão dar ao luxo de passar uma semana no Algarve, ou mesmo quinze dias, já para não falar de férias no estrangeiro. A verdade é que o cinto está a apertar quase até travar a circulação sanguínea, e torna-se cada vez mais complicado pagar as contas. Os salários mantêm-se (ou já nem existem, salvo um qualquer subsídio!), e as despesas aumentam. É a prestação da casa, é o combustível do carro, é a conta do mercado, do gás, da electricidade e também da água! Cada um tem as suas obrigações, que uns cumprem com mais facilidade do que outros como é óbvio, mas privilegio no momento centrar o raciocínio no mais precioso dos líquidos que há no mundo, a água, uma fonte de preocupação que requer a atenção de todos, e que poderá com simples gestos ser mais poupada e melhor gasta, o que nem sempre acontece.
Às vezes é fácil demais ignorar a sorte que todos temos (ou quase todos…) em abrir a torneira e lavar as mãos, ou simplesmente para beber ou lavar a cara, quando tantos seres humanos existem por esse mundo fora que caminham quilómetros diariamente para poderem reunir um pouco de água para as suas necessidades mais básicas. Pode parecer difícil de acreditar, mas uma descarga de autoclismo num país desenvolvido consome um volume de água equivalente ao que é em média utilizado diariamente por uma pessoa num país em vias de desenvolvimento, para a sua higiene, para beber, para limpeza e para cozinhar. O “mundo” dos países ricos é completamente diferente do “mundo” dos países pobres, e por mais que nos procuremos mentalizar disso mesmo, seria preciso passarmos pela vivência de facto, no sentido de experienciarmos integralmente a carência e a necessidade, pois de outro modo torna-se difícil. Até podemos ser sensíveis à causa, interessados e solidários até, mas não fazemos ideia do que será. Tal como “eles”, que não farão ideia do que será viver num mundo “civilizado”, daí limitarem-se a subsistir com todas as suas carências mais básicas, provavelmente até mais felizes do que nós com todas as mordomias e comodidades, em muitos casos. São felizes pelo que têm, enquanto que nós sofremos pelo que não podemos ter. Lembro-me, a propósito, de uma situação prática, que um dia me fez pensar, num aeroporto de Londres. No meio de todo o aparato que normalmente caracteriza estes espaços, estava um bebedouro com um cartaz exibido onde facilmente se poderiam ler duas palavras de forma destacada: “Free Water”. Curioso, e provavelmente interessado na oportunidade, aproximei-me. A água que o reservatório do bebedouro continha estava escura, suja, imprópria para consumo. Por baixo das duas apelativas palavras, estava um pequeno texto que explicava a iniciativa e o objectivo, uma espécie de publicidade-choque com o intuito de alarmar a população para a falta que faz a água a tantos habitantes deste mundo, que não fazem ideia do que será ter à disposição água potável, “luxo” que poucos de nós valoriza. Enquanto muitas pessoas desfrutam soberbamente de relaxantes banhos de imersão, muitas outras morrem por não terem que beber, sabido que é que o ser humano resiste poucos dias sem hidratação, bastante menos do que sem alimento. Análise curta e fria, embora real.
A água é um bem ambiental indispensável às necessidades humanas básicas, como a saúde e a produção de alimentos, e é também indispensável ao desenvolvimento de actividades humanas, tendo assim uma influência determinante na qualidade de vida das populações e na manutenção de ecossistemas. A par da distribuição da riqueza monetária, também a discrepância na distribuição de recursos hídricos torna tão diferente o “mundo desenvolvido” do “mundo em vias” desse mesmo desenvolvimento! Mais de metade das reservas de água de todo o planeta encontram-se concentrados em apenas dez países, uma curiosidade estatística sobre esta temática que se revela bastante elucidativa. Claro que não podemos inverter toda uma realidade a nosso bel-prazer, mas estou em crer que nós, sociedade global, nos deveremos adaptar à escassez e até à perda de qualidade de água potável apostando na eficiência do consumo, optimizando a sua utilização, nem que seja das formas mais simples, e fomentando uma melhor distribuição, com o objectivo de chegar ao maior número de pessoas possível. Parece repetitivo o discurso, e até entediante para muitos, mas nunca será demais sublinhar que pequenas atitudes poderão sempre permitir um maior aproveitamento deste precioso recurso, fonte de vida.
Recentemente, a ministra do Ambiente Dulce Pássaro afirmou que o preço da água ao consumidor vai ter que subir, um aumento inevitável e necessário, alertando ainda para o facto de que, perante a lei, os municípios podem sempre estabelecer livremente a tarifa. Será justa a arbitrariedade legislada para este efeito, dados os diferentes preços praticados por esse país fora? Diferentes preços e facturação por diferentes escalões, que estou certo de que nem sempre serão estabelecidos numa óptica social, numa perspectiva de defesa dos mais necessitados.
Importa poupar o valiosíssimo recurso no plano individual, sem dúvida alguma, mas é também imprescindível que a distribuição e cobrança do mesmo sejam feitas de forma equitativa, criando um tarifário essencialmente justo.
A água é um bem essencial à vida, de primeira necessidade, e não convém que nos esqueçamos disso. Nunca.
Às vezes é fácil demais ignorar a sorte que todos temos (ou quase todos…) em abrir a torneira e lavar as mãos, ou simplesmente para beber ou lavar a cara, quando tantos seres humanos existem por esse mundo fora que caminham quilómetros diariamente para poderem reunir um pouco de água para as suas necessidades mais básicas. Pode parecer difícil de acreditar, mas uma descarga de autoclismo num país desenvolvido consome um volume de água equivalente ao que é em média utilizado diariamente por uma pessoa num país em vias de desenvolvimento, para a sua higiene, para beber, para limpeza e para cozinhar. O “mundo” dos países ricos é completamente diferente do “mundo” dos países pobres, e por mais que nos procuremos mentalizar disso mesmo, seria preciso passarmos pela vivência de facto, no sentido de experienciarmos integralmente a carência e a necessidade, pois de outro modo torna-se difícil. Até podemos ser sensíveis à causa, interessados e solidários até, mas não fazemos ideia do que será. Tal como “eles”, que não farão ideia do que será viver num mundo “civilizado”, daí limitarem-se a subsistir com todas as suas carências mais básicas, provavelmente até mais felizes do que nós com todas as mordomias e comodidades, em muitos casos. São felizes pelo que têm, enquanto que nós sofremos pelo que não podemos ter. Lembro-me, a propósito, de uma situação prática, que um dia me fez pensar, num aeroporto de Londres. No meio de todo o aparato que normalmente caracteriza estes espaços, estava um bebedouro com um cartaz exibido onde facilmente se poderiam ler duas palavras de forma destacada: “Free Water”. Curioso, e provavelmente interessado na oportunidade, aproximei-me. A água que o reservatório do bebedouro continha estava escura, suja, imprópria para consumo. Por baixo das duas apelativas palavras, estava um pequeno texto que explicava a iniciativa e o objectivo, uma espécie de publicidade-choque com o intuito de alarmar a população para a falta que faz a água a tantos habitantes deste mundo, que não fazem ideia do que será ter à disposição água potável, “luxo” que poucos de nós valoriza. Enquanto muitas pessoas desfrutam soberbamente de relaxantes banhos de imersão, muitas outras morrem por não terem que beber, sabido que é que o ser humano resiste poucos dias sem hidratação, bastante menos do que sem alimento. Análise curta e fria, embora real.
A água é um bem ambiental indispensável às necessidades humanas básicas, como a saúde e a produção de alimentos, e é também indispensável ao desenvolvimento de actividades humanas, tendo assim uma influência determinante na qualidade de vida das populações e na manutenção de ecossistemas. A par da distribuição da riqueza monetária, também a discrepância na distribuição de recursos hídricos torna tão diferente o “mundo desenvolvido” do “mundo em vias” desse mesmo desenvolvimento! Mais de metade das reservas de água de todo o planeta encontram-se concentrados em apenas dez países, uma curiosidade estatística sobre esta temática que se revela bastante elucidativa. Claro que não podemos inverter toda uma realidade a nosso bel-prazer, mas estou em crer que nós, sociedade global, nos deveremos adaptar à escassez e até à perda de qualidade de água potável apostando na eficiência do consumo, optimizando a sua utilização, nem que seja das formas mais simples, e fomentando uma melhor distribuição, com o objectivo de chegar ao maior número de pessoas possível. Parece repetitivo o discurso, e até entediante para muitos, mas nunca será demais sublinhar que pequenas atitudes poderão sempre permitir um maior aproveitamento deste precioso recurso, fonte de vida.
Recentemente, a ministra do Ambiente Dulce Pássaro afirmou que o preço da água ao consumidor vai ter que subir, um aumento inevitável e necessário, alertando ainda para o facto de que, perante a lei, os municípios podem sempre estabelecer livremente a tarifa. Será justa a arbitrariedade legislada para este efeito, dados os diferentes preços praticados por esse país fora? Diferentes preços e facturação por diferentes escalões, que estou certo de que nem sempre serão estabelecidos numa óptica social, numa perspectiva de defesa dos mais necessitados.
Importa poupar o valiosíssimo recurso no plano individual, sem dúvida alguma, mas é também imprescindível que a distribuição e cobrança do mesmo sejam feitas de forma equitativa, criando um tarifário essencialmente justo.
A água é um bem essencial à vida, de primeira necessidade, e não convém que nos esqueçamos disso. Nunca.
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