Encerradas as tradicionalmente bem regadas comemorações da época natalícia e das boas vindas ao ano novo, é tempo agora de olhar para a frente. Mais do que nunca, é preciso recuperar alguma da auto-estima que se perdeu em 2010, que se revelou um ano extremamente difícil para todos, como aliás tem sido objecto de análise consensual. Apesar de ter sido com efeito um ano mais complicado para uns do que para outros, realidade decorrente de uma sociedade cada vez menos justa e igualitária, importa no momento olhar para o futuro com esperança e força para alterar o rumo dos acontecimentos, pois “chorar sobre o leite derramado” é a pior atitude que o português comum deverá ter. Temos impreterivelmente que arregaçar as mangas, e dar o melhor de nós.
Num ano em que Portugal mergulhou profundamente nos meandros da monstruosa crise económica mundial que a (quase) todos parece afectar, emergiu recente e misteriosamente uma personagem colectiva que aterroriza de sobremaneira qualquer nação menos fortalecida, os famosos “mercados”. Composta em larga medida por irresponsáveis miúdos de vinte e poucos anos de vida faustosa e cheia de vícios, lembrando uma reflexão do Nobel da Economia Paul Krugman a este propósito, a dita personagem colectiva surge-nos desprovida de base dos mínimos de bom-senso e altruísmo que qualquer cidadão individual ou grupo deverão ter, provada que está a pouca ou nenhuma consciência social e global que a sua infinitamente austera e irracional postura provoca no actual mundo de capital, arrasando economicamente quase por completo os já de si débeis países mais frágeis, em prol dos interesses de alguns círculos elitistas e do crescimento desenfreado das grandes potências.
A ganância feroz e desmedida destes “mercados” justifica em pleno os meios pelos quais atingem os desejados fins, pois que lhes importa o galopante avolumar de problemas sociais do já de si depauperado povo, e a crescente perda de autonomia económica e soberania política dos países mais enfraquecidos? Nada. As diferentes realidades governativas dos países da zona euro estão subjugadas a uma realidade económica europeia que, nos moldes em que está constituída e dado o factor moeda única, acabam apenas por fortalecer os grandes produtores como a Alemanha, cada vez mais poderosa na actual realidade financeira global, onde vai competindo com as restantes potências. E o zelo pela economia dos países mais enfraquecidos? E o zelo pela qualidade de vida dos pobres dos países mais enfraquecidos? E era 2010 o Ano Europeu do Combate à Pobreza e à Exclusão Social, que se conclui hoje ter-se tratado de um autêntico fiasco. Uma coisa é certa, poucos verificarão que a actual conjuntura política, económica e financeira mundial seja justa e equilibrada, até porque em vez desta convergir para uma maior equidade geral, acaba por fomentar uma crescente disparidade. Interessa aos grandes centros de decisão elitistas e cada vez mais restritos inverter este ultrajante desenvolvimento da situação? Não me parece, até porque os sinais que vão surgindo remetem-nos exactamente no sentido oposto.
Aos “mercados” importa apostar em títulos de dívida e tudo fazer para que esses mesmos títulos não sejam pagos, porque quanto mais bancarrotas tiverem mais juros a curto prazo acabam por cobrar. No fundo, estes “mercados” ganham com a falência dos estados, acabam por manipulá-los e embrulhá-los num imbróglio estratégico-financeiro mundial legal porque não há um “governo global” que os regule devidamente e que trave a máfia escandalosa que por eles é imposta. Como disse recentemente em entrevista o brilhante sociólogo e investigador Boaventura de Sousa Santos, esta realidade actual é um efectivo “crime contra a humanidade”, uma vez que populações inteiras são lançadas para a fome e para a miséria, para que pequenos grupos de privilegiados enriqueçam de forma concomitantemente injusta e revoltante.
Bem, actualmente afigura-se bastante complicado flanquear reflexões desencantadas e pessimistas sobre praticamente tudo o que envolva as comunidades deste planeta, mas o meu objectivo no presente artigo é exactamente o contrário, pois pretendo apontar à luz. Haverá melhor forma de o fazer do que centrando-me nos melhores exemplos? Não creio que haja, pelo que recorro a José Mourinho, esse fenomenal vencedor português que, ao contrário da nação que o viu nascer há 47 anos, ganhou tudo o que havia para ganhar em 2010. Poucos exemplos de excelência e dedicação haverá por esse mundo fora que se equiparem ao percurso de Mourinho, que ainda na passada segunda-feira foi considerado pela terceira vez o melhor treinador do mundo, acrescentando reconhecimento e mais uma conquista individual ao já de si imenso e invejável palmarés. A performance do génio português numa ainda curta carreira de apenas dez anos é de tal maneira impressionante que impõe-se perguntar: qual a receita para tanto sucesso?
Devorei recentemente uma interessante reportagem sobre a mais controversa personalidade do futebol mundial na actualidade, exercício esse que apenas serviu para aumentar a enorme admiração que já nutria, constatando que é, de facto, uma pessoa “especial”. Por tudo o que diz, pela forma como o diz, pela sua maneira de estar, pela profundidade, acerto e abrangência da sua análise e posterior intervenção, por tudo! Nesse artigo encontram-se escalpelizadas algumas noções base que explicam um pouco do que é Mourinho e da forma como a sua metodologia única lhe granjeou tanto sucesso. Para ele, o mais importante será a procura de felicidade, que deveria ser hoje um aspecto fundamental na vida de todas as pessoas. A felicidade do treinador assenta em dois pilares, a família e o futebol, pelo que é por eles que se norteia, sublinhando que no segundo o que faz a diferença é a alegria, a motivação e a crença com que se trabalha. Importantes dicas surgem ainda anexas, como a importância de não fazer da vitória e da conquista uma obsessão, dado que estas terão forçosamente que surgir como consequência normal de fazer bem as coisas, pelo que todos deveremos preparar-nos o melhor possível e entregarmo-nos incondicionalmente à nossa profissão, que no fundo acaba por ser a nossa missão em sociedade. Mourinho não tem dúvida de que quando alguém faz alguma coisa, deve tentar fazê-la o melhor possível. Corroboro na íntegra a sua perspectiva, pelo que me atrevo a citá-lo a propósito de motivação e liderança, esses tão determinantes conceitos para o futuro do cidadão individual e da nação de todos nós.
“A melhor maneira de motivares os outros é fazer com que percebam a tua própria motivação. É eles perceberem que estás motivado todos os dias, que trabalhas com alegria, dedicação e que dás o máximo. É eles verem que mesmo nos momentos mais difíceis e complicados tu apresentas ainda mais vontade e confiança. É não deixares nunca que um mau resultado, um mau momento ou uma crítica intoxiquem a tua auto-estima e o prazer de fazeres o que fazes. É por isso que um líder tem de ter uma força psicológica grande, porque os que são liderados alimentam-se da motivação, dos princípios e dos valores do líder.”
Por tudo isto atrás referido, de que precisa o país? Ambição, perseverança, espírito de empreendimento, capacidade de sacrifício, confiança, competência, seriedade, coragem, sorte, inteligência e independência de carácter. Muita coisa? Não, é simples.
Portugal precisa do melhor de cada um de nós. O melhor de cada um de nós todos.
Num ano em que Portugal mergulhou profundamente nos meandros da monstruosa crise económica mundial que a (quase) todos parece afectar, emergiu recente e misteriosamente uma personagem colectiva que aterroriza de sobremaneira qualquer nação menos fortalecida, os famosos “mercados”. Composta em larga medida por irresponsáveis miúdos de vinte e poucos anos de vida faustosa e cheia de vícios, lembrando uma reflexão do Nobel da Economia Paul Krugman a este propósito, a dita personagem colectiva surge-nos desprovida de base dos mínimos de bom-senso e altruísmo que qualquer cidadão individual ou grupo deverão ter, provada que está a pouca ou nenhuma consciência social e global que a sua infinitamente austera e irracional postura provoca no actual mundo de capital, arrasando economicamente quase por completo os já de si débeis países mais frágeis, em prol dos interesses de alguns círculos elitistas e do crescimento desenfreado das grandes potências.
A ganância feroz e desmedida destes “mercados” justifica em pleno os meios pelos quais atingem os desejados fins, pois que lhes importa o galopante avolumar de problemas sociais do já de si depauperado povo, e a crescente perda de autonomia económica e soberania política dos países mais enfraquecidos? Nada. As diferentes realidades governativas dos países da zona euro estão subjugadas a uma realidade económica europeia que, nos moldes em que está constituída e dado o factor moeda única, acabam apenas por fortalecer os grandes produtores como a Alemanha, cada vez mais poderosa na actual realidade financeira global, onde vai competindo com as restantes potências. E o zelo pela economia dos países mais enfraquecidos? E o zelo pela qualidade de vida dos pobres dos países mais enfraquecidos? E era 2010 o Ano Europeu do Combate à Pobreza e à Exclusão Social, que se conclui hoje ter-se tratado de um autêntico fiasco. Uma coisa é certa, poucos verificarão que a actual conjuntura política, económica e financeira mundial seja justa e equilibrada, até porque em vez desta convergir para uma maior equidade geral, acaba por fomentar uma crescente disparidade. Interessa aos grandes centros de decisão elitistas e cada vez mais restritos inverter este ultrajante desenvolvimento da situação? Não me parece, até porque os sinais que vão surgindo remetem-nos exactamente no sentido oposto.
Aos “mercados” importa apostar em títulos de dívida e tudo fazer para que esses mesmos títulos não sejam pagos, porque quanto mais bancarrotas tiverem mais juros a curto prazo acabam por cobrar. No fundo, estes “mercados” ganham com a falência dos estados, acabam por manipulá-los e embrulhá-los num imbróglio estratégico-financeiro mundial legal porque não há um “governo global” que os regule devidamente e que trave a máfia escandalosa que por eles é imposta. Como disse recentemente em entrevista o brilhante sociólogo e investigador Boaventura de Sousa Santos, esta realidade actual é um efectivo “crime contra a humanidade”, uma vez que populações inteiras são lançadas para a fome e para a miséria, para que pequenos grupos de privilegiados enriqueçam de forma concomitantemente injusta e revoltante.
Bem, actualmente afigura-se bastante complicado flanquear reflexões desencantadas e pessimistas sobre praticamente tudo o que envolva as comunidades deste planeta, mas o meu objectivo no presente artigo é exactamente o contrário, pois pretendo apontar à luz. Haverá melhor forma de o fazer do que centrando-me nos melhores exemplos? Não creio que haja, pelo que recorro a José Mourinho, esse fenomenal vencedor português que, ao contrário da nação que o viu nascer há 47 anos, ganhou tudo o que havia para ganhar em 2010. Poucos exemplos de excelência e dedicação haverá por esse mundo fora que se equiparem ao percurso de Mourinho, que ainda na passada segunda-feira foi considerado pela terceira vez o melhor treinador do mundo, acrescentando reconhecimento e mais uma conquista individual ao já de si imenso e invejável palmarés. A performance do génio português numa ainda curta carreira de apenas dez anos é de tal maneira impressionante que impõe-se perguntar: qual a receita para tanto sucesso?
Devorei recentemente uma interessante reportagem sobre a mais controversa personalidade do futebol mundial na actualidade, exercício esse que apenas serviu para aumentar a enorme admiração que já nutria, constatando que é, de facto, uma pessoa “especial”. Por tudo o que diz, pela forma como o diz, pela sua maneira de estar, pela profundidade, acerto e abrangência da sua análise e posterior intervenção, por tudo! Nesse artigo encontram-se escalpelizadas algumas noções base que explicam um pouco do que é Mourinho e da forma como a sua metodologia única lhe granjeou tanto sucesso. Para ele, o mais importante será a procura de felicidade, que deveria ser hoje um aspecto fundamental na vida de todas as pessoas. A felicidade do treinador assenta em dois pilares, a família e o futebol, pelo que é por eles que se norteia, sublinhando que no segundo o que faz a diferença é a alegria, a motivação e a crença com que se trabalha. Importantes dicas surgem ainda anexas, como a importância de não fazer da vitória e da conquista uma obsessão, dado que estas terão forçosamente que surgir como consequência normal de fazer bem as coisas, pelo que todos deveremos preparar-nos o melhor possível e entregarmo-nos incondicionalmente à nossa profissão, que no fundo acaba por ser a nossa missão em sociedade. Mourinho não tem dúvida de que quando alguém faz alguma coisa, deve tentar fazê-la o melhor possível. Corroboro na íntegra a sua perspectiva, pelo que me atrevo a citá-lo a propósito de motivação e liderança, esses tão determinantes conceitos para o futuro do cidadão individual e da nação de todos nós.
“A melhor maneira de motivares os outros é fazer com que percebam a tua própria motivação. É eles perceberem que estás motivado todos os dias, que trabalhas com alegria, dedicação e que dás o máximo. É eles verem que mesmo nos momentos mais difíceis e complicados tu apresentas ainda mais vontade e confiança. É não deixares nunca que um mau resultado, um mau momento ou uma crítica intoxiquem a tua auto-estima e o prazer de fazeres o que fazes. É por isso que um líder tem de ter uma força psicológica grande, porque os que são liderados alimentam-se da motivação, dos princípios e dos valores do líder.”
Por tudo isto atrás referido, de que precisa o país? Ambição, perseverança, espírito de empreendimento, capacidade de sacrifício, confiança, competência, seriedade, coragem, sorte, inteligência e independência de carácter. Muita coisa? Não, é simples.
Portugal precisa do melhor de cada um de nós. O melhor de cada um de nós todos.
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