Apesar de se tornar ilegítimo afirmar que as medidas contempladas na famosa quarta versão do Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) seriam as suficientes para inverter o caminho do precipício, o certo é que, como muitos “adivinharam”, a sua precipitada rejeição parlamentar catapultou subitamente o país para um ainda maior descrédito junto das instituições financeiras, cujo baronato, figurado nos “mercados” e nas cúmplices “agências de rating”, terá sido provavelmente quem mais celebrou a queda do Governo de Sócrates. Estas sanguinárias personagens assustam pelo acerto da sua concertação estratégica, que chega a roçar o bárbaro, pela total ausência de escrúpulos com que a sua ganância fervorosa saqueia os Estados economicamente mais debilitados, lançando as suas populações na miséria. Sem o mínimo pudor ou a mais pequena consideração humana, dado que apenas se movem pela avidez da acumulação de lucro, a principal raiz da natureza desse capitalismo global que persiste como sistema, e que se tem manifestado cada vez mais poderoso e incontornável. O triunfo da especulação! Com toda a sinceridade, temo pelo futuro do poder político, tão subjugado que este se encontra presentemente pelos económico e financeiro, mas adiante..
Tendo em conta que vamos de novo às urnas a 5 de Junho, das duas uma: ou se elege e constitui um governo de maioria que se comprometa em absoluto a agir responsavelmente e em conformidade com as directrizes europeias, ou então seguimos o caminho da insurreição, enchendo o peito de orgulho e fulgor patriótico, desafiando os grupos de capital e partindo para um aventureirismo sem precedentes, e de consequências imprevisíveis. Pessoalmente, alinho pela primeira, pois parece-me mais sensata, e acima de tudo credível, para “levar a nau a bom porto”. Credibilidade e Sensatez. São estes os valores que creio terem sido dos mais escassos na discussão política que se tem verificado recentemente, pelo que enalteço o apelo materializado em “Um Compromisso Nacional”, documento subscrito por 47 reputados signatários, num texto publicado pelo jornal Expresso a 9 de Abril. Aí, figuras como os ex-Presidentes Ramalho Eanes, Mário Soares e Jorge Sampaio manifestam-se a favor de que “haja juízo” e se “evitem jogadas políticas” num momento tão delicado da história contemporânea do nosso país, onde o próprio regime instaurado nunca esteve tão ameaçado, tamanha é a dimensão da crise. Não posso corroborar mais a feição preocupada deste manifesto, pelo que chega de “pugilismos verbais” e “arbustos”, deixemo-nos de palhaçadas e de brincar aos políticos e preocupemo-nos assim a sério com o futuro do país. Haja bom senso e sentido de dever, pois essa é a prioridade das prioridades. A “ajuda” externa está aí (estima-se um lucro de 520 milhões de euros para quem nos vai “ajudar”…), pelo que se torna determinante o bem governar, no sentido de cumprir todos os objectivos a estabelecer para os próximos 3 anos, concentrando todos os esforços nessas metas, e impedindo assim que o povo continue por ainda mais tempo submetido a tanto sacrifício, que para muitos é já intolerável. Importa exigir seriedade e rigor aos governantes, para não deixarem piorar uma situação já de si francamente má, devendo estes cingir-se somente à recuperação de uma forma clara e pragmática, construindo consensos e ignorando querelas políticas inúteis, as tais eternamente associadas ao interesse e à ambição. Entretanto, surge a questão: quem para nos governar?
Parece-me necessária a constituição de um governo amplo a que seja dada toda a legitimidade, em primeiro lugar, e seguidamente toda a estabilidade possível no decorrer da legislatura, que no fundo acabará por ser uma governação conjunta com as entidades externas, na sua base. O programa de governo será sempre co-construído, pelo que cada vez mais se torna irrazoável falar em soberania nacional, já não é realista fazê-lo, e parece-me que a tendência é para um aligeiramento ainda maior destas “consciências” ou identidades individuais, prevalecendo o interesse comum: o europeu. A continuar a haver Europa, e nos moldes como esta tem evoluído, assim terá forçosamente que ser. Como nem eu nem ninguém acreditará em maiorias absolutas de PS ou PSD, a constituição de um governo de bloco central permitiria em primeira instância colocar os interesses de Portugal e dos portugueses acima de todos os outros, e a meu ver será essa a prioridade maior. Considerando os mais recentes desenvolvimentos político-partidários, teremos Sócrates ou Passos Coelho como próximo primeiro-ministro? Considerando que se trata do “gato” e do “rato”, parece-me extraordinariamente difícil que cheguem a um acordo pós-eleitoral. Só com o conhecimento do sentido de voto do povo se poderão equacionar cenários, mas não creio que um venha a subordinar-se ao outro na formação do novo governo. As sondagens que têm sido divulgadas lançam a ideia de que o resultado do sufrágio será muito equilibrado, pelo que é de superior importância garantir uma solução governativa que se pretende estável. O Presidente da República terá um papel de grande relevo nessa importante negociação, pois o país precisa como nunca de um governo de consenso, determinado no procedimento e na substância, tranquilo e livre de interferências menores.
Cavaco Silva, o único cidadão português que poderia e deveria ter evitado a crise política mais irresponsável de que há memória, terá em breve a seu cargo a missão de ser o garante de estabilidade que não tem sido até agora. Cavaco precisa de emergir positivamente de uma vez por todas, e provar que a magistratura activa que tanto apregoou em campanha deixe de facto de ser uma mera ilusão. A responsabilidade é inequivocamente de todos, mas cabe à mais importante figura da Nação assegurar que esta, no mais perturbado momento desde a instauração do novo regime, tenha as tranquilidade e capacidade necessárias para inverter o rumo do desequilíbrio.
Senhor Cavaco, diga-nos lá afinal: “Habemus Presidente”?
Tendo em conta que vamos de novo às urnas a 5 de Junho, das duas uma: ou se elege e constitui um governo de maioria que se comprometa em absoluto a agir responsavelmente e em conformidade com as directrizes europeias, ou então seguimos o caminho da insurreição, enchendo o peito de orgulho e fulgor patriótico, desafiando os grupos de capital e partindo para um aventureirismo sem precedentes, e de consequências imprevisíveis. Pessoalmente, alinho pela primeira, pois parece-me mais sensata, e acima de tudo credível, para “levar a nau a bom porto”. Credibilidade e Sensatez. São estes os valores que creio terem sido dos mais escassos na discussão política que se tem verificado recentemente, pelo que enalteço o apelo materializado em “Um Compromisso Nacional”, documento subscrito por 47 reputados signatários, num texto publicado pelo jornal Expresso a 9 de Abril. Aí, figuras como os ex-Presidentes Ramalho Eanes, Mário Soares e Jorge Sampaio manifestam-se a favor de que “haja juízo” e se “evitem jogadas políticas” num momento tão delicado da história contemporânea do nosso país, onde o próprio regime instaurado nunca esteve tão ameaçado, tamanha é a dimensão da crise. Não posso corroborar mais a feição preocupada deste manifesto, pelo que chega de “pugilismos verbais” e “arbustos”, deixemo-nos de palhaçadas e de brincar aos políticos e preocupemo-nos assim a sério com o futuro do país. Haja bom senso e sentido de dever, pois essa é a prioridade das prioridades. A “ajuda” externa está aí (estima-se um lucro de 520 milhões de euros para quem nos vai “ajudar”…), pelo que se torna determinante o bem governar, no sentido de cumprir todos os objectivos a estabelecer para os próximos 3 anos, concentrando todos os esforços nessas metas, e impedindo assim que o povo continue por ainda mais tempo submetido a tanto sacrifício, que para muitos é já intolerável. Importa exigir seriedade e rigor aos governantes, para não deixarem piorar uma situação já de si francamente má, devendo estes cingir-se somente à recuperação de uma forma clara e pragmática, construindo consensos e ignorando querelas políticas inúteis, as tais eternamente associadas ao interesse e à ambição. Entretanto, surge a questão: quem para nos governar?
Parece-me necessária a constituição de um governo amplo a que seja dada toda a legitimidade, em primeiro lugar, e seguidamente toda a estabilidade possível no decorrer da legislatura, que no fundo acabará por ser uma governação conjunta com as entidades externas, na sua base. O programa de governo será sempre co-construído, pelo que cada vez mais se torna irrazoável falar em soberania nacional, já não é realista fazê-lo, e parece-me que a tendência é para um aligeiramento ainda maior destas “consciências” ou identidades individuais, prevalecendo o interesse comum: o europeu. A continuar a haver Europa, e nos moldes como esta tem evoluído, assim terá forçosamente que ser. Como nem eu nem ninguém acreditará em maiorias absolutas de PS ou PSD, a constituição de um governo de bloco central permitiria em primeira instância colocar os interesses de Portugal e dos portugueses acima de todos os outros, e a meu ver será essa a prioridade maior. Considerando os mais recentes desenvolvimentos político-partidários, teremos Sócrates ou Passos Coelho como próximo primeiro-ministro? Considerando que se trata do “gato” e do “rato”, parece-me extraordinariamente difícil que cheguem a um acordo pós-eleitoral. Só com o conhecimento do sentido de voto do povo se poderão equacionar cenários, mas não creio que um venha a subordinar-se ao outro na formação do novo governo. As sondagens que têm sido divulgadas lançam a ideia de que o resultado do sufrágio será muito equilibrado, pelo que é de superior importância garantir uma solução governativa que se pretende estável. O Presidente da República terá um papel de grande relevo nessa importante negociação, pois o país precisa como nunca de um governo de consenso, determinado no procedimento e na substância, tranquilo e livre de interferências menores.
Cavaco Silva, o único cidadão português que poderia e deveria ter evitado a crise política mais irresponsável de que há memória, terá em breve a seu cargo a missão de ser o garante de estabilidade que não tem sido até agora. Cavaco precisa de emergir positivamente de uma vez por todas, e provar que a magistratura activa que tanto apregoou em campanha deixe de facto de ser uma mera ilusão. A responsabilidade é inequivocamente de todos, mas cabe à mais importante figura da Nação assegurar que esta, no mais perturbado momento desde a instauração do novo regime, tenha as tranquilidade e capacidade necessárias para inverter o rumo do desequilíbrio.
Senhor Cavaco, diga-nos lá afinal: “Habemus Presidente”?
Sem comentários:
Enviar um comentário