quarta-feira, 23 de março de 2011

A Importância da Floresta

Após um Inverno frio e longo, foi com uma semana de sol resplandecente que a Natureza deu as boas vindas à nova estação, impulsionando a sazonal renovação da flora e trazendo um pouco mais de calor e de aconchego a toda à fauna, humana incluída. Rebentam as flores e ouve-se de novo os pássaros cantar, compondo uma agradável melodia primaveril que consegue cativar e aquecer um pouco até o mais frio dos corações. Aí está ela de novo finalmente, a estação das cores!

Encerradas as considerações românticas relativas à época, e recordando que a ONU proclamou 2011 como o Ano Internacional das Florestas, tenciono agora centrar-me de uma forma mais séria sobre o valor destas, um bem precioso que não contribui apenas para o equilíbrio ecológico do planeta, pois tem-se revelado como um meio fundamental para a sobrevivência do Homem, quer através da sua importantíssima função purificadora do ar que todos respiramos, pela produção de oxigénio, quer através das vastas possibilidades de exploração na actividade florestal, um sector muito importante e com grande impacto económico no nosso país, por exemplo.

Não será lisonjeiro referir que Portugal é um país com bastante peso neste sector, tanto a nível europeu como internacional até, contribuindo relevantemente para o mercado global com produtos como o papel, a pasta de papel e a cortiça, além do mobiliário e da própria madeira. Além do pinheiro bravo e do eucalipto, as espécies com maior volume de metros quadrados de madeira cortada, temos ainda o sobreiro, que tem ganho grande destaque a nível global nos últimos anos, dado que Portugal é presentemente o maior produtor mundial de cortiça, uma nobre matéria-prima que tem adquirido múltiplas utilizações nas mais diversas áreas. Só estas três espécies representam dois terços do coberto florestal nacional, e embora com diferentes velocidades de crescimento e impactos no ambiente, são sem dúvida as mais lucrativas. Com o país estrangulado pelo garrote do défice e urgentemente necessitado de apostar nas exportações para incrementar a sua receita e continuar a lutar pela estabilização das contas públicas, importa salientar o enorme contributo do sector florestal a este propósito, tratando-se do terceiro que mais exporta. Para se ter uma ideia do que tem evoluído, e segundo dados apresentados pelo Ministério da Agricultura, a floresta passou a ter um peso de 13% no total das exportações nacionais, tendo conseguido a obtenção de um valor aproximado de 5 mil milhões de euros durante o ano de 2010, equivalente a 3,2% do Produto Interno Bruto (PIB), constituindo-se assim como um recurso imprescindível para a riqueza criada no país. A floresta é fundamental para a qualidade do ambiente e do equilíbrio ecológico, mas torna-se também muito importante para o crescimento económico, como comprova a evolução analisada neste parágrafo.

Segundo dados de um estudo realizado pela Direcção Geral de Florestas, a floresta portuguesa ocupa uma área de aproximadamente 3,3 milhões de hectares, correspondente a 38% do território nacional, mas este registo tem um potencial de crescimento enorme se forem aproveitadas áreas de incultos e improdutivos, que ocupam cerca de 23% do território segundo o mesmo estudo, pelo que certamente que ainda há muito que poderá ser feito no sentido de fomentar o rendimento deste sector. Além desta realidade, e apesar de se tratar de um recurso renovável, é por todos sabido que o flagelo dos incêndios, que todos os anos se verifica, é provavelmente o maior inimigo da floresta e dos seus produtores, consumindo anualmente milhares de hectares que demoram décadas a desenvolver-se. A floresta arde essencialmente por falta de prevenção, pelo que nunca será demais recordá-lo, sendo determinante apostar na sua valorização e optimizar a sua preservação. Tendo em vista esse objectivo, um correcto e adequado ordenamento do território revela-se fundamental, tal como campanhas de sensibilização para a população e uma cuidada acção de vigilância, que permita por um lado dissuadir potenciais mãos criminosas, e por outro detectar eventuais ocorrências de forma mais célere, intervindo de imediato sobre estas. A este propósito, e tendo sempre presente os constrangimentos orçamentais que se conhecem, e que redundam recorrentemente na falta de meios, lamento constatar que o ano de 2010 foi o terceiro da última década com a maior área florestal ardida no nosso país, pelo que legitimamente pergunto: estarão reunidos e atempadamente disponibilizados todos os recursos materiais e humanos para evitar que se verifique novamente o mesmo cenário catastrófico em 2011?

Debruçando-me agora sobre a realidade local, aproveito este exercício para saudar e enaltecer o excelente funcionamento do Dispositivo Municipal de Vigilância Florestal implantado em Mortágua, cuja eficiência se tem materializado nos últimos anos em valores residuais de ocorrências e de área ardida. Convém recordar que o Concelho é constituído por uma mancha florestal muito densa, e de grande importância económica para a sua população, tornando-se relevante sublinhar os bons resultados alcançados pela actual estratégia definida nas políticas de valorização e protecção da floresta, que têm sido absolutamente exemplares. A juntar a esta realidade, a floresta mortaguense encontra-se actualmente muito melhor preparada para combater o fogo, dispondo de uma vasta rede de pontos de água estrategicamente colocados, e de cada vez mais acessibilidades garantidas por caminhos florestais principais e secundários entretanto construídos.

Com a disponibilização dos recursos necessários e o apoio de todos sem excepção, as nossas florestas podem ser mais e melhor defendidas, uma preocupação legítima que devia ser estabelecida como uma das grandes prioridades nacionais, pela sua indiscutível importância.

Sem comentários:

Enviar um comentário