Apenas 102 minutos passaram desde o embate do primeiro avião comercial desviado por terroristas da Al-Qaeda até à queda da segunda torre do World Trade Center, um dos maiores símbolos do orgulho americano. No dia 11 de Setembro de 2001 esse mesmo orgulho ficou ferido de morte para todo o sempre, após um terrível atentado acompanhado em directo por um Mundo perplexo pelo realismo “snuff” das imagens, num mórbido espectáculo mediático sem precedentes. Um verdadeiro acto de guerra impiedoso, que culminou no desaparecimento de 2996 homens, mulheres e crianças, sendo este o “número” que fica tragicamente para a História. A dor do povo americano é de respeito intocável, mas é importante salientar que se trata de uma dor igual à de qualquer povo que sofra um ataque semelhante na brutalidade e no total desrespeito pela vida humana, mesmo que este seja menos visível aos olhos de todos. Devemos ter presente que lamentavelmente há mortes das quais se fala e outras tais que nem por isso, e isto parece-me fundamental não esquecer nunca, quando reflectimos sobre tensões e conflitos mundiais, pois independentemente de factores de ordem política, económica, social e cultural, as pessoas são e serão sempre pessoas, nasçam onde nascerem.
A heterogeneidade de convicções de ordem religiosa, xenofóbica e não só, divide-nos cada vez mais, acentuando o grau de violência entre diferentes Estados e comunidades, cujas específicas sensibilidades nunca deverão ser ignorada ou sequer subestimadas, um erro que tem sido recorrente e reincidentemente repetido. A crescente islamofobia que se espalhou um pouco por todo lado no pós 11/9 não veio fazer mais do que avolumar o ódio sectário que ilustra a relação entre as diferentes posições, daí ser prioritário reflectir sobre as causas de toda a espécie de extremismo, e não apenas daquele que surge como forma de discriminação religiosa. Orgulho, dor, desespero e sacrifício são conceitos que muito facilmente redundam na expressão fanática e intolerante. Seja em que parte do mundo for, se um homem com fome deverá sempre ser temido, mais ainda deveremos temer um homem cujos filhos tenham fome; por outro lado, mas mantendo a lógica de pensamento, o que dizer da angústia daqueles que perdem parte ou mesmo a sua família inteira?! A dor do luto de pais, filhos, maridos, mulheres, irmãos e irmãs cujas vidas são para sempre abaladas pelo nojo produzem uma agonia existencial de tal ordem que pode perfeitamente levar à represália, como forma de vingança. O lado negro da natureza humana é complexo, e pode e deve ser temido pelo grau de perversidade que pode atingir. O leitor já pensou na razão da obstinação de um qualquer suicida?!
Não pretendo de forma alguma relativizar aquela fatídica manhã, até porque todos e quaisquer crimes contra a humanidade deverão sempre ser relevados e objectos de reflexão e discussão conjunta, visando um crescente dirimir destes mesmos actos que atentam contra o orgulho de qualquer cidadão global. Pretendo apenas sublinhar que a vida de um americano vale tanto como a de um iraquiano, de um português, de um etíope ou de um indiano. O mediatismo louco e absolutamente parcial a que presentemente estamos vetados é que desvirtua e distorce essa mesma realidade. O “terror” provocado pelas bombas americanas também é “terror”, e bem real! Nós é que não sentimos o “medo” daí decorrente. Invertendo os actores desta dicotomia terrorismo vs medo, podemos lembrar-nos de que o número de vítimas das guerras no Afeganistão e no Iraque, ainda longe de estarem cessadas, já somam muitas mais do que as do 11/9. E insisto em repetir, uma vida vale precisamente o mesmo em qualquer parte do planeta.
Além da crescente fracturação socioeconómica e todas as consequências que daí advêm, dez anos depois da tragédia o Mundo mostra-nos que como está oferece tudo menos garantias de que alguma lição tenha sido entretanto aprendida, bastando para isso ter presente o histórico de “acções militares” e “actos terroristas” (qual a diferença, mesmo?!) que se têm verificado em zonas de conflito ou sensíveis do ponto de vista estratégico. Por estes dias, precisamente na véspera das cerimónias que assinalaram a tragédia americana, um suicida conduziu um camião carregado de explosivos contra uma base da NATO no Afeganistão. Entre as vítimas, um menino de 8 anos… À data que escrevo, 13 de Setembro, um ataque talibã no Paquistão contra um autocarro escolar (!) provocou a morte do motorista e de pelo menos cinco crianças. Enfim…
Estou em crer que o autoritarismo político intransigente que tem vindo a ser perpetrado e que culmina invariavelmente em fortes repressões bélicas, está longe de ser a solução, pelo contrário. Tal constitui-se como um elemento gerador e agudizador da tal correlação entre “terror” e “medo”, que resulta sempre no mesmo: mais guerra, mais mortes. Enquanto o Mundo e os seus grandes líderes não se mentalizarem de que não devemos combater fogo com ainda mais fogo, mas sim promover gradual e globalmente valores universais de paz, amor, dignidade, liberdade, tolerância e acima de tudo o mais elementar respeito pela vida humana, não creio que haja optimismo algum que possa trazer Esperança ao futuro da Humanidade.
Não é nem nunca será com mais “terror” que se combate eficazmente o “medo” que vai proliferando de um lado e do outro.
A heterogeneidade de convicções de ordem religiosa, xenofóbica e não só, divide-nos cada vez mais, acentuando o grau de violência entre diferentes Estados e comunidades, cujas específicas sensibilidades nunca deverão ser ignorada ou sequer subestimadas, um erro que tem sido recorrente e reincidentemente repetido. A crescente islamofobia que se espalhou um pouco por todo lado no pós 11/9 não veio fazer mais do que avolumar o ódio sectário que ilustra a relação entre as diferentes posições, daí ser prioritário reflectir sobre as causas de toda a espécie de extremismo, e não apenas daquele que surge como forma de discriminação religiosa. Orgulho, dor, desespero e sacrifício são conceitos que muito facilmente redundam na expressão fanática e intolerante. Seja em que parte do mundo for, se um homem com fome deverá sempre ser temido, mais ainda deveremos temer um homem cujos filhos tenham fome; por outro lado, mas mantendo a lógica de pensamento, o que dizer da angústia daqueles que perdem parte ou mesmo a sua família inteira?! A dor do luto de pais, filhos, maridos, mulheres, irmãos e irmãs cujas vidas são para sempre abaladas pelo nojo produzem uma agonia existencial de tal ordem que pode perfeitamente levar à represália, como forma de vingança. O lado negro da natureza humana é complexo, e pode e deve ser temido pelo grau de perversidade que pode atingir. O leitor já pensou na razão da obstinação de um qualquer suicida?!
Não pretendo de forma alguma relativizar aquela fatídica manhã, até porque todos e quaisquer crimes contra a humanidade deverão sempre ser relevados e objectos de reflexão e discussão conjunta, visando um crescente dirimir destes mesmos actos que atentam contra o orgulho de qualquer cidadão global. Pretendo apenas sublinhar que a vida de um americano vale tanto como a de um iraquiano, de um português, de um etíope ou de um indiano. O mediatismo louco e absolutamente parcial a que presentemente estamos vetados é que desvirtua e distorce essa mesma realidade. O “terror” provocado pelas bombas americanas também é “terror”, e bem real! Nós é que não sentimos o “medo” daí decorrente. Invertendo os actores desta dicotomia terrorismo vs medo, podemos lembrar-nos de que o número de vítimas das guerras no Afeganistão e no Iraque, ainda longe de estarem cessadas, já somam muitas mais do que as do 11/9. E insisto em repetir, uma vida vale precisamente o mesmo em qualquer parte do planeta.
Além da crescente fracturação socioeconómica e todas as consequências que daí advêm, dez anos depois da tragédia o Mundo mostra-nos que como está oferece tudo menos garantias de que alguma lição tenha sido entretanto aprendida, bastando para isso ter presente o histórico de “acções militares” e “actos terroristas” (qual a diferença, mesmo?!) que se têm verificado em zonas de conflito ou sensíveis do ponto de vista estratégico. Por estes dias, precisamente na véspera das cerimónias que assinalaram a tragédia americana, um suicida conduziu um camião carregado de explosivos contra uma base da NATO no Afeganistão. Entre as vítimas, um menino de 8 anos… À data que escrevo, 13 de Setembro, um ataque talibã no Paquistão contra um autocarro escolar (!) provocou a morte do motorista e de pelo menos cinco crianças. Enfim…
Estou em crer que o autoritarismo político intransigente que tem vindo a ser perpetrado e que culmina invariavelmente em fortes repressões bélicas, está longe de ser a solução, pelo contrário. Tal constitui-se como um elemento gerador e agudizador da tal correlação entre “terror” e “medo”, que resulta sempre no mesmo: mais guerra, mais mortes. Enquanto o Mundo e os seus grandes líderes não se mentalizarem de que não devemos combater fogo com ainda mais fogo, mas sim promover gradual e globalmente valores universais de paz, amor, dignidade, liberdade, tolerância e acima de tudo o mais elementar respeito pela vida humana, não creio que haja optimismo algum que possa trazer Esperança ao futuro da Humanidade.
Não é nem nunca será com mais “terror” que se combate eficazmente o “medo” que vai proliferando de um lado e do outro.
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