Há momentos na vida em que realmente sentimos que estamos a crescer. São recorrentes as situações-conflito que nos vão surgindo, e das quais podemos sempre retirar algum ensinamento, seja ele de que natureza for. Estas situações por norma acarretam sempre duas vertentes, uma negativa e outra positiva, dois tipos de cenários que interiormente projectamos e que nos levam a procurar o nosso caminho, qual deles seguir? É esta eterna problematização que nos faz tão complexos, mas ao mesmo tempo tão especiais. Permite-nos um permanente reequacionar de determinadas realidades, que julgamos inquestionáveis em determinadas circunstâncias. Quem nunca mudou de opinião em relação a um ou outro assunto, ou a uma ou outra pessoa? Ninguém, por certo. O ser humano é volátil, e resta-nos aprender a saber conviver pacificamente com essa mesma volatilidade.
Uma das coisas que tenho aprendido de há uns tempos a esta parte é que não se pode ser amigo de toda a gente. É desolador, e não deveria ser assim, mas é a verdade. A pura das verdades. Somos todos demasiado diferentes e únicos para conseguirmos relacionarmo-nos em harmonia plena com todos sem excepção. E depois, lá está, tudo nos representa: as preferências que revelamos e os posicionamentos que ocupamos, tudo é alvo de apreciação, seja ela de que qualidade for. Se num meio maior se denotam tão facilmente as proximidades e afastamentos dos diferentes estereótipos, diferentes “tipos” de pessoas, imagine-se num meio mais pequeno, e nas consequentes teias pessoais e sociais daí decorrentes. Há sempre o que procura prejudicar o outro por prejudicar, como também há aquele que se rege pelo princípio básico de assim não o ser. Enfim, diferentes formas de ser, e diferentes formas de estar. A realidade é que o processo de amadurecimento nos vai revelando aos poucos quão ingénua pode ser a nossa inocência, frase esta que pode parecer uma redundância, mas não o é. Era tão bom que pudéssemos preservar a nossa natural inocência, acreditarmos indefectivelmente nas pessoas e nas suas vontades sem a mínima hesitação, mas depois acabamos por mais tarde ou mais cedo “chocar”, e aí amadurecemos e reparamos que fomos ingénuos por nos entregar dessa forma. São essas as tais situações-conflito, e tão importantes que elas são na definição das nossas personalidades.
Além de voláteis, pela inconstância, conseguimos também ser bastante mauzinhos quando queremos. O “dark side” de todos nós é incontornável, porque é assim que todos somos. Era assim também com todas as figuras históricas, com certeza. Desde Jesus Cristo a Adolf Hitler, desde a Madre Teresa de Calcutá a Charles Manson. Creio que não há ninguém que tenha tudo de bom sem ter um bocadinho de mau, como não creio que haja alguém que só saiba ser mau, sem ter um bocadinho de bom. É a natureza humana, nua e crua. Daí o tal “choque” entre os diferentes indivíduos, e as diferentes representações que cada um encerra. As intrigas, as falsidades, os “diz-que-disse”, as invejas e os rancores são todos sentimentos e atitudes decorrentes da intolerância e do maquiavelismo de algumas mentes, que por vezes conseguem ser realmente surpreendentes, pela sua premeditação e engenho. Algumas proximidades surgem tão naturalmente como alguns afastamentos, umas por interesse, outras por conveniência. Felizmente também que ainda temos aproximações entre pessoas que se pautam pelo mais imaculado desinteresse, o que vai rareando cada vez mais, mas são essas que nos fazem rejubilar e engrandecem. Grandes confidências geram grandes desilusões por vezes, daí considerar que só nos devemos dar de alma e coração a quem realmente o justifique. No entanto, é realmente gratificante quando nos identificamos com alguém a quem nos podemos entregar sem quaisquer tipo de reservas, seja em que plano for, pois se assim não fosse corríamos o risco de nos isolar cada vez mais neste mundo. O silencioso e singular interior profundo do olhar de cada um de nós e de cada pensamento deve ser partilhado, e será essa a mais genuína das generosidades, o momento em que de facto nos damos a alguém.
No entanto, nem tudo são rosas. Quando optamos por acreditar nas pessoas em vez de uma qualquer entidade superior, a desilusão acaba sempre por ficar mais próxima. A vida real é sempre mais crua do que qualquer projecção metafísica. Projectamos os nossos cenários de acordo com as nossas expectativas e anseios, mas muitas vezes a vida real mostra-nos que estes são inexequíveis. Poderei transparecer algum desencanto, mas os anos têm-me ensinado que o Sonho facilmente se vai desvanecendo com o decorrer da vida, e das amarguras que esta nos traz, fortalecendo-nos por um lado mas desapontando-nos por outro, mostrando-nos quão pequeninos somos, tão vulneráveis perante tudo o que nos pode acontecer. Algures pela adolescência, julgo que todos nos sentimos de certa forma imortais, plenamente capazes, conhecedores e até mesmo dominadores, sendo que mais tarde acabamos por chegar à conclusão, inquietados, que as nossas fraquezas e limitações são imensas. Afinal somos humanos! E o ser humano é frágil, quer queiramos quer não, e finito. Uns mais que outros, mas todos somos frágeis, e imperfeitos, como reza a iluminada expressão, “ninguém é perfeito”. O mesmo se aplica aos relacionamentos, sejam eles pessoais ou profissionais, amorosos ou de amizade, de longa data ou meramente circunstanciais – nenhum é perfeito.
Outra verdade também é que não poderemos nem deveremos nunca ambicionar a perfeição, simplesmente porque ela é inatingível. Daí ser importantíssimo sabermos viver e conviver com as nossas fraquezas e limitações, relativizando-as, sem nunca permitir que estas se sobreponham a tudo aquilo que temos de bom, tudo o que devemos enaltecer em nós e procurar fomentar todos os dias, a toda a hora.
Já que não podemos agradar a toda a gente, podemos pelo menos agradar a nós próprios, sendo verdadeiros connosco mesmo, e em consciência.
O poder da consciência é fantástico.
Uma das coisas que tenho aprendido de há uns tempos a esta parte é que não se pode ser amigo de toda a gente. É desolador, e não deveria ser assim, mas é a verdade. A pura das verdades. Somos todos demasiado diferentes e únicos para conseguirmos relacionarmo-nos em harmonia plena com todos sem excepção. E depois, lá está, tudo nos representa: as preferências que revelamos e os posicionamentos que ocupamos, tudo é alvo de apreciação, seja ela de que qualidade for. Se num meio maior se denotam tão facilmente as proximidades e afastamentos dos diferentes estereótipos, diferentes “tipos” de pessoas, imagine-se num meio mais pequeno, e nas consequentes teias pessoais e sociais daí decorrentes. Há sempre o que procura prejudicar o outro por prejudicar, como também há aquele que se rege pelo princípio básico de assim não o ser. Enfim, diferentes formas de ser, e diferentes formas de estar. A realidade é que o processo de amadurecimento nos vai revelando aos poucos quão ingénua pode ser a nossa inocência, frase esta que pode parecer uma redundância, mas não o é. Era tão bom que pudéssemos preservar a nossa natural inocência, acreditarmos indefectivelmente nas pessoas e nas suas vontades sem a mínima hesitação, mas depois acabamos por mais tarde ou mais cedo “chocar”, e aí amadurecemos e reparamos que fomos ingénuos por nos entregar dessa forma. São essas as tais situações-conflito, e tão importantes que elas são na definição das nossas personalidades.
Além de voláteis, pela inconstância, conseguimos também ser bastante mauzinhos quando queremos. O “dark side” de todos nós é incontornável, porque é assim que todos somos. Era assim também com todas as figuras históricas, com certeza. Desde Jesus Cristo a Adolf Hitler, desde a Madre Teresa de Calcutá a Charles Manson. Creio que não há ninguém que tenha tudo de bom sem ter um bocadinho de mau, como não creio que haja alguém que só saiba ser mau, sem ter um bocadinho de bom. É a natureza humana, nua e crua. Daí o tal “choque” entre os diferentes indivíduos, e as diferentes representações que cada um encerra. As intrigas, as falsidades, os “diz-que-disse”, as invejas e os rancores são todos sentimentos e atitudes decorrentes da intolerância e do maquiavelismo de algumas mentes, que por vezes conseguem ser realmente surpreendentes, pela sua premeditação e engenho. Algumas proximidades surgem tão naturalmente como alguns afastamentos, umas por interesse, outras por conveniência. Felizmente também que ainda temos aproximações entre pessoas que se pautam pelo mais imaculado desinteresse, o que vai rareando cada vez mais, mas são essas que nos fazem rejubilar e engrandecem. Grandes confidências geram grandes desilusões por vezes, daí considerar que só nos devemos dar de alma e coração a quem realmente o justifique. No entanto, é realmente gratificante quando nos identificamos com alguém a quem nos podemos entregar sem quaisquer tipo de reservas, seja em que plano for, pois se assim não fosse corríamos o risco de nos isolar cada vez mais neste mundo. O silencioso e singular interior profundo do olhar de cada um de nós e de cada pensamento deve ser partilhado, e será essa a mais genuína das generosidades, o momento em que de facto nos damos a alguém.
No entanto, nem tudo são rosas. Quando optamos por acreditar nas pessoas em vez de uma qualquer entidade superior, a desilusão acaba sempre por ficar mais próxima. A vida real é sempre mais crua do que qualquer projecção metafísica. Projectamos os nossos cenários de acordo com as nossas expectativas e anseios, mas muitas vezes a vida real mostra-nos que estes são inexequíveis. Poderei transparecer algum desencanto, mas os anos têm-me ensinado que o Sonho facilmente se vai desvanecendo com o decorrer da vida, e das amarguras que esta nos traz, fortalecendo-nos por um lado mas desapontando-nos por outro, mostrando-nos quão pequeninos somos, tão vulneráveis perante tudo o que nos pode acontecer. Algures pela adolescência, julgo que todos nos sentimos de certa forma imortais, plenamente capazes, conhecedores e até mesmo dominadores, sendo que mais tarde acabamos por chegar à conclusão, inquietados, que as nossas fraquezas e limitações são imensas. Afinal somos humanos! E o ser humano é frágil, quer queiramos quer não, e finito. Uns mais que outros, mas todos somos frágeis, e imperfeitos, como reza a iluminada expressão, “ninguém é perfeito”. O mesmo se aplica aos relacionamentos, sejam eles pessoais ou profissionais, amorosos ou de amizade, de longa data ou meramente circunstanciais – nenhum é perfeito.
Outra verdade também é que não poderemos nem deveremos nunca ambicionar a perfeição, simplesmente porque ela é inatingível. Daí ser importantíssimo sabermos viver e conviver com as nossas fraquezas e limitações, relativizando-as, sem nunca permitir que estas se sobreponham a tudo aquilo que temos de bom, tudo o que devemos enaltecer em nós e procurar fomentar todos os dias, a toda a hora.
Já que não podemos agradar a toda a gente, podemos pelo menos agradar a nós próprios, sendo verdadeiros connosco mesmo, e em consciência.
O poder da consciência é fantástico.
Sem comentários:
Enviar um comentário