Tarcisio Bertone, o Secretário de Estado do Vaticano, braço direito do Papa e considerado como o número dois da actual hierarquia clerical, incendiou recentemente a já crónica discussão em torno da existência de abusos sobre menores na Igreja, nomeadamente estabelecendo uma relação lógica entre pedofilia e homossexualidade. “Isto é verdade, este é o problema”, exclamou a propósito, quando questionado sobre se a suspensão do celibato ajudaria a acabar com estes casos. Escusado será dizer que esta categórica tomada de posição gerou variadíssimas reacções de origens distintas, provocando grande indignação principalmente junto da comunidade gay, pelo absurdo da referida associação, mas penso que importa sobretudo centrar a discussão no “verdadeiro problema”: os comprovados escândalos de abusos sexuais sobre menores protagonizados por padres e sacerdotes.
No entanto, nem todos se furtam à responsabilidade. Ainda recentemente D. José Policarpo se referiu aos “pecados da Igreja” apelando ao “perdão”, sem todavia nunca se referir directamente a actos pedófilos. Pergunto eu, mas haverá “perdão” para tão horrível crime? Não pretendo fazer deste artigo um objecto de ataque à Igreja e aos seus seguidores, até porque em primeiro lugar nem considero que tenha essa legitimidade, encontrando-me apenas a expressar a minha singular opinião, que a meu ver merecerá a mesma consideração que a de um qualquer outro indivíduo, de concordante ou contrastante posição. Quero ainda sublinhar que respeito imenso quem pratica a religião católica, pois tenho como positivos grande parte dos valores por ela veiculados, pelo apurado sentido de altruísmo, amor e compaixão pelo próximo. Para muitos será como uma espécie de equilíbrio, de natureza pessoal e emotiva, um “suporte” que lhes permite sustentar as suas próprias existências, vivendo em paz consigo próprios e com quem os rodeia, muitas vezes também como comportamentos de fuga ou compensatórios, por eventuais desgraças ocorridas, refugiando-se de certa forma da angústia e do desespero que a realidade das suas vidas lhes provoca. Enfim, cada um decide a sua conduta de vida e as suas próprias “terapias” que lhe permitam atingir esse tão desejado ponto de equilíbrio, de uma forma ou outra, e creio que o fundamental será respeitar. Gosto sempre de lembrar esse valor tão importante que é o Respeito, vastas vezes por muitos “esquecido”, mas que não me impedirá nunca de dizer o que penso de forma directa e transparente, pois afinal trata-se de um direito que me assiste!
Há uma evidente e inegável intolerância histórica da Igreja, desde as antigas fogueiras inquisitórias que queimavam os supostos hereges até às actuais atitudes proibitivas em relação às uniões de homossexuais, ou ao uso do preservativo, por exemplo. Em relação a esta última, ainda recentemente li acerca da indignação de organizações não governamentais após o Vaticano manter a sua oposição ao uso deste método contraceptivo a propósito do flagelo que se verifica com a propagação do vírus da Sida pelo continente africano. Haverá explicação racional para semelhante tomada de posição? A repressiva moral sexual da Igreja e a recente emergência da problemática dos provados crimes de abusos sobre menores lembra-me uma palavra apenas: hipocrisia. A mesma hipocrisia que também me ocorre quando reflicto sobre a tão apregoada solidariedade cristã para com os pobres e os mais necessitados, vendo ao mesmo tempo uma imensidão de pedintes à porta da Santa Sé no Vaticano, sem ter que comer. Os mesmos que defendem a igualdade e a distribuição são aqueles que têm as vestimentas forradas a ouro, tal como os tectos das sumptuosas edificações que têm vindo a erguer, numa megalomania em grande parte alimentada pelos donativos daqueles que menos têm, mas que se sentem nessa obrigação. Veja-se Fátima também, por exemplo.. Haverá maior assimetria do que o fausto da Igreja e a miséria do Povo? Adiante..
Segundo o Vaticano, 20.000 sacerdotes católicos estão envolvidos em escândalos de abusos sexuais de menores.. 20.000! Segundo o Vaticano, claro.. Trata-se de um número demasiado grande para ser ignorado, a meu ver, e que para além disso indicia que o problema não estará apenas relacionado com uma pequena minoria, dada a vastidão de indivíduos envolvidos, de diferentes proveniências onde decorrem investigações e se abriram processos-crime: Alemanha, Austrália, Áustria, Brasil, Canadá, Espanha, Estados Unidos, Holanda, Irlanda, Itália, Malta, Portugal, Suíça.. Impressionante! Podemos afirmar taxativamente que não são casos isolados e individuais, mas sim um problema estrutural da Igreja. É caso para pensar no seguinte, se os representantes de Cristo na Terra, sejam eles padres, bispos ou sacerdotes, assumem um compromisso celibatário de privação, como poderão a posteriori quebrá-lo cometendo o mais hediondo dos crimes e ainda permanecendo impune? Será ultrajante, no mínimo, e forçará porventura toda a comunidade global a tomar uma posição, dado adquirido que é o branqueamento da situação por parte do Vaticano, e de grande parte da comunidade cristã, salvo algumas excepções de vozes discordantes, que agora se fazem ouvir mas que permaneceram durante anos no mais comprometido silêncio. Assim sendo, tal implicará que não se aplique somente a indulgente lei de Deus, que apenas excomunga os pecadores, mas também que se aplique a Lei dos homens, por princípio igual para todos, e de mão pesada de preferência, tanto para os prevaricadores como para quem os procura encobrir. Julguem-se os responsáveis por tão censuráveis actos, que deverão ser alvo de severa punição, de forma claramente exemplar, com o intuito de se dissuadirem futuros comportamentos de natureza semelhante.
Se estamos presente o mais baixo e vil dos horrores humanos, que eu qualificaria mesmo de animalesco, pela sua infâmia, que dizer ou pensar quando estas atrocidades são cometidas pelos supostos “soldados” da Paz, que alegadamente deveriam espalhar a mensagem de Amor e Compaixão por esse mundo fora?
Será porventura a pior de todas as hipocrisias. “Perdão”?? Eu diria: Vergonha!
No entanto, nem todos se furtam à responsabilidade. Ainda recentemente D. José Policarpo se referiu aos “pecados da Igreja” apelando ao “perdão”, sem todavia nunca se referir directamente a actos pedófilos. Pergunto eu, mas haverá “perdão” para tão horrível crime? Não pretendo fazer deste artigo um objecto de ataque à Igreja e aos seus seguidores, até porque em primeiro lugar nem considero que tenha essa legitimidade, encontrando-me apenas a expressar a minha singular opinião, que a meu ver merecerá a mesma consideração que a de um qualquer outro indivíduo, de concordante ou contrastante posição. Quero ainda sublinhar que respeito imenso quem pratica a religião católica, pois tenho como positivos grande parte dos valores por ela veiculados, pelo apurado sentido de altruísmo, amor e compaixão pelo próximo. Para muitos será como uma espécie de equilíbrio, de natureza pessoal e emotiva, um “suporte” que lhes permite sustentar as suas próprias existências, vivendo em paz consigo próprios e com quem os rodeia, muitas vezes também como comportamentos de fuga ou compensatórios, por eventuais desgraças ocorridas, refugiando-se de certa forma da angústia e do desespero que a realidade das suas vidas lhes provoca. Enfim, cada um decide a sua conduta de vida e as suas próprias “terapias” que lhe permitam atingir esse tão desejado ponto de equilíbrio, de uma forma ou outra, e creio que o fundamental será respeitar. Gosto sempre de lembrar esse valor tão importante que é o Respeito, vastas vezes por muitos “esquecido”, mas que não me impedirá nunca de dizer o que penso de forma directa e transparente, pois afinal trata-se de um direito que me assiste!
Há uma evidente e inegável intolerância histórica da Igreja, desde as antigas fogueiras inquisitórias que queimavam os supostos hereges até às actuais atitudes proibitivas em relação às uniões de homossexuais, ou ao uso do preservativo, por exemplo. Em relação a esta última, ainda recentemente li acerca da indignação de organizações não governamentais após o Vaticano manter a sua oposição ao uso deste método contraceptivo a propósito do flagelo que se verifica com a propagação do vírus da Sida pelo continente africano. Haverá explicação racional para semelhante tomada de posição? A repressiva moral sexual da Igreja e a recente emergência da problemática dos provados crimes de abusos sobre menores lembra-me uma palavra apenas: hipocrisia. A mesma hipocrisia que também me ocorre quando reflicto sobre a tão apregoada solidariedade cristã para com os pobres e os mais necessitados, vendo ao mesmo tempo uma imensidão de pedintes à porta da Santa Sé no Vaticano, sem ter que comer. Os mesmos que defendem a igualdade e a distribuição são aqueles que têm as vestimentas forradas a ouro, tal como os tectos das sumptuosas edificações que têm vindo a erguer, numa megalomania em grande parte alimentada pelos donativos daqueles que menos têm, mas que se sentem nessa obrigação. Veja-se Fátima também, por exemplo.. Haverá maior assimetria do que o fausto da Igreja e a miséria do Povo? Adiante..
Segundo o Vaticano, 20.000 sacerdotes católicos estão envolvidos em escândalos de abusos sexuais de menores.. 20.000! Segundo o Vaticano, claro.. Trata-se de um número demasiado grande para ser ignorado, a meu ver, e que para além disso indicia que o problema não estará apenas relacionado com uma pequena minoria, dada a vastidão de indivíduos envolvidos, de diferentes proveniências onde decorrem investigações e se abriram processos-crime: Alemanha, Austrália, Áustria, Brasil, Canadá, Espanha, Estados Unidos, Holanda, Irlanda, Itália, Malta, Portugal, Suíça.. Impressionante! Podemos afirmar taxativamente que não são casos isolados e individuais, mas sim um problema estrutural da Igreja. É caso para pensar no seguinte, se os representantes de Cristo na Terra, sejam eles padres, bispos ou sacerdotes, assumem um compromisso celibatário de privação, como poderão a posteriori quebrá-lo cometendo o mais hediondo dos crimes e ainda permanecendo impune? Será ultrajante, no mínimo, e forçará porventura toda a comunidade global a tomar uma posição, dado adquirido que é o branqueamento da situação por parte do Vaticano, e de grande parte da comunidade cristã, salvo algumas excepções de vozes discordantes, que agora se fazem ouvir mas que permaneceram durante anos no mais comprometido silêncio. Assim sendo, tal implicará que não se aplique somente a indulgente lei de Deus, que apenas excomunga os pecadores, mas também que se aplique a Lei dos homens, por princípio igual para todos, e de mão pesada de preferência, tanto para os prevaricadores como para quem os procura encobrir. Julguem-se os responsáveis por tão censuráveis actos, que deverão ser alvo de severa punição, de forma claramente exemplar, com o intuito de se dissuadirem futuros comportamentos de natureza semelhante.
Se estamos presente o mais baixo e vil dos horrores humanos, que eu qualificaria mesmo de animalesco, pela sua infâmia, que dizer ou pensar quando estas atrocidades são cometidas pelos supostos “soldados” da Paz, que alegadamente deveriam espalhar a mensagem de Amor e Compaixão por esse mundo fora?
Será porventura a pior de todas as hipocrisias. “Perdão”?? Eu diria: Vergonha!
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