Introdução
O
seguinte documento contém propostas concretas e algumas ideias que me parecem
bastante úteis para a continuação de um desenvolvimento harmonioso no nosso
Concelho, nos mais variados sectores. Este pretende essencialmente ser sério,
útil e acima de tudo construtivo, sendo eventualmente até um ponto de partida
para outras contribuições. Não alinho pela perspectiva de que Mortágua
estagnou, ou se encontra numa situação de impasse no seu progresso. Mais, não
me parece de todo que seja efectivamente necessário “melhorar a vida das
pessoas” de um modo tão singularmente convicto, dado que não tenho qualquer
tipo de dúvidas de que este Concelho dispõe de apoios sociais quase ímpares
numa análise comparativa com toda a restante realidade nacional, nomeadamente nos
apoios direccionados à Família, pelo que não me parece que seja preciso revolucionar
essa área, apesar de alguns ajustes que poderão e deverão ser tidos em
consideração. Concordo com grande parte da gestão que tem sido levada a cabo e
parece-me que esta é sobretudo supra-partidária, dado que tivemos um mandato dirigido
por um Executivo de outra cor política mas que manteve de uma forma geral todas
as linhas orientadoras que foram imagens de marca em mandatos anteriores. Pela
minha leitura, não houve, portanto, qualquer tipo de retrocesso, embora também
exista, todavia e como é evidente, sempre espaço para melhorar. É precisamente na
procura dessa melhoria que me procurei focar, sendo esta proposta um ponto de
partida e não um ponto de chegada, dado que esta resulta não só da minha visão
estratégica mas também de muitas conversas que mantive com outros conterrâneos participativos
e preocupados com o futuro de Mortágua e de todos nós, Mortaguenses. Estamos
seriamente comprometidos com o fenómeno do envelhecimento da nossa população,
que apesar de não ser uma realidade meramente local, tem-nos fustigado em
particular como acontece em muito poucos outros Concelhos, sendo este um
problema muito grave que nos obriga a reflectir, e consequentemente a reagir.
De resto, temos todas as condições para incrementar a nossa qualidade de vida e
tornar Mortágua ainda mais apetecível no sentido de que as pessoas tomem a
decisão de cá fixar as suas vidas, por um lado, e nos queiram visitar, pelo
outro. Tornar Mortágua ainda melhor do que aquilo que já é: creio que esse deverá
ser o maior de todos os desígnios a orientar a ambição de cada candidato em
liderar as nossas Autarquias e representar as nossas gentes.
Transparência e Proximidade
Na sociedade contemporânea, creio que o
favorecimento do fluxo de informação entre a Autarquia e os Munícipes é
extraordinariamente importante, até porque, dada a presente realidade, é cada
vez mais necessário estimular a participação e a cidadania activa de todos os
Mortaguenses, sem excepção. Deste modo, torna-se imprescindível a promoção de um maior
conhecimento e interacção da parte dos representados nos assuntos e nas
decisões políticas que são tomadas pelos nossos representantes. As
possibilidades são imensas, mas elenco desde já algumas, começando desde logo
pelo próprio programa eleitoral participado. De resto, também a elaboração do
Orçamento e das Grandes Opções do Plano (GOP) poderá e deverá ser objecto dessa
mesma participação. Mortágua tem obtido classificações modestas no ranking do
Índice de Transparência Municipal (IMT), cujos critérios se direccionam acima
de tudo para a quantidade e a qualidade da informação que é disponibilizada nos
sites das Autarquias, pelo que creio que há, de facto, imenso a fazer nesta
área. O que é de todo interessante, se tivermos em conta a necessidade do
exercício das chamadas democracias modernas, cuja natureza é desejavelmente
transparente, inclusiva, aberta e participada. Assim, proponho uma total
redefinição do site da Câmara Municipal de Mortágua, bem como uma mudança de
fundo na atitude e na vontade de tornar públicas todas as iniciativas políticas
que se antevêem mas também todos os documentos que suportam essas mesmas
intenções, no sentido de reforçar a validade e a legitimidade de todas as
decisões que são tomadas na Casa que é de todos nós. Há mais, no entanto, que
pode ser feito. Sugiro a divulgação de vídeos das sessões de Assembleia
Municipal (AM) e das Reuniões de Câmara (RC) no site do Município. A publicação
permanentemente actualizada das actas das sessões da AM e das RC no site da
Câmara é, na minha opinião, não só desejável como exigível, sendo que tal
prática não tem sido eficientemente cumprida nos últimos largos anos de
exercício autárquico. Poderá ainda haver lugar à realização de inquéritos, de
sondagens e/ou de eventuais referendos públicos, que podem ser preciosos
instrumentos de aferição e de orientação nas tomadas de decisão que serão levadas
a cabo. Toda essa plataforma digital seria ainda um meio que permitisse aos
munícipes enviar sugestões aos seus representantes em canal aberto e
participado.
Outra
proposta que lanço é a da transformação da actual agenda mensal numa revista ou
num jornal também municipal e igualmente gratuito, mas mais ambicioso, mais
completo e com a possibilidade da participação aberta dos Munícipes e das
Associações, com sugestões, opiniões, etc. Ser não apenas um canal de
transmissão de informação entre a Autarquia e os Munícipes, mas proporcionar
também um fluxo de informação inverso.
O
objectivo destas orientações é muito simples: governar directamente para as
pessoas e para os seus problemas, estimulando a sua participação através do
acesso à informação, promovendo assim uma cidadania muito mais interventiva,
mais activa e informada, aliada a uma maior eficiência dos serviços e uma maior
legitimação do exercício autárquico. Medidas concretas que apontam ao aumento
de transparência e de proximidade entre a Autarquia e os Munícipes. Até porque
não basta dizer que se vai ser transparente e próximo, é necessário explicar-se
em concreto e com rigor como é que isso vai acontecer.
Fixação
de Trabalhadores
A fixação em Mortágua dos trabalhadores das nossas
empresas deverá ser uma prioridade dos nossos representantes, no sentido de
travar o flagelo demográfico do envelhecimento acentuado da nossa população,
realidade essa que se tem verificado nos últimos anos de forma crescente. Deste
modo, proponho a atribuição em forma de incentivo de uma bolsa de fixação no
valor de 1000€ para trabalhadores de empresas locais que alterem a residência
fiscal para Mortágua, com comprovativo de residência registada com pelo menos
um ano. Lanço apenas a sugestão de forma básica, pois entendo que a medida deve
ser objecto de reflexão por pessoal especializado, no sentido de ser
aperfeiçoada e completada por outros critérios que devem ser estudados e
concebidos com o objectivo de a tornarem o mais eficaz possível.
Fixação de Famílias
Estrangeiras
É urgente combater o abandono e a desertificação das
nossas aldeias, pelo que existem tendências migratórias reais que podiam e
deviam ser potenciadas, especialmente tendo em conta a realidade global em que
hoje vivemos. Existem famílias-modelo de novos Mortaguenses que são verdadeiros
casos de sucesso na adaptação ao nosso Concelho, cujos testemunhos poderão ser
aproveitados para sensibilizar mais estrangeiros a fixarem-se cá também. Em Mortágua, temos aldeias que permitem um
contacto imensamente privilegiado com a Natureza, perfeito para quem pretende
sair da poluição e da azáfama dos grandes centros urbanos. Além disso, também
temos preços muito competitivos e políticas sociais de grande qualidade no
apoio à Família. Proponho a
realização de campanhas publicitárias além-fronteiras, através de vídeos
promocionais realizados por técnicos locais. Simples, barato e potencialmente
muito eficaz no combate ao abandono e à desertificação das nossas aldeias, que
desse impulso estão dramaticamente necessitadas. Tendências modernas de uma globalização latente que
podemos e devemos saber capitalizar.
A Aposta no Turismo Rural
O Alojamento Local (AL) é um sector económico que se
encontra em franca expansão a nível nacional e internacional. Já temos inclusivamente no Concelho alguns
exemplos de AL com sucesso, por norma habitações rústicas que são recuperadas e
requalificadas em locais de grande interesse natural e que são essencialmente
divulgadas e procuradas pela tranquilidade imensa que proporcionam a quem os
visita. O interesse turístico internacional no Interior Português tem aumentado
significativamente nos últimos tempos, pelo que esta propensão deverá ser
aproveitada, principalmente quando há ferramentas que auxiliam e de que maneira
essa divulgação, como algumas aplicações móveis e gratuitas de publicidade e
pesquisa que têm uma projecção e popularidade estrondosas por esse mundo fora.
Sugiro que se estudem e avaliem formas de incentivo que possam ser
potencialmente eficazes, tal como se podem promover sessões de esclarecimento
que levem directamente esta informação às pessoas, no sentido de as estimular à
exploração deste ramo de negócio. Como é evidente, a atractividade turística do
Concelho de Mortágua é fundamental, pelo que importa investir decididamente no
Turismo de Natureza que colocamos ao dispor de quem nos pretende visitar. As
possibilidades são muito vastas, e se em abono da verdade já temos bastantes
visitantes com a pouca promoção e os poucos equipamentos que temos, imagine-se
como será se houver uma aposta firme nessa direcção. Estas são também
tendências modernas de uma globalização latente que podemos e devemos saber
capitalizar. Mais, temos mesmo a obrigação de a saber aproveitar.
O Centro Histórico da Vila de
Mortágua
O abandono e a crescente desertificação do centro
histórico da vila de Mortágua é algo que provoca uma tristeza imensa em todos
os Mortaguenses. Torna-se por isso urgente e necessário que se adoptem medidas
concretas no sentido de o dinamizar e requalificar. É certo que a reabilitação
e a utilização de edifícios privados cabe sobretudo aos privados, mas compete à
Autarquia criar todas as condições envolventes para permitir e favorecer até
essa intenção privada. Há incentivos para essa finalidade que poderão ser
avaliados, como por exemplo a absoluta isenção de taxas para a abertura de
novos estabelecimentos comerciais nesta zona. O centro histórico da vila de
Mortágua precisa sobretudo de mais movimento e de mais vida, pelo que proponho
a transferência dos diversos “mercadinhos” que se vão fazendo durante o ano no
espaço à frente da Câmara Municipal para a parte de trás, aproveitando toda a
zona envolvente que vai do Pelourinho até ao Chafariz. Sugiro ainda a criação e a instituição de um
Mercado Tradicional com periodicidade sazonal (quatro vezes por ano, uma em
cada estação), que poderia denominar-se como a “Feira do Juiz de Fora”: um
evento de implementação gradual, mas que pretenderia a médio prazo afirmar-se
como um certame incontornável da agenda local. Contaria com o envolvimento dos
habitantes do Concelho e a participação de todas as Associações, com espaços e
infra-estruturas devidamente providenciadas pela Autarquia, com utilização gratuita,
no sentido de favorecer uma maior participação. Estas infra-estruturas também
poderiam ser colocadas ao longo do caminho para o Pontão, ao encontro do novo
percurso pedestre, e sobretudo no largo do Pelourinho até ao Chafariz. A Feira
teria jogos tradicionais e animação musical, com a promoção de produtos
regionais vários e com uma forte componente cultural e gastronómica. Poderia
ainda haver a possibilidade de uma alternância temática entre as várias edições
da Feira, umas mais direccionadas para os livros, para o artesanato ou para as
velharias, por exemplo, entre muitas outras hipóteses. Poderá ainda ser
concebida e direccionada para uma feição mais medieval. As soluções são
imensas, mas creio que seria uma forma de dar mais movimento a uma zona que
dele está claramente necessitada. Fica a sugestão.
Captação de Investimento
Nacional e Estrangeiro
A captação de investimento nacional e estrangeiro tem que
ser uma prioridade fundamental, e essa não pode ser uma função investida em
exclusivo e apenas na figura do Presidente da Câmara. Desse modo, proponho a
profissionalização destas competências através da criação de um gabinete
técnico especializado nessa mesma captação. Este seria articulado com o
gabinete de desenvolvimento e de empreendedorismo que já existe, e teria como
principal objectivo a promoção de uma nova imagem do Concelho, que permita
abrir outro tipo de horizontes, mais ambiciosos. Como? Marcando presença em
feiras nacionais e internacionais, criando e lançando de forma irreverente e
arrojada a tal nova imagem difusora da realidade local que importa transmitir:
um Concelho com uma política de impostos e condições gerais muito favoráveis à
fixação de empresas e consequente criação de emprego, e ainda a existência de
rotas turísticas atractivas (actuais e novas) que promovam o ambiente e a
qualidade de vida de que dispomos em Mortágua. Daí a enorme importância da
oferta de um Turismo de Natureza de excelência em torno do qual deve haver uma
grande aposta.
A Água
Trata-se de um
assunto polémico que não tem sido objecto da atenção e do tratamento devido por
parte das candidaturas existentes, por diversas razões que aqui não importa
aflorar. Na minha opinião, e sustentado na informação que circula, não há
possibilidade de renegociar os termos do contrato que existe para uma solução
que seja mais justa para os Mortaguenses, pelo que o melhor, ou neste caso o
menos mau, será aguardar pelo final desta desastrosa concessão. Enveredar por
uma renegociação que aumente os prazos de concessão nunca poderá ser uma
solução positiva, a meu ver, pois mesmo que se baixe o preço do fornecimento,
estamos apenas a empurrar o problema mais para a frente. A prioridade deverá
ser a de nos desamarrarmos o mais rápido possível deste compromisso que nos foi
tão nefasto. Creio ainda que os nossos representantes devem manifestar
publicamente o desagrado pelo acordo que existe e não fazer precisamente o
contrário, dado que este apenas protege os interesses de uma das partes, e
assim sendo procurar forçar a uma redução unilateral do preço, até por um
imperativo moral, tendo em conta os lucros incríveis que a Águas do Planalto
regista. Se tal não for possível, como é de prever, a solução que proponho é a
do corte de relações com a concessionária e a preparação imediata de um
processo de remunicipalização deste bem público que é tão precioso para todos
nós, e que tenha início mal acabe esta concessão ruinosa. Mais, havendo
pareceres minimamente robustos nesse sentido, deve lutar-se contra a polémica
adenda que foi rubricada entre a Associação de Municípios e a Águas do
Planalto, tendo em conta que existem leituras públicas várias que colocam em
causa a sua legalidade. Esperar que termine o prazo de concessão e lutar contra
este desastroso acordo que existe parece-me ser a solução que mais honra a
dignidade de todos os Mortaguenses, em esmagadora maioria revoltados com os
contornos obscuros que caracterizam toda esta terrível negociata.
Turismo e Património
A aposta nesta área é fundamental porque se trata de
um sector de importância transversal para o desenvolvimento de muitos outros.
Acredito piamente que o nosso progresso humano e económico se deverá orientar
também em torno do Turismo de Natureza e não apenas através do foco em absoluto
no processo de industrialização do Concelho. Assim sendo, proponho que se trabalhe, recupere e revitalize a imagem do Município, refundando-a e dando
início a ambiciosas campanhas de marketing no sentido de promover Mortágua, em articulação
com o novo gabinete técnico especializado na captação de investimento nacional
e estrangeiro e ainda com uma eficiente promoção conjunta do nosso Turismo de
Natureza. Devemos modernizar a nossa
estratégia turística, adaptando-a à nova imagem do Município e revendo as
prioridades das respostas que actualmente existem. Para isso torna-se também
necessário renovar o próprio Posto de Turismo, aumentando os seus meios e a sua
ambição de chegar mais longe e a mais pessoas.
Sugiro
que se defina e se crie um maior número de percursos pedestres específicos e
devidamente sinalizados, com infra-estruturas de madeira em locais
privilegiados. Proponho em concreto que se lance o prolongamento do percurso pedestre que já existe, entre o Barril e Vale
de Açores, estendendo-o desse modo até Caparrosinha. O reaproveitamento
do espaço envolvente ao rio de Vale de Açores também é uma necessidade,
apontando à realização de eventos desportivos como a pesca e à recuperação da
prática de desportos náuticos como a canoagem, em cooperação com uma associação
a incentivar para o efeito, ligando harmoniosamente dessa forma o percurso
pedestre que já existe com o que se ambiciona implantar. Nas Cascatas das Paredes, é urgente a
construção de plataformas de apoio em forma de passadiços, prolongando dessa
forma o percurso até ao cimo da montanha onde estas estão naturalmente integradas,
permitindo dessa forma a sua visita com conforto e com toda a segurança. A
construção de outro percurso pedestre nas maravilhosas margens da ribeira de
Vila Moinhos, desde a Ponte até à Barragem do Lapão, seria outro investimento
produtivo, no sentido de aproveitar os recursos naturais de que dispomos,
aumentando assim a oferta turística à disposição de quem nos visita. Conceber
uma ligação viária minimamente digna até ao Valongo e incentivar a criação de
uma associação de desportos náuticos na Albufeira da Barragem, com óbvia
ligação às novas ambições do Posto de Turismo, poderá ser outra das medidas a
ter em consideração, dado que a degradação de um espaço com tanto potencial é
deprimente e, acima de tudo, um enorme desperdício.
Promover um
novo Turismo de Natureza com qualidade pode perfeitamente também passar pela articulação
dos novos percursos pedestres com novas Ecopistas. Desse modo, e dadas as
favoráveis condições naturais únicas de que dispomos, além da forte tradição na
modalidade, proponho a criação de vários traçados de Ecopistas de BTT no
Concelho, fazendo todos os possíveis para estabelecer uma ligação à já
existente Ecopista do Dão, além de outras, como por exemplo, uma eventual
Ecopista da Aguieira. Tendo em mente esta finalidade, faz sentido que se
consulte pessoal especializado com o objectivo de aferir quais serão os
melhores troços para construir este tipo de equipamentos.
Finalmente,
a criação de um Museu de Mortágua e dos Mortaguenses, que a meu ver é uma obra
essencial para o futuro do Concelho, contrariando desse modo a noção existente de que temos pouco ou nada de valor ou com
interesse para visitar.
Um Museu Municipal que
reúna e valorize todos os nossos apontamentos históricos e patrimoniais. Como?
Através da reunião
de todo o espólio histórico de que dispomos no mesmo local, pontuando as marcas da passagem dos franceses e a
presença na Batalha, assinalando a Lenda do Juiz de Fora e prestando a devida
homenagem à
memória dos nossos antepassados ilustres, além dos respectivos contributos por
estes prestados à comunidade. Além disso, poderá materializar-se uma
documentação precisa da evolução da vida e dos costumes dos Mortaguenses, desde
o Foral até aos dias de hoje, registando o desenvolvimento agrícola e
industrial que se verificou no nosso Concelho, por exemplo. A génese da nossa toponímia e a grande presença
do elemento água na nossa História também poderão e deverão ser explorados
nesta edificação de que Mortágua e os Mortaguenses muito precisam.
Cultura e Eventos
Na
minha opinião, Mortágua tem uma vida cultural com um fervor muito apreciável
para a dimensão que tem, mas há sempre aspectos por onde se pode melhorar.
Assim, apresento desde já algumas propostas mais avulsas que vão de encontro ao
desejo de estimular o surgimento de novas realizações e de novos artistas: a
criação de uma bolsa artística anual do Município, atribuída após concurso e
que surja como um incentivo à livre expressão de toda e qualquer forma de arte,
sendo que o respectivo prémio poderá ser entregue nas “Tasquinhas”, onde as
obras também seriam exibidas ou representadas. Proponho ainda a possibilidade
de utilização de uma sala no Centro de Animação Cultural por valores
acessíveis, para que jovens bandas possam ensaiar quando não têm outra solução
de espaço, como muitas vezes acontece. A recuperação da programação cultural
das Noites Quentes e das Noites de Verão, sempre numa lógica de adequação
procura/oferta, também seria lógica a meu ver. Relativamente aos grandes eventos, proponho que se funda a Festa da
Juventude com a ExpoMortágua, aumentando substancialmente o investimento na
contratação de artistas para os quatro dias do certame e potenciando ainda mais
o nome do evento, colocando-o numa posição mais proeminente da agenda cultural
nacional, aproveitando dessa forma a data em que este normalmente se realiza, o
final de maio, uma altura em que ainda não há grande competitividade dado que é
o início da época de convívios e espectáculos de verão. A Feira das Associações
seria para manter no Centro da Vila em moldes semelhantes mas com um cartaz
musical mais modesto, mais direccionado para a música popular e para as bandas
locais, até porque se trata de uma época em que os orçamentos exigidos pela
presença dos artistas são manifestamente mais pesados. Sugiro também a
criação de um pequeno palco secundário com condições dignas no espaço das
“Tasquinhas”, para a promoção de espectáculos de animação durante as tardes,
como o teatro e algumas exibições musicais, possibilitando ainda a realização
de jogos tradicionais, mudando desta forma a identidade desta festa e tornando-a
ainda mais nossa.
Educação, Juventude e Desporto
Faço uma avaliação bastante positiva do modo como estas
áreas estão a ser apoiadas no Concelho, mas tenho algumas propostas avulsas
para apresentar no sentido de melhorar ainda mais o apoio que é prestado. Nesse
sentido, parece-me desejável que se proceda à melhoria e ao alargamento dos
serviços de redes e “hot-spots” de ligação gratuita à Internet, tanto em locais
estratégicos para esse efeito, como o Largo da Câmara, as Escolas e os Parques
Verdes do Muncípio, como ainda através da criação de um “Espaço Net” em cada
sede de Freguesia. Relativamente aos mais novos, proponho a criação eficiente
de um Conselho da Juventude funcional, democrático e aberto a toda a comunidade
jovem. Sugiro ainda a criação de um serviço próprio de orientação e de
acompanhamento aos jovens que favoreça nestes a adopção de um percurso que
posteriormente os permita fixar a sua vida pessoal e profissional na sua terra,
em Mortágua. A nível da prática desportiva, proponho que o excelente programa
“Viva mais, mexa-se!” abarque um maior número de utentes, baixando dessa forma
a idade mínima de inscrição. Proponho ainda a alteração do modelo do torneio de
futebol inter-associações, dividindo-o em dois escalões etários, proporcionando
assim uma saudável e harmoniosa competitividade desportiva também aos mais
novos.
Floresta
e Agricultura
Num Concelho onde a Floresta detém uma grande
preponderância económica, é necessário manter as boas práticas associadas que
já existem, mas também acompanhar a actualidade no que toca à reforma florestal
que tem sido alvo de grande mediatização nos últimos tempos. Mortágua não se
pode dissociar desse debate, como é evidente, pelo que importa continuar na
vanguarda dos melhores hábitos. A cultura do eucalipto tem sido muito polémica,
mas no meu entendimento, e por diversos factores que o justificam, esta deve
ser devidamente respeitada e continuada, sempre que seja levada a cabo com
conta, peso e medida. Deverá, porém, haver um ordenamento básico nessa cultura,
respeitando por exemplo as margens de segurança que terão obrigatoriamente que
existir. Esse acompanhamento e essa fiscalização são essenciais e cabem
sobretudo à Autarquia. De resto, proponho a transformação de alguns terrenos
baldios em hortas comunitárias que se coloquem ao dispor de quem as deseje
cultivar. Sugiro ainda que se criem incentivos agro-pecuários que estimulem a
iniciativa do jovem agricultor, tendo em conta as excelentes condições naturais
de que dispomos. É ainda exigível que se mantenha uma forte pressão sobre o
Estado no sentido de colocar de vez em ordem e em funcionamento a Barragem do
Lapão, que é uma vergonha não só para todos nós, Mortaguenses, como também para
os Portugueses em geral.
Ambiente e Salubridade
A preocupação ambiental terá que ser uma das imagens de
marca de um Concelho com uma ligação tão privilegiada com a Natureza, como é o
nosso caso. Tendo em conta algumas manifestações de repúdio de que tenho tido
conhecimento sobre descargas polémicas em ribeiras do nosso Concelho, proponho
que se efectue uma vistoria e uma avaliação geral imediata das nossas ETAR´s e
que se renove ou requalifique tecnicamente as que necessitem de modernização. A
prioridade e o respeito que temos pela causa ambiental deverão ser intocáveis e
nunca passíveis de se poderem colocar em causa, pelo que também se deve
acompanhar o funcionamento das empresas que cá estão sediadas no sentido de
perceber se estas efectivamente cumprem com todas as regras de higiene e de
salubridade. Proponho ainda que se incentive a criação de uma associação de
voluntariado para realizar uma limpeza sazonal aos nossos percursos pedestres e
a zonas de interesse natural, podendo esta ainda ser realizada em articulação
com as nossas escolas.
Direitos
dos Animais
Uma
comunidade civilizada e ideologicamente evoluída terá que ter o respeito pela
causa animal como um das suas imagens de marca, sendo que na minha opinião
ainda há muito para fazer em Mortágua relativamente a esta área. Proponho que
se construa de uma vez por todas um Canil Municipal que garanta condições
minimamente dignas aos animais que infelizmente ali tenham que estar até se
encontrar outra solução. O seu acompanhamento e a sua manutenção devem ser
assegurados pela Autarquia mas também em estrita cooperação com a sociedade
civil, através de uma associação de voluntariado criada para o efeito e que se
envolva em várias campanhas de sensibilização para a adopção e para a recolha
de alimentos, por exemplo. Possibilitar o acesso dos cães ao Parque Verde e ao
Parque das Nogueiras, dotando estes equipamentos de infra-estruturas para o
efeito e acabando desse modo com uma discriminação clara que existe no
Concelho, é outra das propostas que apresento, além da possibilidade de apoio a
famílias economicamente carenciadas na prestação de cuidados veterinários,
nomeadamente através de campanhas municipais de esterilização e de vacinação. Finalmente,
poderão e deverão ser lançadas campanhas de sensibilização junto da população
no sentido de a alertar para a necessidade de dignificar as condições em que
têm os seus animais, com o objectivo de evitar o acorrentamento de cães, por
exemplo, alertando-os para o facto de se tratar de animais sencientes, tendo
por isso a capacidade de sentir sensações e sentimentos até, de forma
consciente, realidade essa que é muitas vezes ignorada. Passar a respeitar de
forma plena os direitos dos animais é com toda a certeza um caminho que irá
melhorar Mortágua, satisfazendo dessa forma os anseios de uma franja considerável
da nossa população, que há muito o reivindica.
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