terça-feira, 11 de junho de 2019

Balanço de Meio Mandato

Como estamos próximos do final da primeira metade do presente mandato autárquico, parece-me ser hora de fazer um balanço sobre o actual xadrez político local, em Mortágua, além de lançar desde já um olhar para um futuro que está sempre mais próximo do que parece. Esta intervenção justifica-se também com uma necessidade de impulso à nossa cidadania e de estímulo à participação cívica, dado que, como ainda recentemente se verificou no último exercício eleitoral, há um afastamento cada vez maior das pessoas em relação aos centros de decisão. Se, como é de evidência, o problema é nacional, a verdade é que este se manifesta de forma ainda mais expressiva no Concelho, pelo que é preciso desde logo começar por não fazer de conta de que não se passa nada. Uns mais do que os outros, é certo, mas todos somos responsáveis por esta confrangedora realidade. O estímulo à discussão pública é fundamental. Nesta opinião, debruço-me livre e desassombradamente sobre partidos e protagonistas mas sempre sob um desígnio estritamente político ou técnico, sem grandes apreciações pessoais, apesar de me referir a pessoas concretas. Num meio pequeno como o nosso, não há esse hábito, aliás, muito pelo contrário, continua a haver receio de se falar sobre este ou sobre aquele, por medo de represálias. Isto revela uma falta de maturidade democrática que é preciso contrariar, e que muitas vezes acaba alimentada pelo próprio egocentrismo autista das representações locais dos partidos, que se “esquecem” que estão ali para representar directamente as pessoas e nada mais. Basta olhar à nossa volta para perceber que a maioria, para não dizer a totalidade, apenas se aproxima de facto à população de forma cíclica, ou seja, de 4 em 4 anos. Esta sazonalidade de interesses é do mais reprovável que pode haver nas democracias modernas, pelo que é importante denunciá-la e combatê-la com vigor. O presente contributo procura servir esse mesmo propósito.
Conhecendo com pormenor o background em que me movo, começo desde logo por descansar as mentes mais inquietas relativamente às minhas próprias ambições político-partidárias. Vou repetir-me uma vez mais, porque parece-me uma vez mais necessário fazê-lo. Não, não tenciono candidatar-me ao que quer que seja. Encontro-me particularmente empenhado em esforçar-me por ser um muito bom pai e ao mesmo tempo o melhor marido possível. Estou e estarei sempre disponível para a minha terra e para o meu partido, mas nesta fase da minha vida estou longe, muito longe mesmo de querer sujeitar-me a qualquer espécie de sufrágio popular, muito menos com o objectivo de assumir responsabilidades maiores para as quais não considero, de todo, que tenha neste preciso momento o perfil adequado. É uma reflexão pessoal que partilho convosco e que aconselho, antes de mais, a alguns dos protagonistas da nossa praça, dado que lhes poderá ser útil. Posto isto, espero então que este meu contributo seja validado e aceite sem leituras que tenham base em pretensão pessoal alguma da minha parte, como alguns aparentam temer. As seguintes considerações são minhas e apenas minhas, sem qualquer ligação aos respectivos visados, com quem nem sequer as discuti. Posso passar-vos impressões certeiras na mesma medida em que poderei estar redondamente enganado em relação às mesmas, pelo que também pretendo desde já deixar essa ambivalência bem clara. A minha “perspectiva” que habitualmente publico é, como sempre foi, uma opinião e nada mais do que isso. 
Começando por cima, estou convencido de que este será o último mandato do Presidente Zé Júlio. São cada vez mais os sinais que apontam nesse sentido. A circunstância assim o parece determinar: o ciclo de dois mandatos autárquicos como independente apoiado pelo PSD foi sempre um casamento de conveniência que estará prestes a chegar ao fim, seguindo cada um o seu caminho. Sendo um homem de acção e de inesgotável energia, acredito que estará sempre disponível para Mortágua e para os Mortaguenses, mas num outro plano de intervenção, menos directo. Já são décadas e décadas de pelouros acumulados e de enormes responsabilidades assumidas, pelo que estou em crer que agora será tempo de dar algum descanso ao guerreiro, libertando-se um pouco das intermináveis amarras dos diferentes desempenhos para se poder dedicar mais a si e aos seus. Sempre fui muito mais amigo do meu vizinho Zé Júlio do que propriamente do Presidente da Câmara de Mortágua, com quem aliás tive imensos desentendimentos na esfera pública, tanto do foro político como profissional, até. De um ponto de vista mais pessoal, a verdade é que gosto muito dele, da mulher e dos filhos, pelo que acredito que a decisão de abandonar a vida política activa será a melhor para a harmonia e para a alegria de todos eles, que é o que mais lhes desejo. Em coerência com a opinião que tenho sempre partilhado, também me parece que um projecto político de dois mandatos presidenciais é adequado e mais do que suficiente. A lei de limitação de mandatos aponta para os 12, mas creio que deveriam ser apenas 8. Todos teríamos a ganhar com isso, e basta olhar à nossa volta para perceber o nefasto que foi para a nossa terra, a tantos níveis, ter o mesmo rosto na Presidência durante 24 anos, com disfuncionamentos óbvios que infelizmente ainda hoje se manifestam. O Presidente Zé Júlio pode sair em grande se souber sair pelo seu próprio pé, sem que o empurrem desta ou daquela maneira, além de que o aconselho a não querer perpetuar-se como outros tentaram fazer, e que depois acabaram por sair como se sabe, sem reconhecimento nem glória, com a imagem gasta e a idoneidade apodrecida. O desempenho de cargos públicos deve ser de alternância muito frequente, a bem da saúde das instituições e até do próprio regime, que hoje está porventura mais ameaçado do que nunca. A rotatividade democrática é muito mais fértil e preciosa do que possa parecer, porque além do rejuvenescimento, das novas ideias e do sangue fresco, ajuda e de que maneira no combate ao descrédito do povo em relação a quem o representa, como tem sido demasiado fácil de constatar. Além de que enfraquece teias de influência e inibe clientelismos crónicos e aproveitamentos indevidos da mais variada espécie, de natureza directa e indirecta. No fundo, não estou a escrever nada de novo... basta olhar à nossa volta. Basta olhar à nossa volta, mas claro que é preciso querer ver o que se passa. Caso contrário, não adianta de nada. 
Com o afastamento do actual Presidente, o vice Paulo Oliveira é o candidato mais-do-que natural dos sociais-democratas para a disputa de 2021. Dado o posicionamento e o currículo, será sem dúvida alguma uma candidatura absolutamente legítima. No fim de um duplo mandato como número 2, e de anos de aproximada convivência com os Mortaguenses e os respectivos problemas, estou muito curioso para verificar o resultado que irá conseguir. A sujeição ao sufrágio e ao escrutínio público é sempre um acto de inusitada coragem que convém ser mais amadurecida do que propriamente atrevida, e creio que aqui se trata mais da primeira do que propriamente da segunda. Acredito que o Paulo Oliveira se possa valer da experiência acumulada, mas vamos ver se os índices de popularidade que detém serão suficientes para disputar a vitória. Parece-me, com toda a honestidade, que essa possibilidade dependerá mais da valia de quem o defrontar do que propriamente dele, isto apesar de não ter dúvidas de que será sempre um candidato a ter muito em conta, assim se saiba rodear das pessoas certas. O “carro” não é o melhor nem o mais rápido, mas às vezes valem mais as “unhas” do condutor do que propriamente a potência do motor. Nas últimas duas eleições pudemos constatar precisamente isso. 
A corrida de 2021 será essencialmente disputada por PS e PSD, a menos que surja, entretanto, um qualquer movimento independente com força, hipótese essa em que não acredito muito, pelo menos neste momento. Candidaturas dessa natureza só funcionam em meios pequenos quando estão reunidas algumas características que eu muito sinceramente não vislumbro por estas bandas, nem estou a ver nenhum protagonista de peso a arriscar-se por essa via. Por outro lado, e escrevo isto com desalento sincero, por motivos que se prendem com a saúde da nossa democracia, também não acredito em candidaturas de reconhecido valor por parte dos partidos mais pequenos, como seria desejável. Espero, aliás, que esta abertura de discussão possa contribuir para impulsionar algumas dinâmicas partidárias, o que seria óptimo para todos nós. O Bloco de Esquerda, enquanto secção local, continua a não existir a não ser no papel. O PCP, idem aspas, depois da emigração do seu último candidato empenhado, apesar da votação muito residual que obteve, em 2005. De lá para cá, os cabeças de lista foram sempre mais figurativos do que outra coisa qualquer, num derradeiro esforço do partido para conseguir aparecer nos boletins de voto, e nada mais do que isso. O CDS chegou a ter votações interessantes, pelo menos em 2009, com a eleição do Filipe Valente como vereador. Souberam capitalizar politicamente um PSD fraco e a consequente insatisfação do tradicional eleitorado da direita, mas desde então têm perdido seguidores de ano para ano, culminando num resultado absolutamente ridículo em 2017, que revela uma secção à deriva e sem timoneiro à altura. Resumindo, e desde que não surjam evoluções muito notórias num futuro próximo, que são possíveis mas improváveis, qualquer um destes partidos terá apenas meia dúzia de votos, passe a expressão, caso consigam sequer formar listas. Espero que assim não aconteça, acima de tudo porque a democracia local necessita de um número maior de candidaturas, com um naipe melhor de candidatos. A bipolarização PS/PSD que prevejo não é desejável para Mortágua e para os Mortaguenses. Repito-o novamente porque é algo que me parece muito importante.
Finalmente, o PS, o partido onde orgulhosamente milito e em relação ao qual opino e participo com outra propriedade, sem reverências, dependências ou qualquer espécie de conceitos pré-estabelecidos. Apesar de militante, escrevo com a liberdade de um pássaro, como aliás sempre escrevi, ciente de que a matriz ideológica do partido é, como sempre foi, desejavelmente pluralista e de grande feição democrática, ao contrário do que tem sido hábito nas sucessivas representações locais que se têm visto por Mortágua. Não é preciso ser um visionário para perceber os efeitos colaterais da pesada herança que foi deixada, a começar pela escassez de figuras alternativas ao respectivo legado, dentro do espectro interno do partido. Os dois últimos candidatos à Câmara tiveram o seu dedo por trás, com os resultados que se sabem. A própria actividade interna, que é pouca ou nenhuma, diz muito daquilo em que o partido se tornou, com o tempo e com os hábitos criados. A população e a respectiva participação apenas importam quando interessa, que é nos momentos que antecedem as eleições. Nestas últimas europeias, nem isso.. não houve uma única acção de sensibilização, um encontro, um convívio, nada. A abstenção no Concelho foi histórica, mas nem uma palavra se ouviu da actual liderança. Nem relativamente a este assunto, nem a outro qualquer, porque a palavra de ordem parece ser a de continuar para a frente, seja de que forma for, em silêncio e alheios a tudo o que se passa, esperando vir a conseguir resultados diferentes com recurso às velhas estratégias de sempre. É urgente mudar de paradigma. Não sei o que passa neste momento pela cabeça do Ricardo Pardal, mas espero sinceramente que esteja em séria reflexão quanto às suas aspirações políticas futuras. Uma eventual recandidatura tem tudo para se tornar num desastre, e não é preciso recorrer a um oráculo para o perceber. Acredito que mantenha a ilusão de um dia se tornar Presidente da Câmara, mas creio que não lhe faltam razões para que possa constatar que essa hipótese é, no mínimo, disparatada, atendendo às circunstâncias que se vão verificando. Já nem falo na conjuntura interna, que como já referi, tem sido manifestamente unidirecional, mas como poderá um indivíduo com tantos rabos de palha considerar que reúne as condições necessárias para unir o partido em torno do seu nome e candidatar-se novamente a um cargo de tamanha responsabilidade?  A sua resistência no poder só poderá ser entendida como uma inevitabilidade caso esta lhe tenha sido prometida pelo patriarcado mesmo em caso de insucesso, como se verificou, ou então por cega e obstinada teimosia própria em vencer num projecto que sempre me pareceu mais pessoal do que outra coisa qualquer. Não pretendo aprofundar muito, o que seria possível de diferentes maneiras, mas como pode um protagonista político que se autoproclama como “bom nas contas”, recordando um momento caricato do debate público na última campanha, limpar um currículo de onde constam duas negligências monumentais na matéria, levadas a cabo na sociedade Ecobeirão e mais recentemente na Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Mortágua? Em ambos os casos desempenhou um relevantíssimo papel nos respectivos Conselhos Fiscais, como Presidente de um e Vice de outro, não tendo conseguido perceber em nenhum deles tudo o que de estranho se passava, e era muito. Demasiado para ser ignorado. Demasiado para ser perdoado. Já nem insisto na promiscuidade ética e moral dos negócios da Previum com a Câmara Municipal, no seu tempo de Vereador numa das partes e, simultaneamente, de sócio-gerente na outra, mas não posso obviamente deixar passar o mais recente episódio da sua curta mas atribuladíssima carreira política: já nem me refiro aos Mortaguenses, mas será desejável para os Socialistas de Mortágua que venhamos a ter um candidato a Presidente que, na qualidade de líder da Concelhia e da Oposição, além de Vereador do Executivo, deixa de marcar presença nas celebrações solenes do Dia do Município, que foram tão participadas, inclusivamente por membros do Governo PS, para poder assistir ao vivo ao Rally de Portugal? À primeira vista, pode até parecer um assunto menor, mas se pensarmos bem nisso, trata-se de uma questão de enorme gravidade. Não podemos defender aquilo que é manifestamente indefensável. O Dia de Mortágua e de todos os Mortaguenses é apenas e só uma das datas mais importantes da agenda anual do nosso Concelho. Ignorá-lo pelas razões supracitadas é uma tremenda falta de consideração e de respeito por todos, já para não referir a extraordinária falta de sentido de responsabilidade institucional, para não dizer da mais básica e elementar noção. Trata-se sem dúvida alguma de uma atitude imatura num episódio que é caricatural, e acima de tudo profundamente ilustrativo de quais serão as verdadeiras prioridades do protagonista em causa. Espero que isto seja um sinal claro de que a sua intenção pela continuidade como líder dos Socialistas já esteja mais do que esquecida. De outra forma nem nunca seria compreensível. Uma Melhor Mortágua precisará sempre de um Melhor PS, e não é com toda a certeza com o Ricardo Pardal ao leme que isso irá acontecer, atendendo a tudo o que se tem verificado. É, pois, de tempo e de relevância fulcral começar a discutir a sua efectiva sucessão.
Apesar da falta de um número apreciável de alternativas, fruto das dinâmicas internas de anos, que acima referi, o PS tem sempre um manancial muito interessante de figuras que não têm necessariamente de surgir da esfera partidária propriamente dita, do interior da sua militância. O que não quer dizer que isso não aconteça, atenção. Um dos nomes potencialmente presidenciáveis que lancei há dois, três anos, foi o do Nélson Filipe, um independente com ligações ao PS, Vereador em exercício. Na minha opinião, começou por deitar a perder esse estatuto com a posição estreita e umbilicalmente ligada à liderança actual, manifestando-se de uma forma mais passiva e menos protagonista. Poderia ter capitalizado o seu estatuto de independente para tentar tornar o movimento de que faz parte mais inclusivo e mais abrangente, mais validado do ponto de vista democrático, mas acabou por se deixar levar pela estratégia autocentrada do seu número 1, o que foi uma pena. Politicamente, depositava grandes esperanças no seu nome e não tenho dúvidas algumas de que se trata de um homem bom, bem-intencionado e tecnicamente muito dotado na sua área, mas a mancha dos Bombeiros também não seria fácil de limpar. É por estas razões que penso que perdeu o estatuto que se exige para um desafio desta envergadura, mas será sempre muito útil, se assim o desejar. O Nélson é, sem dúvida alguma e acima de tudo o resto, um homem que muito prezo na esfera pessoal, o que vai muito além das considerações que me encontro a tecer. No seio do PS, e da sua militância que reside num número muito inferior ao que seria desejável a nível local, para um partido desta grandeza, haverá umas quatro ou cinco soluções mais robustas para iniciar a preparação para 2021, começando sempre, como é lógico, por essa tarefa indispensável que é unir o partido e agregar os militantes em torno de uma causa comum, validando como deverá ser a respectiva liderança, ao contrário do que tem acontecido. Desse naipe de soluções, nomearei apenas duas, que são figuras mais conhecidas de todos, autênticos pesos-pesados do PS-Mortágua. Os restantes são mais jovens e com percurso naturalmente mais curto, pelo que apesar de considerar que têm qualidades e recursos em número suficiente para justificar a coragem de se lançarem, penso que essa afirmação deverá ser própria, dada a especificidade da conjuntura interna. Creio que o partido beneficiará de várias correntes para combater o sentido unidirecional crónico a que tem sido vetado, mas essas dinâmicas terão sempre de nascer da vontade dos próprios militantes, atitude essa que eu também aqui pretendo incentivar, até porque todos teremos a ganhar com isso, Socialistas, num primeiro plano, mas acima de tudo os Mortaguenses, como é óbvio. Das possibilidades com mais histórico, temos o Acácio Fernandes e o David Oliveira. O primeiro é o actual Presidente da Assembleia Municipal, o segundo é o militante número 1 do PS-Mortágua. Ambos poderão ser fortíssimos candidatos à liderança interna, e posteriormente à Câmara. São figuras carismáticas que têm experiência no exercício de cargos públicos e que, acima de tudo, se têm sempre mostrado sérios, íntegros e responsáveis. A motivação que poderão ou não sentir para enfrentar tamanho desafio é condição determinante para que sejam possibilidades reais. Estando ambos bastante dedicados a actividades profissionais que, embora muito diferentes, lhes são igualmente exigentes a nível de tempo consumido, é complicado antecipar e aferir a natureza das suas pré-disponibilidades. Tanto um como o outro seriam potenciais candidatos válidos e legítimos, mas creio que a solução David Oliveira seria a ideal para levar a cabo as transformações que já há muito se impõem no interior do partido, nomeadamente em relação ao crescimento e à importância que é conferida à participação da sua militância, abrindo-o cada vez mais e não fazendo precisamente o contrário. O David é um homem que pensa pela própria cabeça e não está dependente de interesses ou vontades de quem quer que seja, o que, dada a presente circunstância, se torna muito mais relevante do que possa parecer. O David é um homem capaz de liderar, com o carisma suficiente para gerar uma grande mobilização em torno da sua figura, dado que é genuinamente agradável, humilde, instigante e afectuoso, sem recurso a representações postiças que visem a essa pretensão. De um ponto de vista figurativo, o David não seria nunca um candidato monocromático, de uma cor só... acredito que, muito pelo contrário, saberia ser devidamente “colorido”, canalizando as diferentes energias para as juntar numa só. Da esfera interna do partido parece-me a melhor solução.
Há, no entanto, um outro nome que gostaria de lançar para esta discussão a que me proponho dar início, e que na minha opinião poderá ser fortíssimo, por variadas razões: Márcia Lopes. Já é tempo de Mortágua ter uma candidata-mulher, valiosa e seriamente tida em conta para alcançar a vitória nas próximas Autárquicas. A Márcia é independente, mas já fez parte de várias listas PS, pelo que a sua conotação com o eleitorado local de esquerda é evidente. Como militante do partido, seria inspirador e refrescante até, de um ponto de vista condizente com as democracias mais modernas, que pudéssemos ter uma candidata-mulher com o seu nível, e com a sua clarividência intelectual. A Márcia é manifestamente inteligente, ponderada e de seriedade à prova de bala. Beneficiando de um apoio sólido e inequívoco da estrutura PS, como desde logo se imporia, uma vez que não acredito que prescinda do seu estatuto de independente, não tenho dúvidas nenhumas de que teríamos uma séria candidata à vitória. A Márcia é indiscutivelmente capaz, com experiência governativa e administrativa acumulada, pelo que caso se rodeie da equipa certa estará com toda a certeza à altura das elevadas exigências que são naturais num cargo de Presidente de uma Autarquia. A aposta do PS na Márcia seria uma manifesta lufada de ar fresco na democracia local, com elevadíssimas hipóteses de vir a ser coroada de sucesso.
Como referi, as considerações que teci são minhas e apenas minhas, sem qualquer ligação aos respectivos visados, com quem nem sequer as discuti. Posso estar a passar-vos impressões certeiras na mesma medida em que poderei estar redondamente enganado em relação às mesmas, pelo que mais uma vez pretendo deixar isso aqui bem claro. Este contributo é uma opinião que pretende ser um pontapé de saída para uma discussão que me parece muito relevante neste momento, ou que começa a ser pertinente a partir de agora. Espero que a leiam e a interiorizem como tal. Estou, como é lógico, disponível para responder a todos os comentários que sejam feitos, caso entenda fazê-lo, sempre com respeito pela eventual opinião divergente. É essa heterogeneidade de perspectivas que alimenta e que dá vida à democracia, convém não esquecer. Participem. Mortágua precisa de começar a debater, por isso, participem. Não temos esse hábito, mas está na hora de o passarmos a ter. Que seja dada a palavra aos Cidadãos de Mortágua. Participem! 

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