sábado, 16 de outubro de 2021

Boa Sorte, Pituxa!

Boa sorte, Pituxa!

A tua boa ventura ao longo dos próximos anos será a de todos nós, Mortaguenses. Nesta semana em que assumiste a grandiosa responsabilidade de te tornares no 13º Presidente da Câmara Municipal da nossa terra, Mortágua, quis escrever-te estas palavras precisamente assim, desta forma, com discurso directo na primeira pessoa, em jeito de carta aberta, informalmente e com toda a transparência deste mundo, que é o que se quer. Aliás, começo precisamente por esta referência que acabo de fazer para te saudar pela decisão (inédita) de teres resolvido comprometer-te com os munícipes em gravar e divulgar em directo as sessões da Assembleia Municipal e as reuniões de Câmara. Trata-se sem qualquer tipo de dúvida de um passo em direcção ao futuro. Até pode parecer pouco relevante, mas é um gesto de grande importância. Depois deste tempo todo, é verdade que vamos finalmente ter algum sangue novo e agradou-me bastante verificar que também surgem ideias novas. O começo promete…

Pituxa! Em todas as críticas que te fiz, e que foram muitas, a propósito da tua liderança partidária, fui sempre extremamente honesto e sincero em relação a ti. Disse e escrevi o que realmente pensava, e por isso mesmo fui sempre verdadeiro. Mantenho-as hoje, claro, as críticas antigas, em consciência e como é natural, à luz do que via na altura e continuo a saber hoje. Faria tudo exactamente da mesma maneira, porque sempre foram devidamente fundamentadas. Sem tirar nem pôr. Como voltarei a fazer, se for o caso. Espero do fundo do coração que isso não aconteça. Seria muito bom sinal para a nossa querida vila de Mortágua e para o futuro dos nossos irmãos Mortaguenses. Este primeiro sinal que dás, aliás, dá-me algum alento para que possas ser melhor, muito melhor Presidente de Câmara do que eras Presidente da Concelhia do PS. São, indiscutivelmente, estatutos e papéis absolutamente distintos, com uma abrangência diferente até na própria essência, pelo que espero que agora sim, contem efectivamente todos e todos sejam tratados por igual, como referiste e muito bem no último discurso de campanha. Acredito de verdade que sim, que isso vai acontecer, daí transmitir-to assim, desta forma também ela transparente, perante todos os nossos concidadãos.

Pois é, Pituxa… a verdade é que por obra e graça do destino, os nossos caminhos chocaram e acabaram por se desencontrar. É da vida. Nem te condeno a ti, nem me censuro a mim. Aliás, acho que devemos olhar para o passado com gratidão, recordando os bons momentos e tentando, sempre dentro do que nos é possível, claro, relativizar os maus (não digo esquecê-los, atenção, porque isso já implica forçar algo que não acontece com naturalidade). Creio que isto serve para nós e no fundo para toda a gente também. A parte pessoal é a parte pessoal, a política é outra coisa absolutamente distinta. Sei perfeitamente que muitas pessoas não conseguem de maneira alguma dissociar um aspecto do outro, mas esse é (ou pelo menos deveria ser) um preceito democrático que todos deviam ter a obrigação de cumprir com rigor. Por acaso, até vi o abraço que vieste dar ao Zé Júlio, aqui ao lado de casa, na noite da vitória, e pareceu-me um momento estranho, mas bonito, de alguma exaltação até da mais elementar cordialidade democrática. Sabendo o que sei hoje, acaba por ser compreensível. Não me choca. Antes isso do que o extremo oposto, como alguns idiotas que no momento de cantar a vitória resolveram brindar com impropérios aqueles que tanto desdenhavam, como se isto fosse uma espécie de jogo de futebol, em que a primeira coisa que a simiesca falange de adeptos fanáticos se lembra de fazer quando a sua equipa marca um golo é insultar a mãe do principal rival. Uns parece que se zangaram por eu ter antecipado uma vitória tua por uma margem mais curta (e eu até previ que ganhasses, o que seria se assim não fosse…) Claro que hoje, sabendo de antemão o que entretanto me chegou ao conhecimento, a previsão teria sido muito mais realista, às tantas até teria previsto que ganhasses por mais… mas adiante. Siga. Se já não é uma coisa bonita de se ver nos rapazitos que já tem algum pelo na venta, sempre mais irreverentes e menos ponderados, em resultado dessa mesma “verdura”, imagine-se em relação a alguns graúdos, maduros, e com responsabilidades assumidas. Grandes em tamanho, alguns deles, pequeníssimos no carácter, que como sabemos se mede bem nas pessoas tanto nos momentos das vitórias como nos das derrotas. Enfim. Maturidade democrática. Faz falta a muita gente. Uns até acabam por lá chegar, outros nunca lá chegarão. Há, por exemplo, uma outra porção de imbecis que acham que eu poderei estar a ser hipócrita por te estar a  desejar boa sorte, como se eu eventualmente não quisesse mesmo o melhor para a minha querida Mortágua. É que realmente é de bradar aos céus. Andamento… que, como dizia o outro, não estou para perder a “beleza” por causa de meia dúzia de palermas. Energia positiva, pegando nas tuas palavras!

Pituxa! Cumpriste finalmente o teu sonho e tens pela frente o desafio da tua vida. Como Mortaguense, prometo-te toda a deferência pelo cargo que vais ocupar, a partir desta sexta-feira, pelo que no fundo vou estar sempre a torcer para que as coisas te corram bem (como é óbvio), ou não tivesse eu o amor que tenho pela minha terra, pela nossa terra. Esse amor vai, no entanto, exigir-me que seja exigente contigo. Vai obrigar-me a estar atento. Vai (continuar) a fazer-me participar, a escrutinar, a sugerir, a criticar. Sempre pelo que considerar que é do superior interesse do nosso Concelho. A esse propósito, também não tenho dúvidas de que vais dar o melhor de ti. Conheço-te muito, muito bem. Sei perfeitamente que, haja o que houver, também tens uma grande paixão por Mortágua, pelo que é óbvio que serás o primeiro de todos os Mortaguenses a querer que a vida nos corra bem. Escolheste um braço direito que é um luxo. O Luís Filipe vai ser uma mais-valia tremenda para todos nós. Trata-o bem, confia nele e delega-lhe competências com toda a segurança. Sei que apontaste muito o dedo aos últimos mandatos, mas olha que tens uma fasquia alta pela frente, não tenho dúvidas disso. Para apresentar mais e melhor trabalho, tens que ser muito criativo. Tens que ser muito arrojado. Tens que tentar ser diferente e simultaneamente conseguir manter tudo o que está bem feito… o que não vai ser fácil. Falo de obras, de cultura, de desporto… a realidade é que tens um desafio hercúleo pela frente. Os familiares próximos de todos os Presidentes de Câmara deste país sabem perfeitamente o quão consumidor pode ser o exercício de um cargo como este. Não há tempo para mais nada, de segunda a sábado, muitas vezes até ao domingo. De manhã à noite. Não é para quem quer, mas sim para quem pode. É tudo menos fácil. Já para não falar na pressão e na responsabilidade. Como te disse e agora reitero, prometo-te toda a consideração. A partir de agora és o Presidente de Mortágua e de todos os Mortaguenses, comunidade esta onde nasci, onde resido e na qual tenho o maior orgulho. Quem efectivamente me conhece como deve ser, sabe perfeitamente que assim é. Como tu, por exemplo.

Ontem, pediste o apoio e o empenho de todos os cidadãos e particularmente de todos os funcionários do Município. Conta comigo! Mortágua está à frente de tudo e de todos!

Deste lado, sempre foi assim e sempre será!

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