Assim de mansinho e como quem não quer a coisa, o aditamento da concessão das nossas águas foi hoje aprovado por unanimidade em sede de reunião de câmara, o que lamento profundamente. Perante os esclarecimentos que foram prestados na referida reunião de câmara, gostaria de sublinhar o desígnio e a combatividade do André Faustino, que na minha opinião apenas pecou por se ter juntado à votação final, atirando assim a toalha ao chão. No triste espetáculo que me foi dado a perceber, houve apenas um homem naquela sala determinado a defender os interesses do concelho de Mortágua: o André. Como Mortaguense de coração, agradeço-lhe e dou-lhe os meus parabéns pelo serviço público de valor que por ele ali foi prestado. Escrutinou como deve ser um documento com um teor indefensável dentro do que lhe foi possível, dado que o recebeu com pouca antecedência, chegando a colocar inclusivamente em sentido a equipa multidisciplinar que ali estava a defender tecnicamente a prorrogação, maquilhando-a inclusivamente como se esta fosse um favor que estavam a fazer aos munícipes, com perdões de dívida à mistura, à bom samaritano de vergonha deixada no bolso. Pareceu-me por demais evidente que não há certezas absolutas e de rigor à prova de bala no que toca ao apuramento dos números que foram apresentados, o que é um ponto de análise determinante e imprescindível em todo o processo. De bradar aos céus! A impressão que fica é de uma manobra de intimidação com o muito instrumental propósito de coagir e de forçar alguém a assinar algo contra a sua vontade. Os valores apresentados são tão incrivelmente escandalosos que só podem ser credíveis com base num acordo criminoso com juros do mais usurários e agiotas que se possam imaginar. Os responsáveis por todas as assinaturas devem por isso ser chamados pelos nomes, tanto os que viabilizaram o acordo inicial como todos os restantes que foram empurrando o problema para a frente com a barriga, olhando sobretudo para o calendário político e para os seus interesses muito circunstanciais.
Um presidente de câmara (ou neste caso um conjunto deles) nunca se pode ajoelhar perante um grande grupo e prestar uma triste vassalagem económico-financeira como esta a que estamos a assistir, totalmente impotentes. Um presidente de câmara, perante uma situação tão indecente como esta, e que é tão profundamente lesiva para os munícipes de toda uma região, tem que honrar até ao fim a população que representa. Tem que chamar as televisões todas, convocar as suas gentes e ir para a rua na frente delas. Tem de lutar pelo que é efetivamente justo, com desembaraço e peito feito. Com liderança forte pelo exemplo. A cair perante uma realidade inevitável, confirmando-se a obscenidade indecorosa de um escândalo como este, que fosse de pé e nunca de joelhos. Eu nunca na vida teria assinado este aditamento sem ter esgotado primeiro todas as possibilidades e mais algumas de reação, de condutas e de procedimentos, incluindo os jurídicos. Pior ainda é perceber que os presidentes de câmara desta associação de municípios se deixaram enredar numa solução política toda bonitinha que foi costurada ao milímetro das suas conveniências prementes, num ano eleitoral como este, ainda por cima tudo feito com o mínimo ruído possível, da forma mais discreta, com toda a desfaçatez de quem está em 2025 a entregar até 2039 (e daqui a uns anos falamos…) mais uma pesadíssima herança às suas gentes. É urgente que as populações da região tenham conhecimento absoluto e desmaquilhado de toda esta infâmia. É de elementar justiça responsabilizar todos e mais alguns, sem qualquer excepção, protagonistas antigos e atuais, por toda esta podridão económico-financeira assacada politicamente a todos os munícipes da zona à conta da concessão ruinosa de um bem tão essencial para nós todos. A insurreição por vezes é um ato de coragem que não só é exigível como se torna necessário. Este é precisamente um desses momentos. A cair perante tamanha injustiça que fosse de pé e nunca de joelhos. Quanto mais ainda ter a lata de aparecer sorridente na fotografia e a aplaudir a usura, de braço dado com os agiotas. Que vergonha, meus senhores… que vergonha! Isto revolta uma pessoa. É importante ter a bravura e a dignidade de saber dizer não quando é precisamente o não que se impõe. Não, não e não!
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