quinta-feira, 8 de outubro de 2009

O Dever do Exercício de Voto

Aproximam-se tempos decisivos no que toca à governação do nosso país, sendo que o povo português vai ser chamado a fazer valer a sua opinião em dois momentos distintos: as eleições legislativas e as eleições autárquicas. As primeiras estão marcadas para o próximo dia 27, onde se vão eleger os membros que vão constituir a próxima Assembleia da República, e as segundas vão decorrer duas semanas depois, no dia 11 de Outubro, data importantíssima para que o eleitorado manifeste mais uma vez a sua preferência relativamente à gestão do poder local. Em ambas o povo é soberano!

É um facto que todos, sem excepção, somos membros de uma determinada comunidade, onde exercemos um determinado papel. Todos somos importantes, todos precisamos uns dos outros e, seja ela qual for, todos temos uma opinião. É da maior relevância sublinhar este aspecto, que por vezes parece passar ao lado da sociedade portuguesa: vivemos em comunidade, logo podemos e devemos ter uma posição no funcionamento e evolução da mesma.

No último momento de decisão a que o povo português foi sujeito, já este ano, nas eleições para o parlamento europeu, a análise fria dos números é reveladora, e ao mesmo tempo constrangedora: 3.554.931 eleitores votaram, sendo que 5.934.346 se abstiveram! Por vezes parece que não damos o devido valor à política, e ignoramos o que de facto está em jogo em cada eleição, que é muito! Há os que dizem que “os políticos são todos iguais”, outros que dizem que “não tenho tempo para ir votar” e ainda temos aqueles que não vão votar porque acham que não vão fazer a diferença, “é só um voto, para quê ralar-me?”.

Caríssimos leitores, não julgo que necessitemos de ser analistas políticos para termos uma opinião própria, basta andarmos minimamente atentos à conduta, comportamento e postura de quem faz governo e de quem faz oposição, a todos os níveis, para podermos formular o nosso próprio juízo. A juntar a esta percepção, que até o eleitor mais distraído terá, basta apenas adicionar à equação a filosofia que cada um tem perante a sociedade e a vida para podermos finalmente concretizar o nosso próprio manifesto individual – a nossa preferência de voto.

Nos tempos que correm, o acesso à informação é cada vez mais vasto, logo temos cada vez mais meios para podermos reunir todos os elementos necessários para decidir em quem votar. A paupérrima participação no último sufrágio leva-nos obrigatoriamente a reflectir, pois não será com certeza assim que poderemos construir uma sociedade participativa e, efectivamente, uma sociedade de todos e para todos, não somente de alguns indivíduos para os restantes. Se queremos um regime de governo onde o poder de tomar importantes decisões políticas está com o povo, a tal e tão apregoada democracia, teremos sempre que cumprir com o mais elementar dever enquanto cidadãos, o exercício de voto. A expressão individual do simples eleitor é sempre determinante para definir a tendência da grande mancha que revela a vontade de todo o eleitorado. Basta recuar umas dezenas de anos atrás, não muitas, e recordar tempos de censura, quando o povo tanto queria mas não tinha voz, para valorizar ainda mais o estatuto decisório que é conferido à população nos dias de hoje.

Nunca é demais lembrar que votar é um direito, mas simultaneamente um dever. Sejamos então, povo, soberanos em relação ao nosso futuro. O voto de cada um é fundamental.

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